O modelo de trabalho home office faz parte da rotina de milhões de brasileiros, mas a prática não se distribui de forma igual pelo país.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta quarta-feira (23) mostra que 6,65 milhões de pessoas tinham a própria residência como principal local de trabalho em 2025.
Os dados também indicam quais capitais reúnem mais profissionais nessa modalidade e em quais cidades ela pesa mais no mercado. Continue a leitura para saber mais detalhes.
Número revelado pelo IBGE
As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), no módulo sobre características adicionais do mercado de trabalho. De acordo com o levantamento, os 6,65 milhões de brasileiros em home office representam 7,9% da população ocupada.
O percentual, porém, não abarca todo o trabalho remoto. O instituto pergunta ao entrevistado onde ele exerce a atividade na maior parte do tempo. Por isso, quem atua em regime híbrido e passa mais dias na sede da empresa pode ter indicado o escritório como resposta.
A maioria dos ocupados continua trabalhando fora de casa. Cerca de 60% atuavam no estabelecimento do próprio negócio, enquanto 13,8% trabalhavam em locais definidos pelo patrão ou cliente, e 8,4% estavam em áreas rurais, como fazendas, granjas e chácaras.
O home office, com 7,9%, aparece à frente de quem trabalha em veículos (5%) e em espaços públicos (2,1%).
São Paulo lidera em número de pessoas
Quando o levantamento considera apenas a quantidade de trabalhadores, São Paulo aparece na frente entre as capitais, com 543 mil pessoas trabalhando principalmente de casa. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 287 mil, e Belo Horizonte ocupa a terceira posição, com 168 mil.
A capital mineira ultrapassou Fortaleza, que estava entre as três primeiras de 2022 a 2024 e registrou 117 mil em 2025. Brasília (122 mil), Porto Alegre (115 mil) e Curitiba (106 mil) também constam na lista.
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ENTRAR NOS GRUPOS →A liderança paulistana se explica pelo tamanho da cidade, que reúne o maior número de trabalhadores do país. Ainda assim, o contingente em home office vem encolhendo. Eram 887 mil pessoas em 2022, 635 mil em 2023, 586 mil em 2024 e 543 mil em 2025, uma redução de 344 mil em três anos.
Porto Alegre lidera em proporção
O resultado muda quando o IBGE compara o home office com o total de ocupados de cada cidade. Nesse critério, o que conta é quantos trabalhadores, em cada 100, atuam de casa, e não o volume de pessoas. Por isso, uma cidade menor pode aparecer no topo mesmo com menos gente em home office.
É o caso de Porto Alegre. Na capital gaúcha, 18,7% dos ocupados trabalhavam principalmente de casa em 2025, o que equivale a quase 1 em cada 5 pessoas empregadas. Como o mercado de trabalho da cidade é bem menor que o paulistano, os 115 mil em home office têm peso maior no total. Recife aparece em seguida, com 15,4%, e Belo Horizonte, com 15,2%.
Florianópolis, que liderava a lista nos três anos anteriores, foi para a quarta posição. O percentual na capital catarinense passou de 19,8% em 2022 para 13,7% em 2025. O Rio de Janeiro está na 12ª colocação, com 10,3%.
Já São Paulo ocupa apenas a 18ª posição, com 9,3%. Apesar de ter o maior número de pessoas em home office, a modalidade representa uma parte menor dos ocupados da cidade, pois o total de trabalhadores paulistanos é muito maior. Em 2022, o percentual era de 15,9%, e a capital estava entre as três primeiras do ranking.

Situação da modalidade home office após a pandemia
A série histórica da pesquisa começou em 2012, quando 3,6% dos ocupados trabalhavam principalmente de casa. Em 2019, o índice chegou a 5,8%. Os levantamentos de 2020 e 2021 foram interrompidos durante a pandemia, e a retomada, em 2022, mostrou o maior patamar da série, de 8,4%.
Depois desse pico, a proporção recuou de forma gradual, para 8,2% em 2023 e 7,9% em 2024, e permaneceu em 7,9% em 2025.
Os dados indicam, portanto, que o salto registrado nos anos de emergência sanitária perdeu parte da força, mas o home office se firmou em um nível bem acima do observado no início da pesquisa e antes da pandemia.
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