O novo concurso do IBGE para recenseador do Censo Agropecuário 2027 recebeu nova autorização, e o órgão terá até seis meses para publicar o edital.
Enquanto o documento não sai, o candidato pode usar a seleção anterior como referência para iniciar os estudos. Em 2021, Ética no Serviço Público e Conhecimentos Técnicos somaram 30 das 50 questões da prova, o equivalente a 60% da avaliação.
No entanto, o novo edital poderá alterar tanto o conteúdo quanto a distribuição das questões. Por isso, o material anterior funciona como ponto de partida, e não como confirmação do que cairá na próxima prova.
O que estudar para recenseador do IBGE antes do edital?
Na seleção de 2021, o IBGE dividiu a prova de recenseador em quatro disciplinas: Língua Portuguesa, Matemática, Ética no Serviço Público e Conhecimentos Técnicos.
Das 50 questões, 25 abordaram Conhecimentos Técnicos e cinco cobraram Ética, enquanto Português e Matemática tiveram dez questões cada. Cada item valia um ponto.
A prova aplicada naquele concurso confirma essa divisão: as questões 21 a 25 trataram de Ética e, a partir da questão 26, a avaliação passou a cobrar Conhecimentos Técnicos.
O candidato precisava alcançar pelo menos 15 pontos e acertar, no mínimo, uma questão de cada disciplina para obter aprovação na prova objetiva.
Para a próxima seleção, porém, a banca será a Fundação Cesgranrio, e o IBGE ainda poderá modificar a estrutura da avaliação. Assim, vale priorizar conteúdos que já possuem material oficial disponível, mas sempre conferir as exigências quando o novo edital sair.
Ética no Serviço Público: dois materiais servem como ponto de partida
O edital de 2021 indicou dois materiais para a disciplina de Ética no Serviço Público: o Código de Ética Profissional do Servidor Público do IBGE e trechos específicos da Lei nº 8.112/1990.
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ENTRAR NOS GRUPOS →No Código de Ética, o candidato pode concentrar a preparação nas regras deontológicas, nos deveres, nas vedações e nas disposições relacionadas à Comissão de Ética.
A prova anterior mostra como a banca transformou essas normas em questões. Uma delas, por exemplo, pediu ao candidato que identificasse quais princípios devem orientar o servidor do IBGE. Entre os conceitos apresentados estavam dignidade, zelo, eficiência e consciência dos princípios morais.
Questão 21 – De acordo com o Código de Ética do IBGE, os primados maiores que devem nortear o servidor público do IBGE incluem os a seguir listados, à exceção de um. Assinale-o.
(A) A dignidade.
(B) O zelo.
(C) O indecoro.
(D) A eficiência.
(E) A consciência dos princípios morais.
Outra questão abordou a relação entre legalidade, finalidade e moralidade administrativa, além da importância das informações estatísticas e geocientíficas para garantir o direito à informação pública de forma imparcial.
Questão 22 – De acordo com o Código de Ética do IBGE, avalie se as afirmativas a seguir estão corretas.
I. A moralidade da Administração Pública se limita à distinção entre o bem e o mal.
II. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
III. Para melhor exercício de sua função pública no IBGE, o servidor deve ter consciência da relevância das informações estatísticas e geocientíficas, a fim de atender ao direito à informação pública de modo imparcial e com igualdade de acesso.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
Portanto, mais do que memorizar conceitos isolados, o candidato pode estudar como essas regras aparecem em situações práticas envolvendo a conduta do servidor.
Quais partes da Lei nº 8.112/1990 apareceram no edital anterior?
O edital de 2021 não cobrou toda a Lei nº 8.112/1990. O documento delimitou os dispositivos que poderiam aparecer na prova.
Entre eles estavam:
| Artigos | Assunto |
|---|---|
| 116 | Deveres do servidor |
| 117 | Proibições |
| 118 a 126 | Acumulação de cargos e responsabilidades |
| 127 | Penalidades |
| 132 | Hipóteses de demissão |
| 136 a 141 | Regras relacionadas a penalidades, abandono e inassiduidade |
| 142 | Prescrição |
O recorte, porém, não incluía integralmente todos esses artigos. Por exemplo, no art. 116, o edital especificou determinados incisos e alíneas; o mesmo ocorreu com os artigos 117, 127, 132 e 142.
Por isso, quem começar a estudar agora pode conhecer esses temas, mas deverá verificar qual recorte da legislação o novo edital adotará.
Deveres e proibições merecem atenção nos estudos
A prova anterior mostra que a cobrança não ficou restrita à reprodução literal das normas.
Uma das questões apresentou situações previstas no art. 117 da Lei nº 8.112/1990 e pediu ao candidato que identificasse aquela que não configurava proibição.
A avaliação mencionou, entre outros pontos, recebimento de propina ou vantagem em razão das atribuições, comissão ou emprego de Estado estrangeiro, prática de usura e atuação desidiosa.
Assim, uma estratégia de estudo é separar a legislação em três grupos: deveres, proibições e penalidades, relacionando cada regra às consequências previstas na lei.
Prazos da Lei nº 8.112 também podem entrar na revisão
Alguns números previstos na legislação podem exigir atenção durante a preparação.
Entre os pontos destacados no material preparatório estão:
| Situação | Regra |
|---|---|
| Abandono de cargo | Ausência intencional por mais de 30 dias consecutivos |
| Inassiduidade habitual | 60 dias de falta sem justificativa, interpolados em 12 meses |
| Prescrição da demissão | 5 anos |
| Prescrição da suspensão | 2 anos |
| Prescrição da advertência | 180 dias |
| Início da contagem da prescrição | Data em que o fato se tornou conhecido |
Esses dispositivos fazem parte do recorte da Lei nº 8.112/1990 indicado no material de preparação baseado no edital anterior.
Sigilo estatístico conecta Ética e Conhecimentos Técnicos
Um tema merece atenção especial porque aparece tanto na parte ética quanto no trabalho prático do recenseador: o sigilo estatístico.
O Código de Ética estabelece a confidencialidade dos dados individuais coletados pelo IBGE e determina seu uso para fins estatísticos. A Lei nº 8.112/1990 também inclui o dever de guardar sigilo sobre assuntos da repartição dentro do recorte indicado no edital anterior.
Na prova de 2021, uma questão perguntou diretamente qual aspecto das informações fornecidas ao Censo deveria permanecer preservado. Outra tratou das condutas do recenseador em campo, incluindo o cuidado para impedir que pessoas estranhas ao serviço acessem equipamentos ou informações coletadas.
Questão 35 – É preciso garantir, aos informantes, que as informações obtidas pelo Censo Demográfico 2022 só serão usadas para fins estatísticos. Isso significa que o seguinte aspecto das informações prestadas será sempre preservado:
(A) sigilo estatístico.
(B) tratamento estatístico.
(C) validação técnica.
(D) amostragem padrão.
(E) veracidade da informação.
Quer conferir as respostas das questões? Consulte também o gabarito oficial da prova de recenseador do IBGE de 2021.
Conhecimentos Técnicos tiveram metade das questões da prova anterior
Conhecimentos Técnicos tiveram o maior espaço na última prova usada como referência: 25 das 50 questões.
Em 2021, o edital determinou que essa disciplina seguisse uma apostila específica de conhecimentos técnicos aplicados ao Censo Demográfico.
Para o novo Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, o material de preparação aponta que o IBGE já disponibilizou a apostila Conhecimentos básicos para o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, indicada no Edital nº 01/2026 para outras funções relacionadas à operação censitária.
Isso não significa, porém, que o IBGE necessariamente adotará o mesmo material para recenseador. O candidato deverá confirmar essa informação quando o novo edital for publicado.
Quais conhecimentos técnicos já podem entrar no plano de estudos?
A apostila do 12º Censo Agropecuário reúne assuntos diretamente relacionados à operação censitária.
Entre os temas listados no material estão:
- IBGE e Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola;
- Estrutura organizacional censitária;
- Instrumentos de trabalho;
- Orientações de navegação em campo;
- Divisão político-administrativa do Brasil;
- Estruturas territoriais;
- Povos e Comunidades Tradicionais;
- Endereço e coordenadas geográficas;
- Estabelecimento agropecuário;
- Produtores sem área e situações especiais.
Esses conteúdos oferecem uma base inicial para entender como funciona o trabalho de campo, mas o candidato deverá ajustar os estudos quando o IBGE divulgar o conteúdo programático específico para recenseador.
Prova anterior mostra como os conhecimentos técnicos podem ser cobrados

Imagem: Agência Brasil
O caderno de 2021 ajuda a entender o tipo de conhecimento que apareceu na avaliação.
Uma sequência de questões abordou o papel do recenseador, a atuação do Agente Censitário Supervisor (ACS), o significado da sigla DMC (Dispositivo Móvel de Coleta) e as funcionalidades disponíveis no equipamento.
A prova também cobrou cuidados com o DMC, como transmissão das informações, realização de backup e proteção contra quedas, água e umidade.
Outro bloco avaliou a postura do profissional durante as entrevistas. Entre as orientações estavam usar linguagem educada, apresentar-se adequadamente, portar identificação e demonstrar profissionalismo.
Setor censitário, endereço e localização também apareceram na prova
O candidato também pode aproveitar o período anterior ao edital para conhecer conceitos territoriais usados pelo IBGE.
No edital anterior, setor censitário aparecia como a unidade territorial de coleta e divulgação de dados estatísticos, onde o recenseador exerceria suas atividades.
A prova cobrou ainda conceitos como quadra, logradouro, estabelecimento, latitude e longitude, além da divisão político-administrativa brasileira.
Esses exemplos mostram que Conhecimentos Técnicos não envolvem apenas decorar procedimentos. A disciplina também exige compreender a terminologia usada pelo IBGE durante a coleta.
O que não vale a pena memorizar antes do novo edital?
Há um cuidado importante: não tratar todo o conteúdo da prova de 2021 como confirmado para 2027.
Aquela seleção estava ligada ao Censo Demográfico 2022, enquanto o próximo processo de recenseadores atenderá ao Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola. O próprio edital anterior direcionava Conhecimentos Técnicos para uma apostila específica do Censo Demográfico.
Por isso, conceitos muito específicos da operação demográfica, como composição dos moradores do domicílio, questionários básico e da amostra e determinadas regras sobre moradores, não devem ser automaticamente considerados conteúdo do próximo edital.
Na prova anterior, por exemplo, houve questões sobre definição de morador, data de referência, cômodos do domicílio e idade mínima da pessoa responsável pelo domicílio.
Para 2027, o foco técnico poderá migrar para conceitos próprios do Censo Agropecuário, como estabelecimentos agropecuários, produtores e particularidades da coleta em áreas rurais.
O que pode mudar no novo edital do IBGE?
O candidato deve acompanhar o novo edital antes de fechar definitivamente o cronograma de estudos.
A Fundação Cesgranrio organizará a nova seleção, enquanto a FGV ficou responsável pelo processo seletivo de 2021. Além da mudança de banca, o IBGE poderá alterar a quantidade de questões por disciplina, o recorte da Lei nº 8.112/1990 e o material indicado para Conhecimentos Técnicos.
Outro ponto de comparação é a escolaridade. O edital de 2021 exigia ensino fundamental completo para recenseador. Já a nova seleção prevê nível médio, conforme as informações atuais apresentadas para o concurso.
Portanto, quem pretende antecipar a preparação pode começar pelo Código de Ética do IBGE, conhecer os dispositivos da Lei nº 8.112/1990 cobrados anteriormente e avançar pelos conceitos gerais da nova operação censitária.
Quando o edital sair, o passo seguinte será comparar o conteúdo oficial com esse estudo inicial e direcionar a revisão para aquilo que a Cesgranrio efetivamente cobrará.
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