Grifar o texto inteiro para estudar recebeu a classificação de baixa utilidade em uma revisão publicada em 2013 na revista Psychological Science in the Public Interest. O trabalho é assinado por John Dunlosky e colegas e avaliou 10 técnicas de aprendizagem, entre elas grifar, reler, fazer resumos e praticar com testes.
A nota baixa, porém, vem com um detalhe que muda a leitura: o problema apontado não é o marca-texto em si, mas o hábito de usá-lo como única estratégia. Neste texto você vê o que a revisão concluiu, o que ela não diz e qual substituição os autores sugerem.
O que a revisão de 2013 classificou como baixa utilidade
Segundo o resumo da revista, cinco técnicas receberam avaliação de baixa utilidade: resumir, grifar (ou sublinhar), a palavra-chave mnemônica, o uso de imagens para aprender textos e reler. Os autores explicam que a classificação tem vários motivos e que ela é relativa, ou seja, compara uma técnica com as outras.
A mesma publicação aponta que a maioria dos estudantes relata reler e grifar. Para os autores, essas práticas não melhoram o desempenho de forma consistente, e por isso outras técnicas deveriam ocupar o lugar delas.
O que se faz e o que a pesquisa indica
| O que se faz | O que a pesquisa indica |
|---|---|
| Grifar o capítulo todo | Utilidade baixa na revisão de 2013 |
| Reler várias vezes | Utilidade baixa na mesma revisão |
| Fazer testes de prática | Técnica citada como substituta da releitura |
| Espaçar as sessões | Entre as de maior utilidade na revisão |
A classificação de testes de prática e estudo distribuído como de alta utilidade consta na descrição do estudo com estudantes de Medicina, que resume as categorias de Dunlosky e colegas.
Qual troca os autores sugerem
O próprio Dunlosky, em declaração divulgada pela Associação para a Ciência Psicológica, disse ter ficado surpreso com o pouco benefício de reler e grifar. Para ele, trocar a releitura por prática de recuperação tardia já traria ganho aos estudantes.
Na prática, isso significa fechar o material depois de um tempo e tentar lembrar o conteúdo por conta própria, com perguntas ou questões, em vez de passar os olhos de novo pelas mesmas linhas. A revisão fala em técnica, e não em receita individual: cada pessoa, matéria e prova pode pedir um ajuste.
Então grifar está proibido?
Não. A revisão de 2013 avalia utilidade relativa e não afirma que grifar não serve para nada. Um resumo do trabalho observa que talvez seja mais fácil descobrir formas de usar a técnica bem do que convencer os estudantes a abandoná-la por completo. Em termos simples, grifar pouco, só o que é central, e usar o grifo como ponto de partida para um teste pode ser mais razoável do que pintar a página inteira.
Uma ressalva importante: a pauta original previa citar uma meta-análise mais recente, de 2021, com um valor específico de efeito para o ato de sublinhar. Esse dado não foi confirmado na fonte primária durante a preparação deste texto, e por isso ele não aparece aqui. Também não foi possível checar se existe estudo ainda mais novo sobre a mesma pergunta. Quem quiser aprofundar deve procurar a publicação original nas bases científicas.
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- Grife menos: marque só definições, datas e conceitos que você teria dificuldade em lembrar.
- Feche o material: depois de um intervalo, escreva o que lembra antes de olhar de novo.
- Use questões: resolva exercícios do assunto e volte ao texto apenas para corrigir.
- Espace as sessões: distribuir o estudo em dias diferentes aparece na revisão como estratégia de alta utilidade.
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Os resultados de pesquisas em psicologia da aprendizagem descrevem tendências em grupos de estudantes e não garantem o mesmo efeito para cada pessoa. Se você tem dificuldade persistente de aprendizagem, procure orientação de um profissional de educação ou de saúde.














