A inteligência artificial pode estar contribuindo para a redução das oportunidades de emprego entre trabalhadores mais jovens e em início de carreira, segundo um estudo da Universidade de Stanford. Publicada originalmente em 2025, a pesquisa recebeu uma atualização em agosto deste ano para analisar os efeitos mais recentes da tecnologia sobre o mercado de trabalho.
O levantamento aponta que, entre jovens de 22 a 25 anos que atuam nas 40% das ocupações mais expostas à IA, o nível de emprego recuou 11% desde 2022. No mesmo período, os profissionais da mesma faixa etária em áreas com menor exposição à tecnologia registraram crescimento de 10%.
Segundo os pesquisadores, caso as contratações nas funções mais vulneráveis à automação tivessem acompanhado o desempenho das ocupações menos expostas, o emprego entre jovens nesses setores estaria cerca de 19% acima do patamar atual.
Estudo aponta seis principais efeitos da IA
O levantamento da Universidade de Stanford reúne seis principais conclusões sobre os impactos da inteligência artificial no emprego, com destaque para as diferenças entre trabalhadores jovens e profissionais mais experientes.
Entre os pontos identificados pelos pesquisadores estão:
- A IA ainda não provocou uma substituição generalizada de empregos em toda a economia, sem evidências de uma queda ampla nas vagas de trabalho causada pela tecnologia;
- Jovens entre 22 e 25 anos em ocupações mais expostas à IA apresentam redução no nível de emprego, ficando abaixo do desempenho observado entre trabalhadores de áreas menos afetadas pela automação;
- A diferença entre profissionais jovens e experientes aumentou nas funções mais vulneráveis à inteligência artificial, indicando maior impacto sobre trabalhadores em início de carreira;
- A principal consequência aparece na redução das novas contratações, e não em um aumento de demissões ou desligamentos de trabalhadores já empregados;
- Os efeitos negativos estão concentrados em atividades nas quais a IA substitui tarefas realizadas por humanos, enquanto funções em que a tecnologia atua como complemento apresentam estabilidade ou crescimento;
- A adaptação do mercado ocorre principalmente pela redução das oportunidades de emprego, e não por cortes nos salários-base.

Quais áreas foram mais afetadas pela automação com IA?
As ocupações mais impactadas pela inteligência artificial são aquelas em que softwares e algoritmos conseguem replicar, automatizar ou complementar tarefas rotineiras. Representantes de atendimento ao cliente, contadores, profissionais de recursos humanos, representantes de vendas, desenvolvedores de software e técnicos de suporte em informática estão no topo dessa lista.
Gerentes de tecnologia da informação, recepcionistas, profissionais de marketing, engenheiros industriais, agentes de crédito, assistentes administrativos, analistas de sistemas e programadores de computador também figuram entre os cargos mais afetados pelo avanço dos sistemas inteligentes.
O levantamento indica que dezenas de funções que envolvem análise, redação, cálculos ou atendimento padrão experimentaram queda acelerada na contratação de jovens trabalhadores.
Como a análise foi realizada?
Os pesquisadores utilizaram um extenso conjunto de dados anonimizados fornecidos pela empresa global de gestão de recursos humanos ADP, cobrindo milhões de profissionais. A equipe classificou cada profissão conforme o grau de exposição à automação impulsionada por IA, com base em estudos anteriores e informações práticas de utilização da tecnologia Claude, da Anthropic, em diferentes ramos de atividade.
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ENTRAR NOS GRUPOS →O artigo, originalmente divulgado em 2025 e revisado em agosto de 2026, cruza séries históricas de contratações e demissões por faixa etária, função e grau de exposição à IA. Assim, foi possível mapear não apenas as áreas atingidas, mas também o ritmo e a intensidade das mudanças no mercado de trabalho dos jovens.
Causas e limites do impacto da IA sobre o emprego jovem
Os autores do estudo ressaltam que a inteligência artificial está associada à reorganização de funções, principalmente quando o uso de algoritmos substitui tarefas repetitivas, analíticas ou baseadas em regras. Por outro lado, em setores onde a tecnologia complementa o trabalho humano ou automatiza apenas pequenas etapas, o quadro permanece estável ou até em expansão para profissionais mais experientes.
Os resultados não apontam a IA como única causa para a queda de empregos: variáveis como conjuntura econômica, preferências empresariais e opções dos próprios jovens podem também exercer influência. Contudo, os dados evidenciam uma ligação consistente entre o avanço tecnológico e o novo cenário nas contratações para início de carreira.
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