O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026 acontece no dia 8 de novembro e concentra a etapa mais temida por muitos candidatos: a redação.
Todos os anos, participantes chegam preparados em conteúdo, mas cometem deslizes na hora de escrever que comprometem o desempenho e acabam custando pontos valiosos, ou até a nota inteira do texto.
Para quem está ansioso com a prova, conhecer esses erros com antecedência ajuda a organizar o estudo e a manter a calma no dia. Veja a seguir o que não fazer na redação e como funcionam as regras de avaliação.
O que não fazer na prova do primeiro dia
No primeiro domingo, os candidatos fazem a redação e as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Como o tempo é dividido entre os três blocos, a atenção ao texto dissertativo-argumentativo, precisa ser planejada desde antes de entrar na sala.
Na redação, a lista de atitudes que devem ser evitadas inclui:
- Escrever sem ler com atenção a proposta e a coletânea: começar o texto às pressas pode levar o candidato a tratar de um assunto parecido, mas diferente do que foi pedido. Ler o enunciado e os textos de apoio com calma reduz esse risco.
- Pular o projeto de texto: reservar alguns minutos para organizar tese, argumentos e proposta ajuda a evitar repetições e parágrafos sem rumo.
- Usar o “repertório de bolso”: trata-se de citações, autores ou conceitos memorizados e encaixados à força, mesmo quando não têm relação com o assunto.
- Recorrer a frases de efeito, genéricas e de senso comum: afirmações amplas demais, que serviriam para qualquer tema, não mostram análise do problema proposto.
- Deixar as partes do texto soltas: sem conjunções adequadas, o raciocínio perde progressão e o leitor não percebe como um argumento leva ao outro.
- Ficar muito nervoso: o nervosismo costuma provocar erros simples, como esquecer a conclusão ou perder a noção do espaço disponível.
- Não passar o texto do rascunha para a Folha da Redação: apenas a Folha de Redação é considerada na correção. O rascunho não é corrigido, nem mesmo quando o participante fica sem tempo para passar o texto a limpo. Por isso, o tempo de transcrição precisa entrar na conta desde o início.
Quais são as competências analisadas na redação
De acordo com a Cartilha do Participante, divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a redação é avaliada em cinco competências:
- Competência I, domínio da língua portuguesa: verifica o uso da escrita formal, com atenção a gramática, ortografia, concordância, regência, pontuação e escolha de palavras.
- Competência II, compreensão do tema e do tipo textual: analisa se o candidato entendeu a proposta, desenvolveu o tema dentro dos limites do texto dissertativo-argumentativo e usou conhecimentos de diferentes áreas para argumentar.
- Competência III, seleção e organização dos argumentos: observa a capacidade de escolher, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos e opiniões para defender um ponto de vista com consistência.
- Competência IV, coesão: examina como as ideias se conectam e se há progressão lógica entre frases, períodos e parágrafos.
- Competência V, proposta de intervenção: avalia se o candidato apresenta uma solução para o problema discutido, ligada à argumentação do texto e respeitosa com os direitos humanos.
Cada uma dessas cinco competências pode render até 200 pontos, o que leva a nota máxima do texto a 1.000 pontos.
O que zera a redação?

Segundo a mesma cartilha, algumas situações levam à nota zero na redação inteira:
- Fuga total ao tema proposto;
- Não obedecer ao tipo textual dissertativo-argumentativo;
- Deixar a Folha de Redação em branco;
- Texto insuficiente, com até sete linhas manuscritas (ou até dez linhas no sistema Braille);
- Letra ilegível, que impeça a leitura por dois avaliadores independentes;
- Texto escrito predominantemente ou integralmente em língua estrangeira;
- Impropérios, desenhos ou qualquer forma proposital de anulação;
- Trechos deliberadamente desconectados do tema;
- Identificação indevida, ou seja, nome, assinatura ou rubrica fora do espaço reservado.
Esse último ponto merece atenção especial. Mesmo um texto bem escrito pode ter a nota anulada se o candidato se identificar fora do local previsto, o que torna o erro caro e fácil de evitar.
🎓 Cursos grátis, concursos e vagas direto no seu WhatsApp!
Entrada 100% gratuita • escolha os grupos por tema
ENTRAR NOS GRUPOS →O que zera só a Competência 5, e não a redação inteira
Existe uma situação que anula apenas uma parte da avaliação: a proposta de intervenção que desrespeita os direitos humanos.
A cartilha cita como exemplos a defesa de tortura, mutilação, execução sumária e justiça com as próprias mãos, além de violência motivada por raça, etnia, gênero, religião, opinião política, condição física, origem geográfica ou situação socioeconômica.
Nesse caso, a perda é de até 200 pontos, e não dos 1.000 possíveis na redação.
O alerta novo desta edição
Nesta edição, o Inep chamou atenção para o chamado repertório de bolso, que é a referência decorada com antecedência e aplicada de forma genérica a qualquer tema. Esse recurso não zera a prova, mas derruba a pontuação, porque a Competência II pede um repertório produtivo, isto é, ligado ao tema e usado para sustentar o argumento.
Na prática, citar um autor ou um dado só vale quando ele ajuda a explicar o problema em discussão. Um exemplo é a diferença entre mencionar uma referência apenas para “enfeitar” a introdução e usá-la para mostrar por que a situação descrita na proposta acontece.
Erros que não anulam, mas custam pontos
Alguns deslizes não levam à nota zero, mas reduzem a pontuação final. Veja quais são:
- Copiar trechos dos textos motivadores sem desenvolvimento próprio;
- Escrever em primeira pessoa e apenas opinar, sem argumentar;
- Encerrar o texto sem uma proposta de intervenção detalhada, que deve trazer agente, ação, meio, finalidade e detalhamento;
- Ultrapassar as 30 linhas, já que o que passar desse limite não é corrigido.
Segundo domingo de provas
O segundo dia do Enem de 2026 é o dia 15 de novembro e reúne as provas de Ciências da Natureza e Matemática.
Nos dois domingos, os portões abrem às 12h e fecham às 13h, e as provas começam às 13h30, no horário de Brasília. A aplicação do dia 8 termina às 19h, com duração de 5 horas e 30 minutos, meia hora a mais que no segundo dia, por causa da redação.
Para não perder nenhuma novidade sobre o Enem de 2026, continue acessando o Blog Pensar Cursos.
Veja também:












