A expressão “entrar para dentro” aparece com frequência na fala e desperta dúvida sobre o que a gramática determina. O uso é tão comum que costuma passar despercebido, inclusive em redações escolares e mensagens de trabalho.
A dúvida se mantém porque a construção não soa estranha ao ouvido, mesmo repetindo uma informação já dada. Confira, a seguir, o que a norma-padrão estabelece.
O que a norma-padrão estabelece sobre essa construção
As duas classificações se somam: a expressão é uma redundância e, por isso mesmo, é tratada como erro nos textos que seguem a norma-padrão, embora não seja apontada como desvio na fala do dia a dia.
O verbo “entrar” já carrega o sentido de deslocamento para o interior de algo, e o complemento “para dentro” apenas devolve essa informação. A gramática normativa classifica o caso como pleonasmo vicioso, e a orientação é cortar o complemento em textos que exigem a norma-padrão.
O mesmo ocorre em expressões como “sair para fora” e “subir para cima”, nas quais há repetição de informações já contidas nos próprios verbos. Em textos formais, a recomendação é optar por construções mais objetivas, eliminando redundâncias que possam comprometer a clareza e a concisão da mensagem.

Imagem: Magnific
Exemplos de outras construções redundantes
- Amanhecer o dia: o verbo “amanhecer” já indica o início do dia.
- Elo de ligação: “elo” já transmite a ideia de conexão ou ligação.
- Consenso geral: “consenso” corresponde a um acordo entre as partes, tornando “geral” redundante.
- Ver ao vivo: em alguns contextos, a expressão pode ser considerada redundante, já que “ver” pressupõe acompanhar algo diretamente.
Pleonasmo literário: quando a repetição é recurso estilístico
Em alguns contextos, o pleonasmo não é considerado um erro, mas um recurso expressivo. Quando empregado de forma intencional, ele pode reforçar uma ideia, criar efeito de intensidade ou destacar determinada emoção.
Construções como “entrou lá dentro da casa misteriosa”, por exemplo, podem assumir função estilística conforme o contexto em que são utilizadas. Esse uso aparece com frequência na literatura, na poesia e também em letras de músicas.
Diferentemente do pleonasmo vicioso, que repete uma informação sem necessidade, o pleonasmo literário é utilizado de maneira consciente para dar mais força, ritmo ou expressividade à mensagem.
- Fernando Pessoa: “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.”
- Gonçalves Dias: “Morrerás morte vil na mão de um forte.”
- Alberto de Oliveira: “Quando com os olhos eu quis ver de perto.”
- Manuel Bandeira: “Chovia uma triste chuva de resignação.”
Pleonasmo e redundância: são a mesma coisa?
O pleonasmo ocorre quando há repetição de uma mesma ideia dentro da frase. Já a redundância é um conceito mais amplo e pode aparecer em diferentes partes de um texto ou discurso. Assim, todo pleonasmo envolve redundância, mas nem toda repetição redundante pode ser classificada especificamente como pleonasmo.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Evitar pleonasmos viciosos contribui para uma comunicação mais clara, objetiva e adequada à norma-padrão. Expressões como “regressar de volta” e “adicionar mais”, por exemplo, podem ser substituídas por formas mais simples e diretas, especialmente em textos escolares, acadêmicos e profissionais.
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