A proposta de intervenção define a nota da Competência V da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os critérios estão na cartilha oficial publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com exemplos e comentários dos avaliadores.
Na prática, o candidato precisa mostrar que sabe propor uma solução concreta para o problema discutido no texto. Confira, a seguir, os elementos que a proposta deve ter, um exemplo completo e o que reduz a nota nessa competência.
Quais são os cinco elementos da proposta de intervenção
A redação do Enem é corrigida com base em cinco competências. A última delas avalia a proposta de intervenção, que é a solução apresentada para o problema discutido no texto.
Segundo a Cartilha do Participante 2026, do Inep, uma proposta muito bem elaborada reúne cinco elementos:
- agente;
- ação;
- modo ou meio;
- efeito ou finalidade;
- detalhamento.
Nos comentários das redações publicadas na cartilha, os avaliadores conferem esses cinco itens em cada proposta.
Ação
A ação é o que deve ser feito para enfrentar o problema. A cartilha a aponta como o elemento central da proposta.
Agente
O agente é quem vai executar a ação. A cartilha pede um agente social competente, de acordo com o âmbito da ação escolhida, que pode ser individual, familiar, comunitário, social, político ou governamental. Assim, o agente pode ser um ministério, a escola, a família ou a mídia, por exemplo.
Modo ou meio
O modo ou meio explica como a ação será colocada em prática. Nas redações publicadas pela cartilha, esse elemento costuma aparecer com expressões como “por meio de” e “mediante”.
Efeito ou finalidade
O efeito ou finalidade é o resultado que a ação pretende alcançar. Nas redações publicadas pela cartilha, ele aparece com expressões como “a fim de”, “com o objetivo de” e “visando”.
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Por fim, o detalhamento é uma informação extra sobre qualquer um dos outros quatro elementos. Segundo a cartilha, pode ser uma explicação ou um exemplo, como a função de um órgão citado como agente.
As seis perguntas para montar a proposta
Para chegar a esses elementos, a cartilha sugere que o candidato responda a seis perguntas:
- O que é possível apresentar como solução para o problema?
- Que ação deve ser tomada para que a solução seja alcançada?
- Quem deve executá-la?
- Como viabilizar essa solução?
- Qual efeito ela pode alcançar?
- Que outra informação pode ser acrescentada para detalhar a proposta?
Proposta completa, incompleta e constatação na prática
Para entender a diferença entre os tipos de proposta, veja três versões do mesmo parágrafo final. Os exemplos foram criados pela equipe do Blog Pensar Cursos. Eles usam o tema do Enem 2025, sobre o envelhecimento na sociedade brasileira, que aparece em toda a cartilha.
Versão completa:
Portanto, o Ministério da Saúde, órgão responsável pelas políticas públicas de saúde, deve ampliar o acompanhamento domiciliar da população acima de 60 anos, por meio de parcerias com as Unidades Básicas de Saúde, a fim de reduzir o isolamento e garantir cuidado contínuo a esse público.
Versão incompleta:
Portanto, é preciso que algo seja feito para valorizar os idosos no Brasil.
Versão de constatação:
Portanto, faltam políticas públicas voltadas aos idosos no Brasil.
A tabela mostra quais elementos aparecem em cada versão:
| Elemento | Proposta completa | Proposta incompleta | Constatação |
|---|---|---|---|
| Agente | Ministério da Saúde | Não tem | Não tem |
| Ação | Ampliar o acompanhamento domiciliar de pessoas acima de 60 anos | Vaga (“algo seja feito”) | Não tem |
| Modo ou meio | Parcerias com as Unidades Básicas de Saúde | Não tem | Não tem |
| Efeito ou finalidade | Reduzir o isolamento e garantir cuidado contínuo | Genérico (“valorizar os idosos”) | Não tem |
| Detalhamento | Função do ministério (“órgão responsável pelas políticas públicas de saúde”) | Não tem | Não tem |
Na versão incompleta, a frase não diz quem deve agir, o que fazer de forma concreta nem como fazer. Esse tipo de frase corresponde ao que a cartilha chama de proposta vaga ou genérica.
Já a constatação apenas registra que algo falta, sem indicar nenhuma ação, como no exemplo da própria cartilha, “faltam investimentos em x”.
Uma das redações publicadas na cartilha usa uma estrutura parecida com a da versão completa.
Nela, o Ministério da Saúde aparece como “órgão responsável por fiscalizar e promover políticas públicas relacionadas à saúde”, que deve ampliar os atendimentos à população idosa “por meio de investimentos”.

Por que constatar não é o mesmo que propor
A cartilha dedica um trecho à diferença entre os dois verbos. Propor é apresentar ou recomendar uma medida a ser realizada. Constatar, por outro lado, é apenas reconhecer que uma situação existe.
Desse modo, a proposta olha para o futuro e indica o que deve ser feito para mudar a realidade. A constatação, por sua vez, só descreve o problema.
Além disso, a cartilha alerta para as frases condicionais, como “se x for feito, o resultado poderá ser y”. Esse tipo de estrutura não deixa claro que o candidato está, de fato, propondo uma intervenção.
O que reduz a nota na Competência V
A Competência V vale até 200 pontos. A cartilha não divide a nota por elemento: segundo o documento, o texto é avaliado com base na composição da proposta como um todo, em seis níveis:
- 200 pontos: proposta muito bem elaborada, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão do texto;
- 160 pontos: proposta bem elaborada, relacionada ao tema e articulada ao texto;
- 120 pontos: proposta mediana, relacionada ao tema e articulada ao texto;
- 80 pontos: proposta insuficiente ou que não se articula com a discussão desenvolvida;
- 40 pontos: proposta vaga, precária ou relacionada apenas ao assunto geral;
- 0 ponto: ausência de proposta ou proposta sem relação com o tema ou o assunto.
Há ainda duas situações que limitam a nota de forma direta. A primeira é o desrespeito aos direitos humanos, que leva à nota zero na Competência V. Como exemplos, a cartilha cita a defesa de tortura, de “justiça com as próprias mãos” e qualquer discurso de ódio.
A segunda é o tangenciamento, quando o texto aborda o tema só de forma parcial. Nesse caso, a redação não recebe mais de 40 pontos nas Competências II, III e V.
Como montar o parágrafo de conclusão com a proposta
A cartilha não obriga o candidato a colocar a proposta no fim do texto. No entanto, todas as dez redações publicadas no documento trazem a proposta no parágrafo de conclusão. Para montar esse parágrafo, siga esta ordem:
- Abra com um conectivo de conclusão, como “Portanto” ou “Enfim”, citados na cartilha.
- Retome, em uma frase, o problema discutido no texto.
- Apresente o agente e a ação.
- Indique o modo ou meio, com expressões como “por meio de” ou “mediante”.
- Feche com o efeito ou finalidade, usando “a fim de” ou “com o objetivo de”.
- Encaixe o detalhamento em qualquer ponto, por exemplo, logo após o agente.
Depois de escrever, vale reler o parágrafo com as seis perguntas da cartilha. Assim, fica mais fácil conferir se cada elemento está presente e se a proposta conversa com os argumentos do texto.
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