As habilidades exigidas nas profissões mais expostas à inteligência artificial mudam mais de duas vezes mais rápido. O dado é do 2026 Global AI Jobs Barometer, levantamento anual da consultoria PwC divulgado em 15 de junho de 2026.
A comparação é feita com as ocupações menos expostas à tecnologia, e a diferença entre os dois grupos cresceu 75% em relação ao ano anterior.
Confira, a seguir, por onde começar a atualização, o que o estudo mediu e o que outros levantamentos mostram sobre o tema.
Por onde começar a atualização
Os dados apontam duas frentes ao mesmo tempo, e uma não substitui a outra.
As habilidades humanas ganharam peso
O estudo da PwC identificou que as novas tarefas incorporadas às funções expostas à IA têm 2,5 vezes mais chance de depender de empatia, julgamento e criatividade. São competências que se tornam mais valiosas à medida que a tecnologia absorve parte do trabalho rotineiro.
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, chega a uma lista parecida. O pensamento analítico aparece como a habilidade mais buscada, considerada indispensável por sete em cada dez empresas, seguido de resiliência, flexibilidade e agilidade, além de liderança e influência social.
As habilidades técnicas que mais crescem
No mesmo relatório do Fórum Econômico Mundial, IA e big data lideram a lista de competências em crescimento mais rápido, acompanhadas de redes e segurança cibernética e de letramento tecnológico.
A PwC registra crescimento acelerado nas vagas que pedem habilidades específicas de IA, como engenharia de prompt e aprendizado de máquina.
Como mapear a própria lacuna
O caminho prático começa pela comparação entre o que a pessoa domina e o que as vagas da área passaram a pedir. Acompanhar os anúncios de emprego do próprio setor, mesmo sem intenção de mudar de emprego, revela quais competências entraram na descrição das funções.
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O que o levantamento da PwC mediu
O 2026 Global AI Jobs Barometer analisou mais de um bilhão de anúncios de emprego em 27 países e territórios, distribuídos por seis continentes.
A metodologia combina dados de mercado de trabalho em larga escala, relatórios financeiros de empresas e informações sobre as tarefas de cada ocupação. Esta edição incluiu ainda uma análise específica das vagas de nível de entrada.
O mercado dividido em duas faixas
A conclusão central do estudo é que a IA está criando um mercado de trabalho de duas trilhas, com resultados diferentes para cada grupo.
| Tipo de função | O que acontece | Crescimento |
|---|---|---|
| Profissionalizada | A IA automatiza tarefas rotineiras e o julgamento humano ganha peso. Exemplos: radiologista e recrutador | Dobro do crescimento em vagas e alta salarial 42% maior desde 2021 |
| Democratizada | A IA torna a função mais fácil de ser executada por quem não é especialista. Exemplos: gerente de serviços de TI e secretária de consultório | Crescimento menor em vagas e em salário |
Pelo levantamento, 22% das ocupações analisadas foram classificadas como profissionalizadas e 52% como democratizadas.

O que mudou nas vagas de entrada
A parte mais específica do estudo trata de quem está começando. A partir da análise de 2,4 milhões de vagas de nível inicial nos Estados Unidos, a PwC concluiu que as posições juniores mais expostas à IA têm sete vezes mais chance de exigir habilidades tradicionalmente associadas a cargos sêniores.
Entre elas estão liderança, tomada de decisão estratégica e formação de equipe. Na leitura da consultoria, a escada tradicional da carreira está se comprimindo: parte do trabalho rotineiro que funcionava como aprendizado inicial deixou de existir, e a cobrança por julgamento e adaptabilidade chega mais cedo.
Onde estão as vagas que exigem IA
As vagas que pedem habilidades específicas de inteligência artificial cresceram cerca de oito vezes mais rápido que o mercado de trabalho como um todo. O número de vagas de IA é quase o dobro do registrado em 2024.
A distribuição por setor é desigual. Tecnologia, mídia e telecomunicações lideram, com 11% de participação no crescimento das vagas de IA, seguidos por serviços profissionais, com 6%. Saúde aparece na outra ponta, com menos de 1%.
O que outros levantamentos mostram
O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades atuais dos trabalhadores sejam transformadas ou fiquem desatualizadas entre 2025 e 2030.
O relatório reuniu a perspectiva de mais de mil empregadores, que representam mais de 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias.
O dado tem um contexto que costuma ser omitido
Esse índice vem caindo. Veja a evolução da chamada instabilidade de habilidades nas três últimas edições do relatório:
| Edição | Percentual de habilidades que devem mudar |
|---|---|
| 2020 | 57% |
| 2023 | 44% |
| 2025 | 39% |
O próprio Fórum Econômico Mundial atribui a queda, em parte, ao avanço dos programas de qualificação. A parcela de trabalhadores que concluíram algum treinamento como parte de estratégias de longo prazo subiu de 41%, em 2023, para 50%.
Ou seja, o ritmo de transformação segue alto, mas desacelerou, e a explicação apontada é justamente o aumento da atualização profissional.
A percepção de quem trabalha com treinamento
No Workplace Learning Report 2025, do LinkedIn, 91% dos profissionais de aprendizagem e desenvolvimento consultados afirmaram que a aprendizagem contínua nunca foi tão importante para o sucesso na carreira. A pesquisa ouviu 937 especialistas da área.
Vale considerar que o LinkedIn é fornecedor de plataforma de cursos corporativos, o que não invalida o dado, mas ajuda a situá-lo.
O que os dados não dizem
Nenhum dos três levantamentos afirma que profissionais sem atualização perderão o emprego. O que a PwC mede é a velocidade com que as competências exigidas mudam.
O próprio estudo aponta na direção oposta ao discurso de substituição. As empresas mais expostas à IA registraram crescimento de 52% no quadro de pessoal, contra 36% nas menos expostas, e alta salarial de 24%, ante 17%.
O que os números indicam é a possibilidade de a distância entre as competências que uma pessoa tem e aquelas que o mercado pede aumentar mais depressa em determinadas áreas.
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