A escolha do melhor horário para estudar tem respaldo em pesquisas que relacionam o sono à memorização.
Muitos estudantes ficam acordados até tarde ou levantam de madrugada para revisar o conteúdo, mas os estudos sobre o cérebro apontam para um fator que costuma ficar em segundo plano na rotina de quem se prepara para provas.
Uma revisão que reuniu 50 anos de experimentos ajuda a medir esse impacto. Confira, a seguir, o que já se sabe sobre o tema e como aplicar as descobertas na rotina.
O que as pesquisas indicam sobre o momento do estudo
As evidências não apontam um horário fixo no relógio. O que os estudos mostram é que o período mais favorável para revisar o conteúdo é o fim do dia, pouco antes de dormir, porque o sono que vem em seguida ajuda o cérebro a fixar o que foi aprendido.
A noite bem dormida antes do estudo também conta. Ela prepara o cérebro para receber informações novas no dia seguinte.
Uma meta-análise publicada em 2021 na revista Psychological Bulletin, conduzida por pesquisadores da Royal Holloway, Universidade de Londres, reuniu estudos feitos entre 1970 e 2020 sobre o efeito de passar ao menos uma noite inteira sem dormir.
O prejuízo à memória apareceu nos dois cenários, mas foi maior quando a noite em claro acontecia antes do aprendizado. Nesse caso, o efeito medido foi mais que o dobro do observado quando a privação de sono vinha depois.
Os próprios autores apontam limites: boa parte dos estudos analisados tinha baixo poder estatístico, e há sinais de viés de publicação. Por isso, eles defendem novas pesquisas para medir o tamanho real do efeito.
Como o cérebro organiza as memórias durante a noite
Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, o cérebro reorganiza as informações do dia. Parte do que foi registrado no hipocampo, região ligada à memória recente, passa a ser integrada ao córtex cerebral, onde ficam as lembranças de longo prazo.
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Como a pessoa não recebe estímulos novos enquanto dorme, há menos interferência sobre o conteúdo recém-aprendido. Isso favorece a estabilização das memórias.
Já o sono de movimento rápido dos olhos (REM, na sigla em inglês) está associado ao fortalecimento de habilidades ligadas à resolução de problemas, à criatividade e ao processamento de experiências emocionais.
O que um estudo feito na Alemanha observou sobre memórias emocionais
O pesquisador Ullrich Wagner, à época na Universidade de Lübeck, assina com colegas um estudo publicado em 2006 na revista Biological Psychiatry que acompanhou o efeito do sono a longo prazo.
Homens saudáveis leram textos neutros e textos com carga emocional logo antes de dormir ou antes de passar as três horas seguintes acordados. Quatro anos depois, os participantes foram chamados de novo para um teste de reconhecimento.
O resultado indicou que um período curto de sono logo após o aprendizado ajudou a manter, por anos, as lembranças do conteúdo emocional.
Exemplo de rotina que combina estudo e descanso
A tabela abaixo reúne uma sugestão de organização do dia, com base em orientações comuns de planejamento de estudos.
| Etapa | Duração sugerida | Para que serve |
|---|---|---|
| DURANTE O DIA | ||
| Bloco de estudo | 50 a 60 minutos | Foco em um único tema, sem multitarefa |
| Pausa curta | Alguns minutos | Levantar, beber água e alongar o corpo |
| Cochilo | 10 a 20 minutos, após dois ou três blocos | Recuperar a concentração sem atrapalhar o sono noturno |
| Revisão ativa | 15 minutos | Responder perguntas ou fazer testes rápidos sobre o conteúdo |
| À NOITE | ||
| Revisão leve | Cerca de 30 minutos | Rever resumos, mapas mentais ou anotações |
| Sono | Mesmo horário todos os dias | Favorecer a consolidação da memória |
Depois da revisão noturna, a orientação é desligar celular e outros aparelhos eletrônicos antes de deitar. Manter horários regulares para dormir e acordar também ajuda na qualidade do descanso.
O que fazer na véspera da prova
Trocar a noite de sono por mais horas de estudo na véspera da prova tende a ter efeito contrário ao esperado. Na meta-análise britânica, o impacto da privação sobre a memória foi maior quando o teste acontecia logo depois da noite sem dormir.
Com base nesses achados, uma alternativa para quem só consegue estudar à noite é priorizar revisões curtas do conteúdo já visto, garantir o descanso e deixar assuntos novos para o dia seguinte.
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