Grifar o texto tem baixa utilidade como técnica de estudo, segundo revisão de 2013 feita por cinco pesquisadores. O trabalho saiu no periódico Psychological Science in the Public Interest, assinado por John Dunlosky, Katherine Rawson, Elizabeth Marsh, Mitchell Nathan e Daniel Willingham, e está disponível nesta cópia do artigo.
No mesmo trabalho, perguntar a si mesmo por que uma informação é verdadeira ficou um degrau acima, com utilidade moderada. A troca do marca-texto pela pergunta não pede material extra e pode ser testada já na revisão para o Enem, o vestibular ou o concurso.
Como transformar o que você grifaria em perguntas
O nome técnico é interrogação elaborativa. Na definição dos autores, o estudante explica por que um fato ou conceito apresentado de forma explícita é verdadeiro. Em vez de pintar a frase, você escreve a pergunta na margem e tenta respondê-la sem olhar.
Veja o exercício com três frases que costumam ganhar cor no material de revisão:
| Frase que você grifaria | Pergunta que substitui o grifo |
|---|---|
| As plantas fazem fotossíntese nos cloroplastos. | Por que nos cloroplastos, e não em outra parte da célula? |
| O ferro enferruja mais rápido em ambiente úmido. | Por que a umidade acelera a ferrugem? |
| A Revolução Industrial começou na Inglaterra. | Por que lá, e não em outro país da Europa? |
Repare no formato da última pergunta. Nos estudos analisados, um modelo comum de comando era “por que esse fato seria verdadeiro para este X e não para outro X?”. A comparação leva você a procurar a causa da informação.
Se a resposta não vier, volte ao livro. A releitura ganha um objetivo: achar a explicação que faltou.
Por que grifar o texto rende pouco, segundo a revisão
Os autores reconhecem que técnicas como grifar agradam aos estudantes porque são simples de usar. Nos resultados, porém, a maior parte dos estudos não encontrou benefício em grifar, do jeito como costuma ser feito, além do que se obtém só lendo.
A avaliação final do trabalho diz que, na maioria das situações examinadas, grifar pouco ajuda no desempenho. Pode ajudar quando o estudante já tem conhecimento para escolher melhor o que marcar ou quando o texto é difícil. Também pode atrapalhar em tarefas de nível mais alto, que exigem fazer inferências.
Para o futuro, os autores sugerem pesquisas sobre como ensinar os alunos a grifar de forma eficaz.
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A classificação que pôs grifar o texto na faixa baixa considerou se os benefícios se repetem em diferentes condições de aprendizagem, perfis de estudantes, materiais e tipos de prova.
| Utilidade | Técnica |
|---|---|
| Alta | Prática de testes (autoteste) e prática distribuída (revisão espaçada) |
| Moderada | Interrogação elaborativa, autoexplicação e prática intercalada |
| Baixa | Resumo, grifar ou sublinhar, palavra-chave mnemônica, imagens mentais para texto e releitura |
Duas técnicas da faixa alta já ganharam guia próprio no blog: o autoteste no lugar da releitura e o calendário de revisão espaçada até o Enem. A prática intercalada aparece no texto sobre o experimento que misturou tipos de exercício.
Perguntar por quê ou explicar o passo: qual a diferença
A autoexplicação, vizinha da interrogação elaborativa na faixa moderada, tem outro foco. Nela, o estudante explica como a informação nova se liga ao que já sabe, ou descreve cada passo que deu ao resolver um problema.
- Interrogação elaborativa: foi testada sobretudo com fatos isolados de conteúdo. Pergunta central: por que isso é verdade?
- Autoexplicação: combina com resolução de exercícios, como uma questão de Matemática ou Física. Pergunta central: o que eu fiz aqui e por quê?
Dá para usar as duas no mesmo dia. Na leitura da teoria, perguntas sobre a causa; na lista de exercícios, a narração do raciocínio em voz baixa ou no caderno.
Limites da técnica de perguntar por quê
A nota moderada vem acompanhada de três restrições apontadas pelos próprios autores:
- Os efeitos crescem conforme o conhecimento prévio aumenta. Quem sabe pouco do assunto tende a aproveitar menos.
- A técnica foi aplicada sobretudo a unidades isoladas de informação factual. Ainda há dúvidas sobre o uso em materiais mais longos.
- Poucos estudos foram feitos fora do laboratório, e os autores pedem mais pesquisa em contextos educacionais reais.
A revisão considera a exigência de tempo relativamente razoável e registra efeitos em estudantes desde as séries finais do ensino elementar, na classificação escolar dos Estados Unidos. Como o conhecimento prévio pesa, faz sentido aplicar a técnica primeiro aos temas que você já estudou ao menos uma vez.
Mais orientações estão reunidas na tag dicas de estudo e no texto sobre métodos de revisão para provas.
Fontes consultadas
- Dunlosky, J.; Rawson, K. A.; Marsh, E. J.; Nathan, M. J.; Willingham, D. T. Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology. Psychological Science in the Public Interest, v. 14, n. 1, p. 4-58, 2013. Cópia hospedada no servidor da Universidade Carolina (República Tcheca), consultada em 27/10/2026: acessar o artigo.


















