Em redações que abordam a importância do voto, referências como a Constituição Federal de 1988, Aristóteles e José de Alencar podem enriquecer a argumentação e fortalecer a fundamentação do texto.
No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a produção de um texto dissertativo-argumentativo exige que o participante selecione referências pertinentes, defenda um ponto de vista com argumentos consistentes e desenvolva o raciocínio de forma clara e coerente, evitando a simples reprodução de frases de efeito. Além disso, é necessário apresentar uma proposta de intervenção com medidas adequadas ao problema discutido e que respeitem os direitos humanos.
Para ampliar a qualidade da argumentação, o estudante pode explorar exemplos históricos, como a conquista do voto feminino, o conceito de Estado Democrático de Direito, práticas eleitorais como o voto de cabresto e os impactos do desinteresse no processo democrático. Continue lendo e saiba mais!
Quais citações fortalecem a argumentação na redação?
Confira algumas possibilidades:
Constituição Federal de 1988
O artigo 1º da Constituição, parágrafo único, afirma: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente.” Essa citação fundamenta a relação direta entre voto e soberania popular.
Ela demonstra que a participação popular é um dos fundamentos da organização política brasileira. Na redação, o candidato pode utilizar essa referência para defender que o voto permite à população participar da escolha dos responsáveis pela elaboração de leis e pela administração pública.
Conceito de participação política em Aristóteles
O pensamento do filósofo Aristóteles também pode ser utilizado como repertório sociocultural. Na obra Política, o autor apresenta o ser humano como um ser político, destacando a importância da participação na vida em sociedade.
Nesse contexto, recomenda-se priorizar a compreensão das ideias do filósofo e relacioná-las ao tema da redação, evitando o uso de citações decoradas ou descontextualizadas. Essa ideia pode ser relacionada à necessidade de envolvimento dos cidadãos nas decisões coletivas.
José de Alencar e o voto como soberania
Em “O systema representativo”, José de Alencar sustenta: “O voto não é, como pretendem muitos, um direito político, é mais do que isso, é uma fração da soberania nacional; é o cidadão.” Tal entendimento embasa argumentos sobre voto não ser simples obrigação ou procedimento, mas expressão da cidadania ativa.
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ENTRAR NOS GRUPOS →O candidato pode utilizar esse repertório para argumentar que a cidadania não deve se limitar ao comparecimento às urnas. A participação em debates públicos, o acompanhamento das políticas governamentais e a fiscalização dos representantes também são atitudes relevantes para o fortalecimento democrático.
Utilizar qualquer uma dessas referências exige interpretação e conexão explícita com o argumento do texto, sendo ineficaz apenas mencionar frases conhecidas sem articulação.
Repertórios históricos e práticas relacionadas ao voto
Além das citações, o estudante pode utilizar fatos históricos, legislações e conhecimentos para enriquecer a argumentação e fortalecer o repertório sociocultural da redação. Veja:
Voto feminino e ampliação do direito ao voto
O Código Eleitoral de 1932 estendeu o direito ao voto às mulheres no Brasil, demonstrando que a ampliação do sufrágio foi resultado de conquistas históricas e que esse direito nem sempre foi garantido a toda a população.
Na redação do Enem, esse acontecimento pode ser utilizado para evidenciar a evolução da democracia brasileira, a luta pela igualdade de direitos e a importância da participação dos cidadãos nas decisões políticas do país, que vai além do simples comparecimento às urnas.
Constituição de 1988 e Estado Democrático de Direito
O processo de redemocratização do Brasil e a promulgação da Constituição Federal de 1988 também representam marcos importantes na história política do país. A nova Constituição consolidou o sufrágio universal, estabelecendo regras que tornam obrigatório o voto para a maioria e facultativo para certos grupos, ampliando a participação popular e fortalecendo a democracia.
Na redação do Enem, esses acontecimentos podem fundamentar argumentos sobre a importância do voto para o exercício da cidadania, o fortalecimento das instituições democráticas e a participação da população nas decisões políticas.
Voto de cabresto
Durante a Primeira República, o coronelismo e a prática conhecida como voto de cabresto restringiam a liberdade de escolha de parte dos eleitores. Nesse período, lideranças políticas locais exerciam influência e controle sobre o processo eleitoral.
Na redação do Enem, esse exemplo histórico pode ser utilizado para destacar a importância da liberdade de escolha e da autonomia dos eleitores. Além disso, permite discutir como a coerção, a compra de votos e outras formas de manipulação eleitoral comprometem a participação democrática.
Estado Democrático de Direito
O artigo 1º da Constituição Federal de 1988 define o Brasil como um Estado Democrático de Direito.
Na redação do Enem, essa referência pode ser utilizada para destacar a importância da participação dos cidadãos nas decisões políticas, da proteção dos direitos fundamentais e do fortalecimento das instituições democráticas. Assim, o estudante pode argumentar que a democracia não se limita ao ato de votar, mas também envolve o exercício da cidadania, o respeito às liberdades individuais e a participação da sociedade na vida política do país.
Como fazer uma redação fundamentada sobre a importância do voto?

A escolha do recorte temático apresentado na proposta orienta toda a estrutura da redação. O estudante precisa definir a tese, isto é, o ponto de vista que será defendido. Uma tese adequada para o tema poderia ser: embora o voto seja um direito fundamental para o exercício da cidadania, a desigualdade social e o desinteresse pela participação política dificultam o fortalecimento da democracia brasileira.
No modelo do Enem, cada desenvolvimento discorre sobre um problema relacionado ao tema, como:
- Desenvolvimento 1: A desigualdade social dificulta o acesso à informação e limita a participação política consciente de parte da população.
- Desenvolvimento 2:O desinteresse pela política enfraquece o envolvimento dos cidadãos nas decisões coletivas e no acompanhamento dos representantes eleitos.
Caminhos argumentativos podem abordar a historicidade do direito ao voto, a soberania popular e práticas de controle do eleitor, mas nunca a defesa de candidatos ou partidos. Intervenções devem focar em soluções para ampliar o voto consciente, respeitando os direitos constitucionais.
Exemplo prático de uso de citação: aplicação e explicação no texto
Ao inserir a frase da Constituição, por exemplo, a estrutura recomendada é:
- Apresente a referência (artigo, autor ou conceito).
- Explique o significado (soberania popular, cidadania, participação consciente).
- Relacione diretamente com o argumento defendido (importância do voto informado, combate à desinformação, relevância histórica do direito ao voto).
Exemplo de redação sobre a importância do voto no modelo Enem
Texto 1 — A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio de que todo o poder emana do povo. Contudo, a desigualdade social e o desinteresse pela participação política dificultam o exercício pleno dessa soberania. O voto, expressão máxima da cidadania, perde seu potencial transformador diante da desinformação e do distanciamento entre os eleitores e as instituições democráticas.
Texto 2 — O direito ao voto feminino, conquistado em 1932, revela que ampliar a participação política foi resultado de intensos embates sociais. No entanto, durante a Primeira República, práticas como o voto de cabresto restringiam a liberdade eleitoral de parte da população. No presente, a valorização do voto consciente precisa ser fortalecida por educação política e combate à desinformação.
Dicas finais para fortalecer a argumentação em 2026
- Escolher citações relacionadas ao tema e explicar seu uso claramente.
- Evitar mencionar frases famosas sem conexão lógica com a tese.
- Explorar repertórios históricos e legais, como o Código de 1932 e a Constituição de 1988.
- Apresentar proposta de intervenção viável e relacionada ao problema discutido.
- Atentar-se a práticas históricas negativas, como voto de cabresto, como contraste argumentativo.
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Aproveite e assista ao vídeo abaixo para conferir mais dicas que podem ser úteis para o Enem:
















