O feminino de pardal não se forma com a simples troca da letra final, como acontece em “gato” e “gata”. Os dicionários da língua portuguesa registram mais de uma palavra para indicar a fêmea dessa ave, e todas são aceitas pela norma culta.
A dúvida faz parte do conteúdo de gênero dos substantivos, assunto cobrado em concursos públicos, vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Confira, a seguir, quais são as formas femininas de pardal, como cada uma é formada e o que diferencia essa palavra de outros nomes de animais.
Quais são as formas femininas registradas nos dicionários
A fêmea do pardal pode ser chamada de pardoca, pardaloca, pardeja ou pardaleja. As quatro palavras são registradas em dicionários da língua portuguesa e podem ser usadas sem erro em textos formais e informais.
Na prática, não existe uma forma certa e outras erradas. A escolha fica a critério de quem escreve, desde que a palavra seja usada no feminino, acompanhada de artigo e adjetivos também femininos.
Por exemplo, o correto é escrever “a pardoca assustada”, e não “o pardoca assustado”. A mesma regra vale para as outras três formas, tanto no singular quanto no plural, como em “as pardalejas cinzentas”.
Veja como cada forma fica no singular, no plural e em uma frase de exemplo:
| Forma feminina | Plural | Exemplo de uso |
|---|---|---|
| Pardoca | pardocas | A pardoca levou gravetos para o ninho no beiral. |
| Pardaloca | pardalocas | Duas pardalocas disputavam as migalhas na calçada. |
| Pardeja | pardejas | A pardeja alimentava os filhotes logo cedo. |
| Pardaleja | pardalejas | As pardalejas pousaram juntas no fio do poste. |
Por que o pardal tem quatro femininos diferentes
A explicação está na formação das palavras. As quatro formas combinam duas bases com dois sufixos: a base curta “pard” e a base completa “pardal”, unidas às terminações “oca” e “eja”.

Da base curta surgem “pardoca” (pard + oca) e “pardeja” (pard + eja). Da base completa surgem pardaloca (pardal + oca) e pardaleja (pardal + eja). Entender essa lógica ajuda a memorizar as quatro opções sem decorar uma lista solta.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Como masculino e feminino partem do mesmo radical, pardal é classificado como substantivo biforme, ou seja, tem uma forma para o macho e outra para a fêmea.
O que diferencia o pardal de outros nomes de animais
Muitos animais têm uma única palavra para os dois sexos. São os chamados substantivos epicenos, como onça, jacaré, cobra e águia. Nesses casos, a distinção é feita com as palavras macho e fêmea: a onça macho, o jacaré fêmea.
Com o pardal, esse recurso não é necessário, já que a língua oferece palavras próprias para a fêmea. Mesmo assim, a expressão “pardal fêmea” aparece com frequência na fala cotidiana, por desconhecimento das formas registradas.
Em provas e textos formais, o mais indicado é usar uma das quatro palavras próprias. Isso demonstra domínio do vocabulário e evita que a construção seja interpretada como imprecisa pela banca.
Pardal também não é um caso de substantivo heterônimo
Outro ponto que costuma gerar confusão é a comparação com os heterônimos. Nessa categoria, masculino e feminino têm radicais totalmente diferentes, como bode e cabra, cavalo e égua ou zangão e abelha. Nesses pares, não há relação visível entre as duas palavras.
O pardal não se encaixa nesse grupo, porque suas formas femininas mantêm a mesma raiz da palavra masculina. Essa diferença pode ser justamente o detalhe explorado em uma questão de múltipla escolha.
Uma forma simples de revisar o conteúdo é separar os nomes de animais em três grupos: biformes, como pardal e pardoca; heterônimos, como bode e cabra; e epicenos, como onça e jacaré. Com essa divisão, fica mais fácil identificar a regra cobrada em cada questão.
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