A letra h não representa som próprio no português, mas aparece em muitas palavras por razões históricas. A regra oficial está na Base II do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, incorporado ao ordenamento brasileiro pelo Decreto 6.583/2008. A Base II lista quatro usos: h inicial por etimologia, h inicial por convenção, h suprimido em palavras derivadas e h final em interjeições.
Palavras que começam com h por etimologia
Pelo item 1º-a da Base II, o h inicial se mantém “por força da etimologia” em palavras como “haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor”. A letra conserva a marca do étimo latino ou grego da palavra, mesmo quando não tem valor fonético no português.
A mesma Base II admite, no item 1º-b, o h inicial em interjeições “em virtude de adoção convencional”: “hã?, hem?, hum!”. Nesses casos, o h não vem de uma raiz histórica, mas de uma escolha ortográfica para marcar a interjeição.
Desumano, reaver e desarmonia perdem o h
O item 2º-b retira o h quando, “por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente”. A Base II lista como exemplos “desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver”. A palavra “humano” tem h, mas o composto “desumano” não; o verbo “haver” tem h, mas “reaver”, formado com o prefixo re-, perde a letra. O mesmo vale para “reabilitar” (de hábil) e “inábil” (também de hábil).
O item 2º-a trata de supressões consagradas pelo uso: a Base II dá como exemplo “erva, em vez de herva”, e os derivados “ervaçal, ervanário, ervoso”, mantidos sem h “em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita”. É o caso em que o convívio secular dispensou a letra, enquanto a família erudita a conservou. A dupla “úmido” e “húmido”, registrada em dicionários do Brasil e de Portugal, segue a mesma lógica da supressão por uso.
Compostos com hífen conservam o h
O item 3º garante que “o h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que está ligado ao anterior por meio de hífen”. A Base II dá os exemplos “anti-higiênico, contra-haste, pré-história, sobre-humano”. A regra explica por que “sobre-humano” conserva o h, enquanto “desumano” não: o hífen separa os elementos, de modo que o segundo mantém a grafia própria, com h.
Interjeições com h final
O item 4º registra o único caso de h no fim da palavra: “o h final emprega-se em interjeições: ah! oh!”. Fora das interjeições, nenhuma palavra do português brasileiro atual conserva o h ao fim; vocabulários como “fé” ou “pé”, por exemplo, nunca receberam a letra em posição final. Outras bases do Acordo tratam de pontos próximos: a Base XII fixa o uso do acento grave em contrações.
Teste rápido com cinco palavras
Com os quatro casos no lugar, veja onde cada palavra se encaixa.
| Palavra | Tem h? | Base II |
|---|---|---|
| hoje | sim | item 1º-a |
| desumano | não | item 2º-b |
| sobre-humano | sim | item 3º |
| reaver | não | item 2º-b |
| ah | sim, final | item 4º |
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A Base II não trata do h em nomes próprios como Bahia, nem lista todos os compostos possíveis. A ortografia de cada caso particular segue o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, que é a referência oficial de palavras isoladas no português brasileiro.
Fontes consultadas
- Decreto 6.583/2008, Anexo I, Base II do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Legislação Informatizada da Câmara): camara.leg.br.

















