“Fazer vista grossa” significa perceber uma irregularidade ou erro e, de forma deliberada, decidir não agir ou fingir que não viu, deixando a situação sem consequência.
Essa expressão traduz uma atitude de tolerância intencional diante de algo indevido. O termo aparece em registros da língua portuguesa desde o século XIX e faz parte do cotidiano, principalmente quando alguém opta por não intervir, mesmo podendo corrigir o problema.
Trata-se de um comportamento com impactos em diversos contextos, principalmente institucionais e sociais. Veja mais!
O que significa “fazer vista grossa” na prática?
Quando alguém percebe uma irregularidade, um erro ou uma situação que deveria ser corrigida, mas decide de propósito não agir, diz-se que a pessoa “fez vista grossa”. A ideia central está na consciência do ato: não se trata de uma distração ou falta de percepção, mas sim de alguém que opta, intencionalmente, por manter-se inerte quando poderia agir.
Alguns exemplos ajudam a compreender o significado:
- Um chefe identifica que um funcionário descumpriu uma regra, mas decide não aplicar nenhuma medida;
- Uma autoridade percebe uma prática irregular e opta por não agir;
- Uma pessoa presencia um problema, mas prefere ignorá-lo para evitar conflitos.
Nesses casos, “fazer vista grossa” representa uma escolha de não enxergar uma situação que está diante dos olhos.
A origem associada ao almirante Horatio Nelson
Uma das histórias mais conhecidas relacionadas à ideia de ignorar algo de propósito envolve o almirante britânico Horatio Nelson, durante a Batalha de Copenhague, em 1801.
Segundo relatos tradicionais, Nelson teria recebido uma ordem para interromper o ataque. Como havia perdido a visão de um dos olhos, ele teria colocado a luneta no olho cego e afirmado que não conseguia ver o sinal de recuo, continuando a batalha.
A história ficou famosa por representar a ideia de ignorar deliberadamente uma informação inconveniente. No entanto, essa narrativa está principalmente associada à expressão inglesa “turn a blind eye” (“fechar um olho”) e não há comprovação de que seja a origem direta da expressão portuguesa “fazer vista grossa”.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Em português, registros históricos mostram que a expressão já era utilizada no século XIX, com sentido semelhante ao empregado atualmente. Portanto, a história envolvendo Horatio Nelson é uma explicação popular e bastante conhecida, mas não deve ser apresentada como a origem comprovada da expressão “fazer vista grossa”.
Por que “grossa”? O sentido e a construção da metáfora
A expressão “fazer vista grossa” está relacionada a uma metáfora ligada ao ato de enxergar. Na língua portuguesa, a palavra “vista” representa tanto o sentido físico da visão quanto a capacidade de perceber algo. Já o termo “grossa”, originado do latim grossus, pode transmitir a ideia de algo espesso, pouco preciso ou sem detalhamento.
A combinação dos termos cria a imagem de uma pessoa que não é literalmente cega, mas que age como se sua percepção estivesse limitada para não reconhecer uma situação inconveniente. Assim, quem faz vista grossa não deixa necessariamente de ver, mas escolhe comportar-se como se não tivesse percebido.

A expressão “fazer vista grossa” já era usada no século XIX
Registros históricos indicam que a expressão “fazer vista grossa” já circulava em Portugal e no Brasil desde o século XIX. Há registros literários do período, como uma obra de António Maria de Sousa Lobo, publicada em 1842, que apresenta a expressão em um sentido semelhante ao utilizado atualmente.
Além da literatura, documentos oficiais no Brasil do século XIX relatam o uso da expressão em contextos como o comércio ilegal de baleeiros ingleses. À época, governos sabiam das infrações, mas preferiam ignorar certos pontos para atender necessidades maiores, evidenciando a permanência e o significado social do termo.
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