No dia 28 de julho é comemorado o Dia do Agricultor, data que marca a atividade do profissional que trabalha na terra e contribui para parte da produção de alimentos consumidos pela população. Mas você sabe por que foi escolhida essa data? A seguir, veja o que diz o decreto de 1960 que explica o motivo da celebração.
Por que o Dia do Agricultor é celebrado em 28 de julho?
A data tem origem em um ato assinado pelo então presidente da República, Juscelino Kubitschek. Trata-se do Decreto nº 48.630, de 27 de julho de 1960, publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia seguinte, que instituiu oficialmente o “Dia do Agricultor” em todo o território nacional.
O texto do decreto apresenta três justificativas para a criação da data:
- A primeira reconhece que o país deve boa parte de sua prosperidade à economia agrícola.
- A segunda afirma ser de justiça homenagear quem se dedica ao cultivo da terra, transformando os recursos naturais em riqueza.
- A terceira justificativa é a que explica diretamente a escolha do dia 28 de julho: nessa data, em 1960, comemorava-se o centenário do Ministério da Agricultura, ou seja, cem anos desde a criação da pasta responsável pelos assuntos agrícolas no Brasil.
Foi em razão dessa efeméride que o governo decidiu unir as duas homenagens em uma só data. O Dia do Agricultor não deve ser confundido com o Dia do Agricultor Familiar, celebrado em 25 de julho, data que homenageia especificamente os pequenos produtores que trabalham em regime familiar.
O que faz um agricultor?
O agricultor é o profissional responsável por cultivar a terra para produzir alimentos, matérias-primas e, mais recentemente, insumos usados na geração de energia, como os vegetais empregados na produção de biocombustíveis.
Suas atividades incluem o preparo do solo, o plantio, a irrigação, o controle de pragas, a colheita e, em muitos casos, o próprio escoamento da produção até os centros de distribuição.
O trabalho agrícola está entre as ocupações mais antigas da humanidade, praticado desde o período Neolítico, há cerca de 10 mil anos, quando o cultivo de plantas permitiu que os primeiros grupos humanos deixassem o nomadismo e se fixassem em um território, formando as bases das primeiras civilizações.
Ao longo do tempo, o ofício foi se transformando com o avanço das técnicas de cultivo. A mecanização e a modernização do campo aumentaram a produtividade das lavouras, embora esse processo também tenha reduzido a quantidade de postos de trabalho tradicionais no meio rural.
Atualmente, muitos agricultores utilizam ferramentas de gestão digital, sensores e dados climáticos para planejar o plantio e a colheita, unindo o conhecimento prático da terra a recursos tecnológicos.
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Por trás dos números da produção agrícola brasileira estão histórias de trabalho, adaptação e, muitas vezes, superação. Confira algumas:
- Produtores de arroz em assentamentos no Rio Grande do Sul
Osmar de Moura e Peu Ferreira Lima são exemplos de produtores de arroz que atuam em assentamentos da reforma agrária nos municípios de Eldorado do Sul e Viamão, no Rio Grande do Sul.
Segundo a Agência Brasil (EBC), as enchentes de 2024 impactaram parte significativa das lavouras na região, mesmo após décadas de dedicação dos agricultores para consolidar a produção local. Esses produtores seguem enfrentando desafios climáticos e estruturais para manter a produtividade.
- Agricultura digital no Brasil
A modernização tecnológica já é uma realidade para boa parte dos produtores rurais brasileiros.
De acordo com um levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), realizado com 504 produtores de todos os estados, 72% dos entrevistados cultivam áreas de até 50 hectares e já utilizam internet, aplicativos e drones no cotidiano das propriedades.
Apesar desse avanço, muitos ainda enfrentam dificuldades de conectividade, principalmente em regiões mais afastadas.
- Projeto Conexão Família no quilombo Jaibara dos Nogueiras
No Maranhão, o Projeto Conexão Família foi implementado no quilombo Jaibara dos Nogueiras e beneficia cerca de 500 famílias.
Segundo a Embrapa, a iniciativa fortalece a agricultura familiar quilombola ao adotar um sistema de rotação de cultivos, o que melhora a produtividade e a sustentabilidade das lavouras. Os principais produtos cultivados pelas famílias são milho, mandioca, feijão e arroz.
- Safra recorde de grãos 2024/2025
A safra de grãos do ciclo 2024/25 alcançou um recorde histórico no Brasil, totalizando 350,2 milhões de toneladas.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o resultado foi impulsionado principalmente pela soja, que atingiu 171,5 milhões de toneladas, pelo milho (139,47 milhões) e pelo algodão (4,06 milhões). Esse desempenho consolida o Brasil como um dos líderes mundiais na produção agrícola.
Essas histórias mostram que o Dia do Agricultor celebra não só os números da produção nacional, mas também o trabalho diário de quem lida com a terra, o clima e as incertezas da colheita.
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