A língua portuguesa reserva casos em que o macho e a fêmea de um mesmo animal recebem nomes sem nenhuma semelhança entre si.
Não se trata de apelido regional nem de linguagem informal: são formas registradas em dicionário e, muitas vezes, cobradas em prova. Confira, a seguir, quais são esses animais e o que a gramática diz sobre eles.
Os 6 animais que mudam de nome conforme o gênero
Nos cinco primeiros pares abaixo, a palavra do feminino não guarda relação nenhuma com a do masculino. No sexto, a mudança segue uma lógica diferente, explicada mais adiante.
Veja:
| Masculino | Feminino |
|---|---|
| PALAVRAS DE ORIGENS DIFERENTES | |
| boi | vaca |
| cavalo | égua |
| carneiro | ovelha |
| bode | cabra |
| zangão | abelha |
| — | — |
| FEMININO IRREGULAR | |
| jabuti | jabota |
O caso do jabuti, que segue outra regra
O jabuti entra na lista porque o feminino também surpreende quem nunca ouviu falar, mas a classificação não é a mesma dos cinco anteriores.
A fêmea do “jabuti” é a “jabota”, forma registrada nos dicionários como feminino irregular. Aqui existe parentesco entre as palavras, já que o radical se mantém e apenas a terminação sofre alteração fora do padrão.
Por que a palavra muda por completo
Nos substantivos heterônimos, masculino e feminino vêm de palavras de origens distintas, e não da troca de uma terminação.

A diferença fica clara na comparação. Em “gato” e “gata”, o radical continua o mesmo e só a vogal final muda. Já em “boi” e “vaca” não há nada em comum: são dois vocábulos independentes, que a língua herdou por caminhos separados e depois passou a usar como par.
O erro que muita gente comete com outros bichos
Existe uma armadilha frequente: aplicar essa lógica a animais que simplesmente não têm forma feminina própria.
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ENTRAR NOS GRUPOS →“Jacaré”, “cobra”, “onça”, “tatu” e “crocodilo” pertencem a outro grupo, o dos substantivos epicenos. Neles, a palavra é invariável e o sexo do animal só aparece com o acréscimo de macho ou fêmea. Por isso se escreve “a cobra macho”, “o jacaré fêmea”, “a onça macho”. Inventar formas como “jacaroa” ou “cobro” é erro, porque a língua não registra esses vocábulos.
Voltando aos pares como “boi”e “vaca”, na prática, o cuidado maior é com a concordância. Como as duas palavras são independentes, tudo o que acompanha o substantivo precisa acompanhar o gênero dele.
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