O percentual de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham caiu para 22,4% no Brasil em 2024. O dado é do relatório Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que considera quem não estuda, não trabalha e não está em nenhum tipo de formação.
Em 2016, o índice era de 26,8%. Mesmo com a queda, uma parcela grande de jovens segue fora da escola: segundo Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, mais de um quarto dos jovens adultos ainda não tem a educação básica completa (Agência Brasil).
Confira, a seguir, os caminhos para retomar os estudos, a diferença entre as principais opções e o que mais o estudo mostra.
Quais caminhos existem para voltar a estudar
Quem interrompeu os estudos pode retomar pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), pelo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) ou pelo Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja).
Quem já concluiu o ensino médio pode seguir para um curso técnico.
| Caminho | Para quem | Idade mínima | Onde se informar |
|---|---|---|---|
| EJA | Quem não concluiu o ensino fundamental ou o médio e quer voltar à sala de aula | 15 anos (fundamental) e 18 anos (médio) | Secretaria de educação do município ou do estado |
| Encceja | Quem quer o certificado de conclusão por meio de prova, sem frequentar aulas | 15 anos (fundamental) e 18 anos (médio) | Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com edital anual |
| Proeja | Quem quer concluir os estudos e ter formação técnica ao mesmo tempo | Em geral, 18 anos nos cursos técnicos (conferir o edital) | Institutos federais e redes estaduais |
| Curso técnico subsequente | Quem já concluiu o ensino médio e quer formação profissional | Exige ensino médio completo | Institutos federais, rede estadual e escolas credenciadas |
As idades mínimas da EJA seguem as diretrizes do Conselho Nacional de Educação, e o Encceja adota os mesmos limites, contados na data da prova. O Proeja foi instituído pelo Decreto nº 5.840, de 2006. Nos cursos técnicos integrados, os editais costumam exigir ensino fundamental completo e 18 anos.
A edição de 2026 do Encceja já foi aplicada, em 23 de agosto, e o resultado está previsto para 14 de dezembro. Quem pretende fazer a prova agora precisa acompanhar o edital de 2027, que costuma sair no primeiro semestre.
Qual a diferença entre a EJA e o Encceja
A EJA é um curso, com aulas e frequência, organizado para a etapa que o estudante não concluiu. Já o Encceja é uma prova: quem atinge as notas mínimas recebe o certificado de conclusão do ensino fundamental ou do médio, sem precisar frequentar aulas.
Os dois caminhos levam ao mesmo resultado, que é o certificado da etapa escolar, mas de formas diferentes. A EJA oferece acompanhamento ao longo do curso, enquanto o Encceja depende do estudo por conta própria até a data do exame.
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O Enem também certifica o ensino médio
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 também pode ser usado para obter o certificado de conclusão do ensino médio, conforme a Portaria Inep nº 7, de 2026. Para isso, o participante precisa:
- ter 18 anos completos na data da primeira prova, em 8 de novembro;
- tirar no mínimo 450 pontos em cada área do conhecimento;
- tirar pelo menos 500 pontos na redação.
A intenção de usar a nota para a certificação é indicada no momento da inscrição. Quem atingir as notas mínimas sem ter marcado essa opção pode procurar diretamente uma das instituições certificadoras.
Para quem quer reforçar a base antes de voltar à escola ou de fazer uma prova, o Pensar Cursos reúne cursos de extensão universitária em diversas áreas. Os cursos atendem a diferentes objetivos, como reforçar a base de estudos, se preparar para uma prova ou buscar qualificação para o mercado de trabalho.
O que mais o estudo da OCDE mostra
| Indicador | Brasil | Comparação |
|---|---|---|
| Jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham | 22,4% em 2024 (26,8% em 2016) | Queda de 4,4 pontos; a média da OCDE caiu 2,3 pontos |
| Jovens de 25 a 34 anos sem ensino médio completo | 26% em 2024 (35% em 2016) | Média da OCDE: 12% |
| Adultos de 25 a 64 anos com ensino superior completo | 22% em 2024 | Média da OCDE: 43% |
Em que momento o jovem mais deixa os estudos
O relatório aponta três momentos em que o afastamento da escola é mais frequente:
- um ano depois de concluir o ensino fundamental, 8% dos alunos saem do sistema formal de ensino;
- entre os estudantes que entram no ensino médio, 20% abandonam a escola sem se formar;
- na conclusão do ensino médio, as mulheres têm 7 pontos percentuais a mais de probabilidade de concluir do que os homens.
Quem parou depois do 9º ano pode retomar o ensino fundamental pela EJA ou pelo Encceja a partir dos 15 anos. Quem deixou o ensino médio pelo caminho pode concluí-lo a partir dos 18 anos, pela EJA, pelo Encceja ou pelo Enem.
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