Os candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 farão a redação no primeiro dia de prova, em 8 de novembro. Até lá, diversos assuntos ganham destaque como possíveis temas e podem orientar a preparação dos estudantes.
Por isso, a preparação para a redação vai além de acompanhar as notícias. O estudante precisa desenvolver repertório sociocultural, compreender diferentes aspectos de cada problema e construir argumentos capazes de sustentar uma proposta de intervenção viável e coerente.
A redação do Enem exige análise crítica, respeito aos direitos humanos e capacidade de apresentar soluções para desafios presentes na realidade brasileira. A seguir, confira alguns temas da redação para revisar antes da prova.
Mudanças climáticas e desastres ambientais
As enchentes registradas no Rio Grande do Sul e os danos ambientais na Amazônia ampliaram as discussões sobre justiça climática, prevenção de desastres e apoio às comunidades atingidas. Diante desse cenário, possíveis temas de redação podem abordar medidas de proteção ambiental, reconstrução de áreas afetadas e redução dos riscos provocados por eventos extremos.
O debate também envolve a forma desigual como as mudanças climáticas atingem diferentes grupos sociais, principalmente aqueles que vivem em regiões mais vulneráveis. Entre os caminhos discutidos estão o planejamento urbano, a adaptação das cidades e o fortalecimento das ações da Defesa Civil.
Para desenvolver o tema, o estudante pode reunir conhecimentos sobre preservação dos biomas, recuperação de áreas degradadas e continuidade das políticas ambientais, além da atuação conjunta entre pesquisadores, órgãos públicos e equipes de prevenção e resposta a desastres.
Como o ambiente digital afeta crianças e adolescentes
A segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital tem ganhado espaço nos debates públicos, especialmente diante de problemas como cyberbullying, anúncios direcionados e uso inadequado de dados pessoais. Nesse contexto, novas regras e propostas legislativas buscam ampliar a responsabilidade das plataformas e incentivar a formação digital dos estudantes.
Com base em normas como o Marco Civil da Internet e em discussões regulatórias mais recentes, algumas medidas incluem mecanismos de confirmação de idade, maior proteção das informações dos usuários e canais mais simples para denunciar situações de assédio, abuso e exploração no meio virtual.
Principais abordagens
- Orientação de pais e responsáveis para acompanhar o uso de celulares, redes sociais e outras tecnologias;
- Prevenção ao cyberbullying, ao assédio e a outras formas de violência no ambiente virtual, com canais de apoio e denúncia;
- Inclusão de conteúdos sobre cidadania digital e análise crítica das informações no ambiente escolar;
- Medidas para reduzir os efeitos do tempo excessivo diante das telas sobre o bem-estar emocional;
- Adoção de mecanismos mais seguros para proteger informações pessoais e confirmar a idade dos usuários;
- Maior participação das plataformas no controle de conteúdos inadequados e na transparência dos sistemas de recomendação.
Destaques das políticas para inclusão de alunos com altas habilidades e neurodivergentes
Entrou em vigor a Lei nº 15.436, que obriga o mapeamento, a capacitação docente e o atendimento educacional especializado para estudantes superdotados, incluindo identificação precoce e flexibilização curricular. A lei também regula o reconhecimento da dupla excepcionalidade, como associação de altas habilidades com TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH ou dislexia, prevendo apoio socioemocional e formação continuada das equipes escolares.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Pessoas com autismo, TDAH e dislexia dependem de adaptação das avaliações, metodologia e espaços escolares. O acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento interdisciplinar deve ser oferecido igualmente em todo o território nacional, segundo determinações do Ministério da Educação (MEC).
Direito à vida e à educação: desafios enfrentados pela juventude das periferias
A juventude que vive nas periferias brasileiras enfrenta desafios relacionados à violência, à interrupção dos estudos e à dificuldade de acesso ao mercado de trabalho. Jovens negros estão entre os mais afetados por essas desigualdades, que também envolvem diferenças territoriais, falta de equipamentos públicos e maior exposição ao aliciamento pelo crime organizado.
A discussão sobre esse cenário pode abordar medidas de prevenção à violência, ampliação do acesso ao ensino técnico e ao primeiro emprego, criação de espaços de esporte, cultura e lazer e oferta de apoio à saúde mental. Também entram no debate a participação dos jovens nas decisões públicas e a integração entre políticas de educação, segurança, trabalho e redução das desigualdades.
Promoção da alfabetização plena: desafios e caminhos
A queda nos índices de analfabetismo representa um avanço importante, mas não garante, por si só, que toda a população tenha domínio suficiente da leitura e da escrita para compreender textos, interpretar dados ou avaliar informações presentes no cotidiano. Esse desafio também aparece no uso de conteúdos digitais, documentos públicos e materiais científicos.
A alfabetização plena está ligada à capacidade de compreender informações, tomar decisões com mais autonomia e participar de diferentes espaços da sociedade. Por isso, ampliar o acesso a uma formação de qualidade contribui para melhorar as oportunidades profissionais, o exercício da cidadania e a participação social.
Construção de confiança na ciência e enfrentamento à desinformação
A circulação de informações falsas sobre vacinas, tratamentos e pesquisas científicas pode influenciar escolhas individuais e prejudicar ações de saúde pública. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar a educação científica, facilitar o acesso a dados confiáveis e tornar a comunicação sobre ciência mais clara para diferentes públicos.
O debate também envolve a atuação de universidades, profissionais de saúde, imprensa, órgãos públicos e plataformas digitais no enfrentamento à desinformação. Medidas como transparência na divulgação de riscos, valorização das instituições de pesquisa e aproximação entre ciência e sociedade podem contribuir para fortalecer a confiança da população em informações baseadas em evidências.

Imagem: Blog Pensar Cursos
Como se preparar? Veja estratégias
A recomendação das principais bancas avaliadoras é que os candidatos realizem simulações com temas de atualidade e fundamentem sempre seus argumentos em dados oficiais, discutindo causas, impactos e propondo intervenções que respeitem a Constituição Federal.
Praticar interpretações de gráficos, analisar consequências sociais e demonstrar conhecimento sobre legislações recentes são pontos que diferenciam textos com notas máximas.
- Prática regular de redações com limite de tempo.
- Construção de repertório a partir de notícias verificadas e fontes oficiais.
- Desenvolvimento de propostas de intervenção objetivas e viáveis.
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