Enem, Sisu, Prouni e Fies surgiram em momentos diferentes e hoje funcionam de forma integrada no acesso ao ensino superior. O Enem é o elo entre eles: a nota do exame dá acesso às vagas públicas do Sisu, às bolsas do Prouni e ao financiamento do Fies.
O primeiro a surgir foi o Enem, em 1998. Depois vieram o Fies, em 1999, o Prouni, em 2004, e o Sisu, em 2010. Desde então, as regras dos quatro programas mudaram várias vezes.
Confira, a seguir, como cada um nasceu, o que mudou ao longo dos anos e como eles funcionam hoje.
Enem: de avaliação do ensino médio a seleção para a faculdade
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado pelo Ministério da Educação (MEC), no governo Fernando Henrique Cardoso, para avaliar o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica. A primeira edição tinha uma prova com 63 questões, sem a divisão por disciplinas comum nos vestibulares, e uma redação.
O exame ganhou outro peso com a chegada do Prouni, que passou a usar a nota para distribuir bolsas. O número de inscritos, que tinha caído para cerca de 1,55 milhão em 2004, superou 3 milhões em 2005. Um estudo sobre o período aponta o Prouni como provável causa do salto, em um ano em que mais da metade dos participantes também teve isenção da taxa.
Em 2009, o MEC reformulou o Enem para que ele passasse a servir como forma de seleção para as universidades. A prova ficou com 180 questões, divididas em quatro áreas de 45 questões cada, além da redação, aplicadas em um sábado e um domingo. No mesmo ano, o exame começou a certificar a conclusão do ensino médio para maiores de 18 anos.
A partir de 2017, a aplicação passou para dois domingos seguidos. A redação foi para o primeiro dia, ao lado de Linguagens e Ciências Humanas, e o segundo dia ficou com Matemática e Ciências da Natureza. O formato segue no Enem 2026, marcado para 8 e 15 de novembro.
Ainda em 2017, a certificação do ensino médio deixou o Enem e ficou só com o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). O Enem voltou a certificar em 2025.
Pelo edital do Enem 2026, o candidato à certificação precisa ter 18 anos completos até o primeiro dia de prova e não pode estar concluindo o ensino médio em 2026. Também precisa de 450 pontos em cada área e 500 na redação.
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O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) foi criado em 27 de maio de 1999, pela Medida Provisória nº 1.827, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. A medida foi convertida na Lei nº 10.260, de 2001. O programa financia estudantes de graduação em instituições privadas participantes.
O Fies substituiu o Programa de Crédito Educativo (Creduc), que funcionava desde 1976, no governo Ernesto Geisel. A medida provisória de 1999 proibiu novos contratos no programa antigo.
Até 2017, o fundo tinha outro nome: Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior. Veja as principais mudanças do programa desde a criação:
| Ano | O que mudou no Fies |
|---|---|
| 2009 | A carência para começar a pagar subiu de 6 para 18 meses após a formatura. |
| 2010 | Os juros caíram de 6,5% para 3,4% ao ano, inclusive nos contratos já assinados, e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) passou a operar o programa. |
| 2015 | O programa passou a exigir média mínima de 450 pontos no Enem e nota acima de zero na redação. Os juros voltaram a 6,5% ao ano. |
| 2017 | A Medida Provisória nº 785 lançou o chamado Novo Fies, com modalidades conforme a renda e um fundo garantidor com participação das faculdades. A reforma também deu ao fundo o nome atual. |
| 2018 | As novas regras passaram a valer para os contratos assinados a partir desse ano. |
A exigência de nota no Enem continua em vigor. Nas regras atuais, outro requisito é a renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos.
O programa conta ainda com o Fies Social. Na seleção das vagas remanescentes do segundo semestre de 2026, o edital reserva metade das vagas para estudantes com renda por pessoa de até meio salário mínimo e inscrição atualizada no Cadastro Único (CadÚnico). Nessa modalidade, é possível financiar até 100% dos encargos educacionais.

Prouni: bolsas em faculdades particulares
O Programa Universidade para Todos (Prouni) foi criado em setembro de 2004, pela Medida Provisória nº 213, no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A medida virou a Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005.
O programa oferece bolsas em cursos de graduação de instituições privadas, com base na nota do Enem. Pela lei, a bolsa integral vai para quem tem renda familiar mensal por pessoa de até um salário mínimo e meio. Já a bolsa parcial, de 50%, atende quem tem renda de até três salários mínimos por pessoa. Em ambos os casos, o candidato não pode ter diploma de curso superior.
Em 2022, a Lei nº 14.350 abriu o programa para quem cursou o ensino médio em escola particular sem bolsa ou com bolsa parcial. Esses candidatos ficam no fim da ordem de prioridade, depois dos professores da rede pública e dos estudantes que vieram de escola pública.
Sisu: seleção unificada para universidades públicas
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) entrou no ar em janeiro de 2010, também no governo Lula, instituído pela Portaria Normativa nº 2 do MEC, de 26 de janeiro daquele ano.
Pelo sistema, o estudante usa a nota do Enem para disputar vagas em instituições públicas de ensino superior. Como essas instituições são gratuitas, o Sisu não oferece bolsas: ele seleciona os candidatos para as vagas.
Em 2025 e em 2026, o Sisu teve uma única etapa de inscrição por ano, com vagas para o ano letivo inteiro. A edição de 2026 ofereceu mais de 274 mil vagas em 136 instituições públicas e foi a primeira a considerar as três últimas edições do Enem, usando a de melhor média.
Quem pode usar a nota do Enem no Sisu, no Prouni e no Fies
Nem todo participante do Enem pode usar a nota nesses programas. Pelas regras de 2026, treineiro é quem tem menos de 18 anos no primeiro dia de prova e só conclui o ensino médio depois de 2026.
O resultado dele não pode ser usado para entrar no ensino superior, para programas de bolsa ou financiamento nem para certificar o ensino médio. Ele serve apenas como autoavaliação e sai 60 dias depois do resultado geral.
Essa restrição não se aplica a quem conclui o ensino médio no mesmo ano do exame. Além disso, cada programa tem regras próprias, como limite de renda e nota mínima, definidas no edital de cada seleção.
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