Um integrante da Polícia Federal (PF) pode, sim, atuar na Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), mas o caminho até uma vaga na entidade segue critérios bem definidos. A seguir, entenda quais são as etapas do processo, as modalidades de ingresso disponíveis e conheça um exemplo real.
Quem pode se qualificar e quais são as formas de ingresso?
O acesso a um posto na Interpol pode ocorrer por dois caminhos distintos: a indicação por parte da corporação policial do país de origem ou a contratação direta pela própria organização. Confira:
- Indicação pela Polícia Federal
Para seguir por esse caminho, o requisito inicial é já fazer parte do quadro de servidores da PF. Esse cargo só pode ser ocupado por quem foi aprovado em concurso público.
No entanto, não basta apenas integrar a corporação: normalmente, os candidatos apresentam um histórico consistente de participação em operações relevantes, conduta profissional exemplar, cursos de especialização e fluência em pelo menos dois idiomas.
A própria PF é responsável por selecionar e indicar os nomes que irão representar o Brasil na unidade da Interpol.
- Contratação direta
O segundo caminho é um processo seletivo aberto pela própria Interpol, realizado de forma esporádica, sem periodicidade fixa.
Nessas seleções, a organização costuma priorizar formação em áreas como Direito Internacional, Economia, Comunicação, Relações Internacionais e Teoria Política, perfil voltado à dimensão diplomática e institucional do trabalho policial internacional. Não é necessário ser da PF.
Relação da Interpol com a PF
Criada em 1923, a Interpol reúne atualmente 195 países-membros e atua como ponte entre as forças policiais de diferentes nações no enfrentamento a crimes internacionais e transnacionais.
Entre suas atribuições estão a troca de dados de inteligência, o apoio a investigações, o rastreamento de suspeitos foragidos e a condução de operações contra tráfico de drogas, tráfico de pessoas, terrorismo e crimes digitais.
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ENTRAR NOS GRUPOS →No Brasil, quem faz a interlocução com a organização é a PF, que mantém uma unidade interna dedicada exclusivamente à cooperação com a Interpol.
Essa estrutura permite que a corporação brasileira tenha acesso a recursos de inteligência internacional, ampliando sua capacidade de agir em casos que ultrapassam as fronteiras do país, como a localização de criminosos foragidos no exterior ou a articulação de operações conjuntas.
O caso de Valdecy Urquiza: da PF ao comando da Interpol
Um exemplo ilustra bem essa trajetória. O delegado Valdecy Urquiza, da PF, tomou posse em novembro de 2024 como secretário-geral da Interpol, tornando-se o primeiro brasileiro a ocupar o posto mais alto da maior organização policial do planeta, em mais de cem anos de história da entidade.
Sua indicação foi aprovada pelo Comitê Executivo em junho daquele ano e ratificada pela Assembleia-Geral, reunida em Glasgow, na Escócia.
Antes de chegar ao cargo máximo, Urquiza já acumulava mais de duas décadas de atuação na área de segurança pública. Ingressou na PF em 2004 e, entre 2015 e 2018, chefiou o escritório nacional da Interpol no Brasil, período em que representou o país junto a organismos regionais como a Europol e a Ameripol.
Passou ainda pela sede da Interpol em Lyon, atuando como diretor de combate ao crime organizado e como diretor-adjunto para Comunidades Vulneráveis, com foco no enfrentamento ao tráfico de pessoas e a crimes contra crianças.
Em 2021, foi eleito vice-presidente para as Américas no Comitê Executivo da organização, cargo que ocupou até assumir a secretaria-geral. Natural de São Luís, no Maranhão (MA), formado em Direito pela Universidade de Fortaleza, Urquiza mudou-se com a família para Lyon, na França, ao assumir o novo posto.
O mandato, iniciado em 7 de novembro de 2024, vai até 2030 e inclui a condução do novo planejamento estratégico da organização para o período de 2026 a 2030, com foco em cooperação internacional, suporte investigativo e modernização tecnológica.
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