Seis em cada dez estudantes concluem o ensino médio com aprendizagem classificada como abaixo do básico, segundo levantamento do Todos Pela Educação baseado no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) entre 2005 e 2025.
Essa análise mostra que a maioria dos alunos finaliza a educação básica sem o domínio esperado em Português e Matemática. O estudo avalia também o desempenho no 5º e 9º ano do ensino fundamental, trazendo dados que contrastam avanços iniciais com estagnação no final da trajetória escolar.
A mensuração do aprendizado é realizada a partir dos níveis “Adequado” e “Abaixo do Básico”, metodologia amparada nos indicadores do Plano Nacional de Educação e aplicada à rede pública de ensino em todo o país.
Como evoluíram os níveis de aprendizagem no ensino fundamental?
Nos últimos 20 anos, a proporção de alunos do 5º ano do ensino fundamental com aprendizado adequado subiu de 22,4% para 60,7% em língua portuguesa e de 14,8% para 50,6% em matemática, segundo resultados do Saeb compilados pelo Todos Pela Educação.
Esses indicadores evidenciam ganhos consistentes nos anos iniciais, especialmente na língua portuguesa. A melhora acompanha iniciativas públicas, investimentos e foco dos gestores em políticas para os primeiros anos do ensino fundamental.
O 9º ano, por outro lado, apresenta evolução mais lenta: em português, a porcentagem de aprendizado adequado cresceu de 14,5% para 38,3%. Em matemática, o índice passou de 7,9% para apenas 18,8%, um aumento de pouco mais de 10 pontos percentuais em duas décadas.
Qual é o cenário no término do ensino médio?
Ao final do ensino médio, apenas 35,2% dos alunos atingem aprendizado considerado adequado em língua portuguesa, enquanto em matemática o índice é de apenas 8,5%, patamar quase estável desde 2005.
O levantamento indica que, mesmo após uma trajetória escolar completa, a deficiência no aprendizado é mais evidente em matemática. Isso evidencia desafios na consolidação de conhecimentos fundamentais e acende um alerta para o poder público, conforme defende o diretor do Todos Pela Educação.
Essas dificuldades são reflexo de estagnação e, em alguns casos, retrocesso no desempenho dos anos finais, exigindo atenção maior a políticas de valorização da etapa e de reforço escolar.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Desempenho varia entre estados e regiões?

O estudo mostra disparidades regionais significativas. No 5º ano do fundamental, estados como Paraná (76,3%), Ceará (72,1%) e Santa Catarina (69%) apresentam maiores percentuais de estudantes com aprendizado adequado em português. Roraima (45,9%), Rio Grande do Norte (45,1%) e Sergipe (44,7%) figuram entre os menores índices.
No 9º ano, Paraná, Ceará e Goiás lideram com patamares acima de 48% em português, enquanto Maranhão, Bahia e Roraima ficam abaixo de 26%.
A pesquisa destaca também o avanço de estados como Espírito Santo e Piauí, cujas redes públicas têm superado a média nacional. Outros estados, entretanto, permanecem estagnados ou perderam qualidade, demandando foco em ações regionais personalizadas.
O que motiva os desafios do ensino médio?
A queda no desempenho escolar ao final da educação básica reflete fatores como evasão, desmotivação e dificuldade na transição para conteúdos mais complexos, sobretudo em matemática. Essa deficiência impacta diretamente o preparo para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares e inserção no mercado de trabalho.
Especialistas apontam a necessidade de políticas afirmativas, reforço escolar e maior integração com a família e a comunidade escolar para reverter esse quadro.
A reestruturação curricular do ensino médio também é apontada como caminho para motivar o jovem e oferecer alternativas formativas compatíveis com seus interesses e necessidades profissionais.
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