A dispensa da entrevista domiciliar vale apenas para as famílias unipessoais, ou seja, pessoas que moram sozinhas e formam sozinhas o próprio núcleo familiar no Cadastro Único (CadÚnico).
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) publicou a nova regra na Portaria MDS nº 1.199/2026, que tem prazo definido: vale até julho de 2027.
Confira, a seguir, o que muda na prática, quem continua obrigado a passar pela entrevista e por que o cadastro segue indispensável para acessar benefícios sociais.
O que muda para quem mora sozinho
Antes, a entrevista domiciliar funcionava como etapa de validação do cadastro. Agora, para as famílias unipessoais, a ausência dessa visita não pode mais barrar três situações:
- A inscrição no CadÚnico;
- A atualização cadastral;
- A manutenção de benefícios já concedidos.
Na prática, quem mora sozinho não perde o Benefício de Prestação Continuada (BPC) nem o Bolsa Família apenas porque a entrevista domiciliar não aconteceu.
A mudança atinge um perfil que cresceu bastante no cadastro nos últimos anos, segundo dados do MDS, e que costumava enfrentar exigências extras justamente por morar sem outras pessoas.
Quem continua obrigado a fazer a entrevista
A dispensa não é geral. O MDS manteve a exigência em dois casos.
O primeiro é o ingresso no Bolsa Família. Quem quer entrar no programa segue passando pela entrevista domiciliar, mesmo que forme família unipessoal.
O segundo é a averiguação cadastral. Trata-se do procedimento aplicado a famílias cujo cadastro apresenta indícios de irregularidade. Nesses casos, a visita continua sendo parte da checagem.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Ou seja, a nova regra alivia a exigência para manter e atualizar o cadastro, mas não elimina a verificação onde ela cumpre função de controle.
Uma regra com data para acabar
A medida é temporária. A partir de agosto de 2027, a entrevista domiciliar volta a ser obrigatória para as famílias unipessoais, com as exceções que o ministério vier a regulamentar.
Isso significa que quem se inscrever ou atualizar o cadastro nesse intervalo deve acompanhar as orientações do MDS, porque a exigência retorna depois do prazo.
O que é uma família unipessoal
No CadÚnico, o conceito de família não se limita a laços de parentesco. Ele considera o grupo de pessoas que vive no mesmo domicílio e divide despesas.
Quando alguém mora sozinho e se sustenta com a própria renda, esse cadastro é registrado como família unipessoal. A pessoa é, ao mesmo tempo, a responsável familiar e a única integrante do grupo.
Esse formato exige atenção redobrada do poder público, porque é mais difícil confirmar a composição declarada. Daí a existência de regras específicas para esse perfil.

Para que serve o Cadastro Único
O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal existe desde 2001. Ele reúne informações sobre famílias em situação de pobreza e extrema pobreza e funciona como a principal porta de entrada para os benefícios sociais no país.
Estar inscrito é condição para acessar programas federais como o Bolsa Família, o BPC, a Tarifa Social de Energia Elétrica e a isenção de taxa em concursos públicos, entre outros.
O alcance não para na esfera federal. Estados e municípios também usam o cadastro como critério para programas locais, o que amplia a importância de manter os dados corretos e atualizados.
Há ainda um uso emergencial. Pessoas atingidas por desastres naturais, como enchentes e rompimento de barragens, precisam estar no CadÚnico para acessar fundos de apoio à população afetada.
Como fazer a inscrição ou atualizar os dados
A inscrição no CadÚnico acontece presencialmente, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município ou no posto de atendimento indicado pela prefeitura.
O responsável familiar precisa levar documento oficial com foto e CPF. Nas famílias com mais integrantes, também é necessário apresentar documentação de cada pessoa do grupo.
A atualização cadastral deve ser feita sempre que houver mudança de endereço, de renda ou na composição da família. Independentemente de alterações, o cadastro precisa ser revisado a cada dois anos para não ficar desatualizado.
Quem já está inscrito consegue consultar a situação pelo aplicativo Cadastro Único, disponível para celulares Android e iOS.
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