Levantamento com estudantes de 74 instituições públicas e privadas também aponta sintomas de ansiedade em metade dos participantes.
Uma pesquisa com 1.026 estudantes de Medicina de 74 instituições do país identificou sintomas de depressão na maioria deles. O levantamento foi conduzido pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) e publicado na Brazilian Journal of Psychiatry.
O estudo ouviu alunos do primeiro ao sexto ano, de universidades públicas e privadas. Confira, a seguir, os principais resultados, os fatores associados ao sofrimento dos estudantes e onde buscar ajuda.
O que a pesquisa encontrou
Dos 1.026 participantes, 676 (66%) apresentaram sintomas de depressão de moderados a graves. Outros 517 (50,5%) tiveram sintomas de ansiedade na mesma faixa de intensidade.
Os índices ficam bem acima da média mundial entre estudantes de Medicina:
| Indicador | Estudantes brasileiros da pesquisa | Média mundial entre estudantes de Medicina |
|---|---|---|
| Sintomas de depressão | 66% | 27,2% |
| Sintomas de ansiedade | 50,5% | 33,8% |
Como o estudo foi feito
A coleta ocorreu entre setembro de 2023 e setembro de 2024, com estudantes de 18 anos ou mais que participaram de forma voluntária. Do total, 40,3% eram de instituições públicas e 59,7% de particulares.
Os sintomas de depressão foram medidos pelo questionário PHQ-9, um instrumento de rastreamento. O resultado indica a presença e a intensidade de sintomas, mas não equivale a um diagnóstico clínico, que depende de avaliação profissional.
Os fatores ligados ao sofrimento dos estudantes
A falta de tempo aparece entre os principais fatores associados ao estresse. A rotina do curso reúne carga intensa de estudos, atividades práticas e outras demandas acadêmicas.
Também estão entre os aspectos associados ao sofrimento psicológico:
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ENTRAR NOS GRUPOS →- a pressão por desempenho;
- as dificuldades de aprendizagem;
- os relacionamentos;
- as questões ligadas à própria saúde.
Os pesquisadores também chamam atenção para a normalização do sofrimento. Em uma formação marcada por cobranças, o cansaço extremo pode ser visto como parte natural do curso, o que dificulta perceber os sinais de que algo não vai bem.

Como o ambiente acadêmico se relaciona com a saúde mental
A colaboração entre colegas e a percepção de um clima educacional favorável aparecem associadas a melhores indicadores de saúde mental. A pesquisa também usou um instrumento específico para medir como os alunos avaliam o ambiente de aprendizagem.
Os resultados mostram diferenças entre as redes de ensino. Alunos de instituições privadas avaliaram melhor o clima acadêmico e a relação com os professores, enquanto os da rede pública relataram mais estresse com notas e avaliações.
O que o estudo diz sobre os cotistas
Os estudantes que entraram por cotas tiveram pontuações mais altas no questionário de depressão e mais estresse acadêmico. Segundo o pesquisador Rodolfo Furlan Damiano, isso não significa que ser cotista seja, por si só, um fator de risco.
A diferença estaria ligada às experiências no ambiente acadêmico, como uma percepção mais negativa das condições de aprendizagem e possíveis situações de discriminação. Quando esses fatores são considerados, o efeito associado à condição de cotista desaparece.
Onde buscar ajuda
Estudantes com sinais de depressão ou ansiedade podem procurar o serviço de apoio psicológico da própria instituição, quando houver, e a rede pública de saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS), o atendimento começa pela Unidade Básica de Saúde e pode seguir para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Para conversar com alguém a qualquer hora, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e também por chat no site da instituição. Em situação de risco imediato, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192.
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