Estudar a distância no Brasil começou pelo correio, em 1904, muito antes da internet.
O registro está no artigo “EaD brasileira é marcada por união com meios de comunicação”, de Romulo Augusto Orlandini, publicado em 10 de setembro de 2012 na revista ComCiência. O texto divide a história em fases: primeiro a carta, depois o rádio e a televisão e, mais tarde, o computador.
Os primeiros cursos por correspondência no Brasil
A data vem dos pesquisadores Patrícia Torres e João Vianney, da Universidade de Brasília (UnB), citados no artigo. Naquele início de século, instituições privadas ofereciam cursos técnicos por correspondência. O autor chama esse modelo de primeira geração da educação a distância (EaD) brasileira. Antes de chegar aqui, a novidade já tinha sido testada na Suécia, nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Canadá.
Em 1939, o Instituto Monitor oferecia cursos livres de iniciação profissional. No mesmo ano, a Marinha também usava o ensino por correspondência. Dois anos depois foi criado o Instituto Universal Brasileiro.
Como funcionava o estudo a distância pelo correio
Os anúncios do Instituto Universal Brasileiro apareciam com frequência em gibis e revistas populares. Entre as opções estavam supletivo de 1º e 2º graus, auxiliar de administração de empresas, corte e costura, secretariado moderno, mecânica geral e mecânica de automóveis.
O artigo descreve esse modelo como um processo solitário de estudo, feito com livros impressos autoexplicativos, de linguagem simples. Prazos, forma de correção, preço e número de alunos desses cursos não aparecem no texto.
Com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o autor lembra que o país iniciou o século XX com 65,1% da população com mais de 15 anos analfabeta. Em 1940 havia só 3,3 milhões de estudantes no primário e no secundário, o equivalente a 21% dos 15,5 milhões de brasileiros que tinham entre 5 e 19 anos.
Rádio educativo: de Roquette-Pinto ao Projeto Minerva
Para Terezinha Saraiva, coordenadora de Programas Sociais da Fundação Cesgranrio e estudiosa do tema, um marco inicial foi a criação, por Roquette-Pinto, da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, entre 1922 e 1925.
Segundo o artigo, os primeiros passos firmes da EaD vieram pelo rádio. Em 1970, o Projeto Minerva foi ao ar pela Rádio MEC, antiga Rádio Roquette Pinto, e milhares de pessoas fizeram estudos básicos com ele.
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ENTRAR NOS GRUPOS →A televisão e os telecursos
A modalidade ganhou corpo em 1960, com a chegada dos recursos da televisão. Era o início da segunda geração. Em 1965 começaram as TVs educativas, que deram origem aos telecursos.
A linha do tempo publicada com o artigo lista outras iniciativas da época:
| Ano | Iniciativa |
|---|---|
| 1967 a 1974 | Projeto Saci, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), usa satélite doméstico para transmitir imagens |
| 1969 | Televisão Educativa do Maranhão oferece ensino de 5ª a 8ª séries |
| 1973 | Projeto Logos capacita professores leigos com material impresso, organizado em módulos |
| 1976 | Sistema Nacional de Teleducação, mantido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) |
| 1978 | Telecurso 2º Grau, parceria entre a Fundação Padre Anchieta e a Fundação Roberto Marinho |
| 1979 | Cursos livres na UnB, em parceria com a The Open University |
O que a lei dizia sobre estudar a distância
A Reforma Capanema, de 1942, foi a primeira legislação a reconhecer a validade dos estudos feitos a distância. Mesmo assim, a modalidade só entrou nas políticas públicas com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996.
Naquele ano, a EaD teve a validade reconhecida para todos os níveis de ensino, e foi criada a Secretaria de Educação a Distância (Seed). Em 1999, o Ministério da Educação (MEC) iniciou o credenciamento de instituições de ensino superior para a modalidade. O Decreto 5.622, de 2005, passou a exigir momentos presenciais para avaliação.
Quem pensa em fazer graduação a distância encontra as regras atuais no guia novas regras do ensino a distância: o que conferir antes de se matricular.
Quando o computador mudou o ensino a distância
Para o autor, a revolução computacional marcou a entrada na terceira fase. Em 1995 foi criado o LED, laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que desenvolveu a metodologia e os sistemas dos primeiros cursos de especialização e de mestrado com internet e videoconferência.
Hoje a mesma lógica de levar a aula até o aluno aparece em cursos livres, técnicos e de pós-graduação, como as especializações presenciais e a distância de institutos federais. Outros textos sobre o tema estão reunidos na tag educação a distância.
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Fontes consultadas
- ORLANDINI, Romulo Augusto. EaD brasileira é marcada por união com meios de comunicação. ComCiência, nº 141, Campinas, 10 set. 2012. Inclui linha do tempo baseada em Torres & Vianney e em Terezinha Saraiva. Ler o artigo em PDF. Consultado em 23/10/2026.


















