As letras K, W e Y fazem parte do alfabeto da língua portuguesa, mas só podem ser usadas em situações específicas. Afinal, elas não aparecem em palavras de origem portuguesa, como “casa”, “vida” ou “ilha”.
Além disso, a dúvida sobre a classificação dessas letras é comum, porque o som de cada uma muda conforme a palavra. Confira, a seguir, onde usar K, W e Y, se elas são consoantes ou vogais e os cuidados com símbolos e nomes próprios.
Regras de uso e classificação das letras K, W e Y
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, promulgado no Brasil pelo Decreto nº 6.583/2008, define na Base I os três casos especiais em que essas letras são usadas.
1. Nomes de pessoas de outras línguas e seus derivados
O primeiro caso inclui os nomes de pessoas originários de outras línguas, chamados de antropônimos, e as palavras formadas a partir deles. O próprio Acordo traz estes exemplos:
- Franklin e frankliniano;
- Kant e kantismo;
- Darwin e darwinismo;
- Wagner e wagneriano;
- Byron e byroniano;
- Taylor e taylorista.
2. Nomes de lugares de outras línguas e seus derivados
Da mesma forma, as letras aparecem em nomes de lugares estrangeiros, chamados de topônimos, e nas palavras derivadas deles. Os exemplos do Acordo são:
- Kwanza;
- Kuwait e kuwaitiano;
- Malawi e malawiano.
3. Siglas, símbolos e unidades de medida
Por fim, K, W e Y são usadas em siglas, símbolos e unidades de medida de uso internacional. Entre os exemplos do Acordo estão:
- K, símbolo químico do potássio (do latim kalium);
- W, símbolo do ponto cardeal oeste (do inglês West);
- kg (quilograma), km (quilômetro) e kW (quilowatt);
- yd, símbolo da jarda (do inglês yard).
K, W e Y são consoantes ou vogais?
Antes de responder, é preciso separar letra de som. A classificação em vogal, semivogal ou consoante vale para o som, e não para a letra. Por isso, a mesma letra pode ter classificações diferentes, conforme a palavra.
O K representa sempre um som de consoante. Em “Kant” e “kantismo”, ele tem o mesmo som do C em “casa” e do QU em “quero”.
Já o W muda conforme a pronúncia. Em “Wagner” e “wagneriano”, ele tem som de V e, portanto, funciona como consoante. Em “Darwin”, por outro lado, o W tem som de U e forma ditongo com a vogal seguinte, por isso funciona como semivogal.
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ENTRAR NOS GRUPOS →O Y, por sua vez, costuma ter som de I. Ele funciona como vogal quando é o centro da sílaba, como em “hobby”. Já em “Taylor”, o Y se junta ao A e forma ditongo, atuando como semivogal. Em “Byron”, o Y sozinho representa o ditongo “ai”.
Quando as letras entraram no alfabeto
As letras K, W e Y passaram a integrar oficialmente o alfabeto com o Acordo Ortográfico de 1990. No Brasil, o acordo produz efeitos desde 1º de janeiro de 2009, conforme o art. 2º do Decreto nº 6.583/2008.
Mesmo assim, houve um período de transição, em que a norma antiga e a nova conviveram. Esse prazo terminava em 31 de dezembro de 2012, mas foi prorrogado até 31 de dezembro de 2015 pelo Decreto nº 7.875/2012.
Com a mudança, o alfabeto passou a ter 26 letras. Além delas, a língua usa o Ç e os dígrafos rr, ss, ch, lh, nh, gu e qu, que não entram nessa contagem.

Como se chamam as letras K, W e Y
O Acordo também sugere um nome para cada letra:
- K: capa ou cá;
- W: dáblio;
- Y: ípsilon.
O texto ressalva, porém, que esses nomes não excluem outras formas de chamar as letras.
Derivados, nomes próprios e estrangeirismos
Quando uma palavra deriva de um nome próprio estrangeiro, ela mantém as combinações de letras e os sinais do nome original.
É o que determina o item 3º da Base I, com exemplos como comtista (de Comte), garrettiano (de Garrett) e mülleriano (de Müller).
Nomes de pessoas e marcas registradas
Muitos brasileiros têm nomes com K, W ou Y, como Wellington, Kátia e Yasmin. Nesse caso, vale a Base XXI do Acordo: para preservar direitos, cada pessoa pode manter a grafia que adota na assinatura do nome, por costume ou registro legal.
Da mesma forma, empresas, sociedades, marcas e títulos inscritos em registro público podem manter a grafia original.
Palavras estrangeiras do dia a dia
Termos como “marketing”, “delivery” e “download” também levam essas letras. No entanto, o Acordo não lista os estrangeirismos entre os casos de uso de K, W e Y. Na prática, essas palavras mantêm a grafia original porque continuam sendo palavras de outra língua.
Cuidados ao escrever símbolos de medida
O uso das letras em unidades de medida também segue regras técnicas. De acordo com o Quadro Geral de Unidades de Medida do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), os símbolos são escritos em letra minúscula. Por isso, o correto é “kg” e “km”, e não “Kg” e “Km”.
A exceção ocorre quando a unidade vem de um nome próprio. É o caso do watt, cujo símbolo é W maiúsculo. Ainda assim, o nome da unidade, por extenso, é escrito com letra minúscula: watt, e não Watt.
Além disso, os símbolos não vão para o plural nem levam ponto. Assim, o correto é escrever “10 km”, e não “10 kms” ou “10 km.”.
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