Professores da rede pública podem ter aumento salarial após conquistar pós-graduação, mas o valor varia conforme o plano de carreira de cada sistema de ensino.
A Lei nº 9.394/1996 (LDB) determina que estados, municípios e Distrito Federal precisam garantir progressão funcional do magistério baseada em titulação, porém sem fixar percentuais nacionais. Em redes federais, há regras específicas com valores definidos em lei para cada nível de titulação.
Às vésperas do Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a valorização dos profissionais da educação ganha destaque, especialmente quando o assunto é remuneração e reconhecimento da formação acadêmica. Continue lendo e saiba mais!
O que diz a legislação nacional sobre salário e titulação?
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em seu artigo 67, inciso IV, estabelece que a progressão funcional dos professores da rede pública deve considerar a titulação ou habilitação, além da avaliação de desempenho.
Isso significa que a conclusão de uma nova formação acadêmica pode contribuir para o avanço na carreira. Entretanto, o aumento salarial não ocorre de forma automática nem segue um percentual único em todo o país, pois cada rede de ensino define critérios específicos em seu plano de carreira.
O artigo 67 da LDB determina:
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:
IV – progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho;
Além disso, a Resolução CNE/CEB nº 2/2009, em seu artigo 4º, inciso V, reforça que os planos de carreira devem contemplar incentivos relacionados à formação acadêmica, à experiência profissional e ao aperfeiçoamento dos professores.
V – progressão salarial na carreira, por incentivos que contemplem titulação, experiência, desempenho, atualização e aperfeiçoamento profissional;
A mesma resolução, no artigo 5º, inciso V, orienta a diferenciação dos salários iniciais conforme o nível de formação dos profissionais da educação básica, incluindo graduação, especialização, mestrado e doutorado.
V – diferenciar os vencimentos ou salários iniciais da carreira dos profissionais da educação escolar básica por titulação, entre os habilitados em nível médio e os habilitados em nível superior e pós-graduação lato sensu, e percentual compatível entre estes últimos e os detentores de cursos de mestrado e doutorado;
Como funciona a progressão por titulação na rede federal?
No magistério federal, a Lei nº 12.772/2012 estabelece a Retribuição por Titulação (RT), parcela remuneratória cujos valores variam conforme a titulação acadêmica, a carreira, a classe e o regime de trabalho do docente, de acordo com o Anexo IV da legislação.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Além disso, na carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) federal, existe o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), que permite considerar conhecimentos e experiências profissionais para fins de equivalência na Retribuição por Titulação, mesmo quando o professor não possui o título acadêmico correspondente ao nível de RSC reconhecido.
Essa possibilidade está prevista no artigo 18, § 2º, da mesma lei, observados os requisitos legais.
O que mudou com a Lei nº 15.462/2026?
A Lei nº 15.462/2026 alterou o artigo 67 da LDB, ampliando as disposições sobre licença remunerada periódica para aperfeiçoamento profissional, incluindo cursos de pós-graduação lato sensu ou stricto sensu.
A mudança trata do afastamento remunerado para qualificação profissional, e não da concessão automática de aumento salarial.
Para solicitar o benefício, o professor deve observar os critérios estabelecidos pelo sistema de ensino ao qual está vinculado, incluindo as exigências de comprovação da formação e de participação no curso.
Na rede privada, a pós-graduação aumenta o salário?

Na rede privada, a valorização salarial por pós-graduação depende das condições previstas na convenção coletiva de trabalho de cada localidade ou do regulamento da escola.
Diferentemente do setor público, não há obrigação legal para reajuste por titulação, sendo necessário consultar o sindicato responsável pela categoria.
O que o professor precisa apresentar para obter o reajuste?
Para requerer o reajuste, é necessário apresentar diploma ou certificado de pós-graduação reconhecido pelo MEC. Alguns planos de carreira exigem comprovação do reconhecimento antes da progressão.
Em casos de cursos não reconhecidos, o direito ao aumento pode ser negado — neste caso, recomenda-se verificar a legitimidade do curso antes da matrícula.
O que fazer se o pedido for negado?
Caso o aumento salarial seja indeferido por ausência de reconhecimento do curso ou documentação incompleta, o docente pode recorrer administrativamente à Secretaria de Educação ou, em última instância, buscar orientação junto ao sindicato para garantir a aplicação do plano de carreira vigente.
Contexto: Dia do Professor e valorização do magistério
O Dia do Professor, comemorado em 15 de outubro, celebra a importância dos educadores para a sociedade brasileira. A data é considerada feriado escolar segundo o Decreto Federal nº 52.682/1963. Sua origem remonta a 1827, com a Lei de D. Pedro I, que estabeleceu as primeiras escolas primárias no país.
A data ganhou visibilidade a partir de 1947, com iniciativas em São Paulo, e foi oficializada nacionalmente na década de 1960. No mesmo mês, celebra-se também o Dia Mundial do Professor, promovido pela UNESCO em 5 de outubro.
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