Proteção de crianças no ambiente digital, saúde mental dos adolescentes, inteligência artificial, eventos climáticos, violência escolar e trabalho análogo à escravidão estão entre os assuntos apontados por especialistas como possíveis caminhos para a redação do Enem 2026.
As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro. O Inep, porém, não antecipa o tema da redação. Por isso, as previsões devem servir como estratégia de preparação, e não como garantia do assunto que aparecerá no exame.
A redação exige um texto dissertativo-argumentativo e avalia cinco competências, incluindo domínio da escrita formal, desenvolvimento dos argumentos, coesão e elaboração de uma proposta de intervenção.
Diante disso, mais importante do que tentar acertar o tema é entender por que determinados assuntos estão em evidência, quais repertórios podem fortalecer a argumentação e quais soluções poderiam ser apresentadas.
Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital
O acesso cada vez mais precoce à internet ampliou as possibilidades de comunicação e aprendizagem, mas também expôs crianças e adolescentes a problemas como cyberbullying, coleta de dados, conteúdos inadequados e uso excessivo das redes sociais.
O que torna o tema atual?
Um dos principais acontecimentos recentes foi a entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em março de 2026.
A legislação estabelece medidas de proteção para menores no ambiente online e amplia a discussão sobre as responsabilidades de famílias, Estado e empresas de tecnologia.
Repertórios para a argumentação
O livro “A Geração Ansiosa”, de Jonathan Haidt, pode ajudar na construção dos argumentos. O autor relaciona a hiperconexão de crianças e adolescentes a consequências como privação do sono, isolamento social e fragmentação da atenção.
O próprio ECA Digital também pode funcionar como repertório legislativo. Outra possibilidade é a série “Adolescência”, que permite discutir a influência de ambientes digitais sobre jovens.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Possíveis propostas de intervenção
O candidato pode defender programas de letramento digital nas escolas, campanhas de orientação às famílias e mecanismos de fiscalização das plataformas. Outra possibilidade seria ampliar ações que ensinem crianças e adolescentes a reconhecer riscos no ambiente virtual.
Saúde mental dos adolescentes na era das telas
Ansiedade, excesso de estímulos, comparação nas redes sociais e pressão por desempenho fazem parte de outro debate que dialoga diretamente com a realidade dos jovens.
O que torna o tema atual?
A discussão ganhou força com medidas relacionadas ao uso de celulares no ambiente escolar. A Lei nº 15.100/2025 restringiu o uso de aparelhos eletrônicos pessoais em escolas públicas e privadas da educação básica.
O tema permite discutir como o uso problemático das telas pode afetar concentração, sono, convivência e bem-estar emocional.
Dados e repertórios para a argumentação
Além de “A Geração Ansiosa”, o candidato pode pesquisar levantamentos como a TIC Kids Online Brasil, que acompanha o uso da internet por crianças e adolescentes.
Também é possível relacionar a discussão às leis recentes sobre proteção de menores no ambiente digital e uso de aparelhos eletrônicos nas escolas.
Possíveis propostas de intervenção
Uma intervenção pode envolver Ministério da Educação, redes de ensino e comunidade escolar, com programas de educação digital, espaços de escuta e acolhimento psicológico e campanhas destinadas às famílias sobre o uso equilibrado das telas.
Eventos climáticos extremos desafiam as cidades brasileiras
Enchentes, ondas de calor, secas e outros eventos extremos mantêm a questão climática entre os assuntos que merecem atenção.
O que torna o tema atual?
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 mostraram como um desastre climático pode afetar milhões de pessoas e expor problemas de infraestrutura, prevenção e ocupação de áreas vulneráveis.
O assunto permite discutir também como populações socialmente vulneráveis podem sofrer de maneira mais intensa os impactos desses eventos. O eixo ambiental aparece entre os campos que podem ampliar o repertório do candidato.
Dados e repertórios para a argumentação
Entre os repertórios possíveis estão o documentário “Todos Nós por Nós”, sobre as ações de resgate e reconstrução após as enchentes gaúchas, e o livro “Inundadas”, de Renata Dal Sasso.
Outro conceito útil é o de racismo ambiental, que permite discutir a distribuição desigual dos impactos socioambientais entre diferentes grupos da população.
Possíveis propostas de intervenção
O candidato pode propor investimentos em sistemas de alerta precoce, mapeamento e fiscalização de áreas de risco, infraestrutura urbana preparada para eventos extremos e políticas habitacionais destinadas às famílias que vivem em regiões vulneráveis.
Inteligência artificial pode render discussão sobre verdade e desinformação
A inteligência artificial ganhou espaço na educação, no trabalho e na produção de conteúdo. Com ela, também aumentou a circulação de imagens, áudios e vídeos artificialmente produzidos.
IA, deepfakes e desinformação estão entre os debates atuais que podem ajudar o candidato a ampliar o repertório para a prova.
O que torna o tema atual?
Ferramentas de IA generativa conseguem produzir conteúdos cada vez mais realistas. Isso amplia o desafio de identificar o que é verdadeiro, manipulado ou totalmente fabricado.
A discussão pode envolver ainda algoritmos, proteção de dados e influência das grandes plataformas sobre o comportamento dos usuários.
Repertórios para a argumentação
Uma referência é “Infocracia”, de Byung-Chul Han, que discute informação, dados e novas formas de poder.
Também podem ser utilizados o documentário “O Dilema das Redes” e conceitos como deepfake, inteligência artificial generativa, viés algorítmico e educação midiática.
Possíveis propostas de intervenção
O candidato pode defender a inclusão da educação midiática e digital nas escolas, capacitando estudantes para verificar fontes e identificar conteúdos manipulados.
Outra possibilidade é discutir medidas de transparência e identificação de conteúdos produzidos por inteligência artificial.
Trabalho análogo à escravidão permanece como problema social

Imagem: Blog Pensar Cursos
O trabalho em condições análogas à escravidão também aparece entre as apostas por permitir uma discussão sobre desigualdade, vulnerabilidade social e direitos trabalhistas.
O que torna o tema atual?
Fiscalizações continuam identificando trabalhadores submetidos a condições degradantes em diferentes atividades econômicas.
Esse cenário permite relacionar um problema histórico brasileiro a questões atuais, como pobreza, baixa escolaridade, informalidade e dificuldade de acesso a oportunidades profissionais.
Dados e repertórios para a argumentação
Uma referência literária é “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. O personagem Fabiano permite discutir vulnerabilidade e exploração do trabalhador rural.
A Constituição Federal e a legislação trabalhista também podem fornecer repertórios relacionados à dignidade humana e aos direitos do trabalhador.
Possíveis propostas de intervenção
Entre as alternativas estão fortalecimento da fiscalização trabalhista, ampliação de canais de denúncia e programas de qualificação e reinserção profissional para trabalhadores resgatados.
Violência escolar vai além dos ataques às instituições
Outro assunto apontado como possível é a violência no ambiente escolar.
O que torna o tema atual?
A discussão não se restringe aos ataques de maior repercussão. Bullying, agressões, violência psicológica, exclusão social e discursos de ódio também fazem parte do cotidiano escolar.
O próprio levantamento de temas atuais destaca que essa discussão pode envolver convivência, saúde emocional, cidadania e o papel formativo das instituições de ensino.
Repertórios para a argumentação
A série “Adolescência” pode ajudar a discutir radicalização digital e influência de comunidades virtuais sobre jovens.
Também é possível recorrer ao ECA para abordar o direito de crianças e adolescentes à proteção e ao desenvolvimento.
Possíveis propostas de intervenção
As escolas podem desenvolver programas permanentes de combate ao bullying, ampliar o acompanhamento psicológico, capacitar professores para identificar situações de risco e criar canais seguros para denúncias.
Outros temas também estão no radar para a redação do Enem 2026
As possibilidades não terminam nesses assuntos. Outros debates atuais também podem ajudar o estudante a ampliar seu repertório:
| Tema para treinar | Possível abordagem | Repertório possível |
|---|---|---|
| Padrões estéticos de magreza | Saúde, pressão estética e mercado do bem-estar | “O Culto ao Bem-estar” e “A Substância” |
| Misoginia e radicalização digital | Violência de gênero e discursos de ódio | Simone de Beauvoir e “Adolescência” |
| Gentrificação e déficit habitacional | Direito à moradia e especulação imobiliária | “Aquarius” e “O Direito à Cidade” |
| Mulheres na ciência | Invisibilidade e desigualdade de gênero | “Cartas para minha avó” |
| Participação social | Cidadania e democracia | “Cidadania no Brasil: o longo caminho” |
| Crianças em situação de rua | Pobreza, abandono e exclusão | “Capitães da Areia” e ECA |
| Desinformação digital | Fake news e educação midiática | “Nexus” e “O Dilema das Redes” |
| Violência sexual infantil | Proteção da infância e combate à impunidade | ECA e “Preciosa” |
| Alcoolismo | Saúde pública e dependência | “A morte e a morte de Quincas Berro D’Água” |
Esporte pode aparecer associado à inclusão social
A realização da Copa do Mundo masculina em 2026 e a proximidade da Copa do Mundo feminina, que será sediada pelo Brasil em 2027, colocam o esporte novamente no centro das discussões.
Uma eventual proposta poderia abordar desigualdade no acesso às práticas esportivas, esporte como ferramenta de inclusão, racismo, capacitismo ou saúde mental dos atletas.
Como repertório, o candidato pode recorrer a produções sobre a trajetória de atletas brasileiros, como “Pelé”, além de dados e reportagens sobre esporte de base e políticas públicas de incentivo.
Entre as intervenções possíveis estão ampliação de projetos esportivos em escolas e comunidades, recuperação de equipamentos públicos e incentivo à prática esportiva para crianças e adolescentes.
Neurodivergência pode render discussão sobre inclusão
Os direitos das pessoas neurodivergentes também podem entrar no radar. Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, dislexia e outras condições podem enfrentar barreiras na escola, no mercado de trabalho e em diferentes espaços sociais.
Uma redação poderia discutir a diferença entre garantir direitos na legislação e assegurar a inclusão efetiva na vida cotidiana.
Nesse caso, as propostas de intervenção podem envolver formação de professores e profissionais, adaptação dos ambientes, ampliação da acessibilidade e campanhas de combate ao capacitismo.
Microplásticos ampliam as possibilidades do eixo ambiental
Além dos desastres climáticos, outro recorte ambiental que pode ser usado nos treinos é a poluição causada por microplásticos.
O assunto permite discutir produção e consumo excessivos de plástico, descarte inadequado, impactos sobre a biodiversidade e possíveis consequências para a saúde humana.
Na intervenção, o candidato poderia trabalhar com educação ambiental, redução do uso de plásticos descartáveis, fiscalização do descarte de resíduos e incentivo ao desenvolvimento de materiais alternativos.
Como estudar possíveis temas sem decorar redações?
O estudante não precisa preparar um texto pronto para cada possível tema. Uma estratégia mais eficiente é organizar os assuntos em grandes eixos temáticos.
Direitos e cidadania, saúde, educação, tecnologia e comportamento aparecem entre os campos recorrentes que ajudam a organizar a preparação.
Para cada eixo, vale montar um pequeno banco com dados, leis, livros, filmes, acontecimentos históricos e conceitos que o candidato realmente saiba explicar.
Depois, a prática pode seguir quatro perguntas:
- Qual é o problema?
- Quais fatores ajudam a explicá-lo?
- Quais consequências ele provoca?
- Quem poderia agir e de que forma?
Essa estratégia permite adaptar o conhecimento a diferentes propostas e evita o chamado repertório “decorado”, inserido no texto sem relação efetiva com o argumento.
Treino deve incluir proposta de intervenção
A preparação também precisa reservar espaço para a conclusão.
A redação do Enem exige uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido. Por isso, ao praticar cada tema, o estudante pode pensar em quem deve agir, o que deve fazer, como a ação poderá ser executada e qual resultado pretende alcançar.
Além disso, vale escrever regularmente, analisar redações bem avaliadas e simular as condições do exame. O material de preparação recomenda treino semanal, construção de repertório diversificado e exercícios com tempo controlado.
Curso gratuito ajuda a treinar para a redação
Quem deseja reforçar a preparação pode recorrer ao curso Redação – Preparatório Enem, disponível gratuitamente no Pensar Cursos.
A formação possui 30 horas e aborda planejamento, organização do texto, desenvolvimento, conclusão, raciocínio lógico, pontuação, regência e concordância verbal.
Mais do que conhecer as apostas, treinar diferentes assuntos ajuda o estudante a chegar ao Enem preparado para organizar argumentos, mesmo que encontre na prova um tema que não estava entre suas previsões.
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E tem mais: saber antecipadamente onde será a prova ajuda a evitar imprevistos no dia do exame. No vídeo abaixo, veja o passo a passo para consultar o local de prova do Enem 2026 e confira onde encontrar essa informação:

















