Testar a si mesmo é uma das duas técnicas de estudo mais bem avaliadas em um relatório que comparou dez delas.
O trabalho “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques” saiu em janeiro de 2013 na revista Psychological Science in the Public Interest. Segundo o comunicado da Association for Psychological Science (APS), a prática de testes e a prática distribuída receberam a mais alta classificação geral de utilidade. A releitura ficou no grupo oposto, com baixa utilidade.
Assinam o relatório John Dunlosky e Katherine A. Rawson, da Universidade Estadual de Kent, Elizabeth J. Marsh, da Universidade Duke, Mitchell J. Nathan, da Universidade de Wisconsin-Madison, e Daniel T. Willingham, da Universidade da Virgínia.
O que é a prática de testes, a técnica de estudo mais bem avaliada
A prática de testes, ou practice testing no original, é descrita pela APS como algo que a maioria dos alunos já conhece. Os exemplos citados são usar cartões de memória (flash cards), responder às perguntas do fim de um capítulo do livro e se questionar sobre a matéria antes da prova.
Dunlosky resume a recomendação assim: “By just replacing rereading with delayed retrieval practice, students would benefit”. Em tradução livre, apenas substituir a releitura pela prática de recuperação feita depois de um intervalo já traria benefício aos estudantes.
A palavra “delayed” da citação liga a prática de testes à prática distribuída, que os autores associam a “spreading out your studying over time”, isto é, espalhar o estudo ao longo do tempo. O comunicado observa que quem prefere as maratonas de última hora talvez não conheça bem essa ideia.
Releitura, grifo e resumo ficaram com baixa utilidade
Cinco das dez técnicas receberam baixa utilidade dos pesquisadores. O comunicado nomeia três e afirma que elas estão entre as estratégias de aprendizagem mais comuns entre estudantes. As outras duas não aparecem no texto da APS.
| Técnica citada com baixa utilidade | Como ela costuma aparecer na rotina (descrição do blog) |
|---|---|
| Resumo | Escrever uma versão curta do texto lido |
| Grifar ou sublinhar | Passar caneta marca-texto nos trechos que parecem importantes |
| Releitura | Ler de novo o capítulo ou o caderno antes da prova |
O comunicado não diz que essas técnicas devem ser abandonadas nem informa quanto cada uma rende a menos.
Roteiro de 20 minutos para trocar a releitura por perguntas
O passo a passo abaixo é uma sugestão do blog, montada a partir dos exemplos do comunicado. O relatório não define tempos nem ordem de etapas.
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ENTRAR NOS GRUPOS →- 8 minutos: leia uma seção curta do material, sem grifar.
- 5 minutos: feche o livro ou o caderno e escreva numa folha tudo o que lembrar, mesmo em tópicos soltos.
- 4 minutos: abra o material e compare. Marque o que ficou de fora ou saiu errado.
- 3 minutos: transforme cada falha em uma pergunta curta e guarde para responder no dia seguinte, sem consulta.
Na última etapa, a pergunta funciona como teste, e responder a ela em outro dia espalha o estudo no tempo.
Como montar cartões de pergunta e resposta no papel ou no celular
As sugestões desta seção também são do blog, a partir do exemplo dos cartões citado no comunicado. No papel, basta um cartão por ideia: a pergunta na frente e a resposta no verso. Responda em voz alta ou por escrito antes de virar. Separe os cartões em duas pilhas, acertos e erros, e comece a sessão seguinte pela pilha dos erros.
No celular, o mesmo formato funciona num aplicativo de notas comum, com a pergunta numa linha e a resposta algumas linhas abaixo, fora da tela. Aplicativos próprios de cartões também servem, desde que a resposta só apareça depois da tentativa.
Para quem estuda para vestibular ou concurso, as perguntas do fim do capítulo e as questões de provas anteriores fazem o papel de teste pronto. Cada erro indica o que ainda precisa voltar para a pilha.
Para quem a técnica funciona, segundo os autores
Dunlosky e os colegas fazem uma ressalva. Segundo eles, as técnicas “will benefit only students who are motivated and capable of using them”, o que em tradução livre significa que só ajudam estudantes motivados e capazes de aplicá-las. O blog acrescenta que nenhum método, sozinho, garante nota ou aprovação.
O pesquisador também afirma no comunicado que essas estratégias são amplamente ignoradas (“largely overlooked”) nos livros de psicologia educacional lidos por professores em início de carreira. Segundo a APS, isso pode ajudar a explicar por que elas são pouco usadas. O relatório teve apoio da Fundação James S. McDonnell, pela iniciativa 21st Century Science Initiative, e veio acompanhado de um editorial de Henry L. Roediger III, da Universidade Washington em St. Louis.
Outras ideias para organizar a rotina estão nas dicas de estudo do blog, como o método de revisão espaçada 24h-7-30, o texto sobre sessões de estudo mais curtas e a matéria sobre estudar ao longo do ano.
Fontes consultadas
- Association for Psychological Science (APS). “Which Study Strategies Make the Grade?”, comunicado de 10 de janeiro de 2013 sobre Dunlosky, J.; Rawson, K. A.; Marsh, E. J.; Nathan, M. J.; Willingham, D. T. “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology”, Psychological Science in the Public Interest, janeiro de 2013. Consulta em 24/10/2026. Acesse o comunicado.


















