O Brasil aparece em dois lugares opostos do mesmo relatório sobre educação, e a diferença está em como o dinheiro é medido.
Quando a conta é a fatia do Produto Interno Bruto (PIB), o país fica acima da média dos países-membros. Quando a conta é o valor gasto por estudante, cai para menos de um terço dessa média.
Os números saíram na terça-feira (29), no relatório Panorama da Educação 2026, o Education at a Glance 2026, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Confira, a seguir, quanto o país gasta por aluno, como fica na comparação com os vizinhos, o que dizem o Ministério da Educação e o Instituto Unibanco, e outros pontos de atenção.
Quanto o Brasil gasta por aluno e como isso se compara
O gasto anual por aluno no Brasil foi de US$ 4.133 em 2023. O valor cobre desde o ensino fundamental até o ensino superior.
A média dos demais países avaliados foi de US$ 13.601 por estudante. O Brasil chegou a 30,39% desse patamar, ou seja, pouco menos de um terço.
A comparação com os vizinhos
O investimento brasileiro também ficou abaixo do registrado por alguns países da América Latina.
| País | Gasto anual por estudante |
|---|---|
| Média dos demais países avaliados | US$ 13.601 |
| Costa Rica | US$ 7.028 |
| Chile | US$ 5.794 |
| BRASIL | US$ 4.133 |
Os valores foram ajustados para neutralizar as diferenças de custo de vida entre os países. Sem esse ajuste, a comparação direta não seria possível.
O gasto por etapa de ensino
O relatório mostra que os gastos governamentais com educação, no Brasil e nos demais países, tendem a aumentar conforme o nível de ensino avança.
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ENTRAR NOS GRUPOS →| Etapa | Brasil | Média dos demais países avaliados |
|---|---|---|
| Fundamental 1 (1º ao 5º ano) | US$ 4.064 | US$ 12.893 |
| Fundamental 2 (6º ao 9º ano) | US$ 4.390 | US$ 14.291 |
Entre o fundamental 1 e o fundamental 2, o Brasil acrescenta US$ 326 por aluno. A diferença entre as duas etapas na média dos demais países é de US$ 1.398, mais de quatro vezes maior.

O dado em que o Brasil aparece acima da média
Em 2023, o gasto público brasileiro com educação foi de 4,5% do PIB. Entre os países-membros da OCDE, o patamar foi de 4%.
Por que aparecem dois percentuais diferentes
O relatório também traz uma comparação de oito anos, e nela o número brasileiro de 2023 é 4,6%. Os dois percentuais constam do documento, que não detalha a diferença entre eles.
Em nota, o Ministério da Educação (MEC) destacou que o relatório aponta queda dos investimentos em educação ao longo desses oito anos em todas as localidades.
Segundo a nota, entre 2015 e 2023 o indicador passou de 5,5% para 4,6% no Brasil, e de 4,4% para 4,2% na média dos países da organização com dados disponíveis para os dois anos.
| Recorte | Brasil | Média da OCDE |
|---|---|---|
| Percentual de 2023 no relatório | 4,5% | 4,0% |
| Em 2015, na série de oito anos | 5,5% | 4,4% |
| Em 2023, na série de oito anos | 4,6% | 4,2% |
Pelos dois recortes, o Brasil dedica à educação uma fatia do PIB maior que a média da organização.
O que diz quem analisa os dois números juntos
Conforme o Agência Brasil, site do governo federal, para Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, o gasto por aluno abaixo da média compromete os resultados de aprendizagem, apesar de a proporção do investimento ser maior.
“O Brasil já investe mais em proporção do PIB do que a média da OCDE, mas quando se traduz em gasto por aluno, ficamos em um patamar muito abaixo. Esse é um dado a ser lembrado sempre quando se cobra, de forma irrealista, que o desempenho seja igual“, afirmou.
Para onde vai o dinheiro do ensino fundamental
O relatório divide os gastos em educação em duas categorias. As despesas de capital reúnem investimentos como infraestrutura, e as despesas correntes cobrem os custos operacionais regulares das atividades.
No Brasil, o maior componente das despesas correntes é a remuneração de pessoal docente. São 75% do orçamento operacional do ensino fundamental destinados ao salário de professores e demais profissionais da educação.
O percentual fica abaixo do registrado na média dos países da OCDE, que é de 79%.
Por que o Brasil aparece em um relatório da OCDE
O Panorama da Educação 2026 apresenta dados de todos os países da OCDE e também do Brasil, que participa como parceiro do programa Indicators of Educational Systems (INES).
O relatório ainda inclui informações de membros do Grupo dos Vinte (G20) e de países em processo de adesão à OCDE que não integram o INES. Ao todo, são dados de 50 países.
O documento traça um quadro dos principais desafios de sistemas educacionais ao redor do mundo.
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