Pelo Acordo Ortográfico, o título de livro aceita duas grafias: com maiúsculas em várias palavras ou só na primeira.
A regra está na Base XIX do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, promulgado no Brasil pelo Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008. Na segunda forma, as exigências são três: a palavra que abre o título leva maiúscula, os nomes próprios também, e o título inteiro vai destacado.
O que a Base XIX diz sobre título de livro
O Acordo chama os títulos de livros de bibliônimos. No item 1º, alínea c, ele diz que, “após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocábulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo”.
O verbo escolhido é “podem”: a minúscula vira possibilidade, não ordem. Já o grifo, que é o destaque gráfico, como o itálico, vale para o título inteiro.
Os exemplos oficiais vêm em pares:
| Com maiúsculas | Com minúsculas após a primeira palavra |
|---|---|
| O Senhor do Paço de Ninães | O senhor do paço de Ninães |
| Menino de Engenho | Menino de engenho |
| Árvore e Tambor | Árvore e tambor |
Onde a maiúscula no título continua obrigatória
No primeiro par da tabela, “senhor” e “paço” passaram para minúscula, mas Ninães manteve o N maiúsculo. É um nome de lugar, e a mesma Base XIX, no item 2º, exige maiúscula inicial nos nomes de pessoas e de lugares, reais ou fictícios.
O Acordo não lista classes de palavras: fala apenas em “os demais vocábulos”. Qualquer palavra que não seja a primeira nem nome próprio pode, então, ir com minúscula. Um nome de personagem ou de cidade dentro do título continua com inicial maiúscula nas duas versões.
Uma sugestão de quem escreve este texto, e não do Acordo: escolha um dos dois padrões e aplique o mesmo a todo título de livro citado no trabalho. Misturar Menino de Engenho num parágrafo e Árvore e tambor no seguinte não é erro de ortografia, mas passa impressão de descuido.
Jornal e revista seguem outra regra
A escolha vale para livros, não para periódicos. A alínea f do item 2º manda usar maiúscula inicial “nos títulos de periódicos, que retêm o itálico”. Os exemplos oficiais são O Primeiro de Janeiro e O Estado de São Paulo (ou S. Paulo). Livro e jornal têm em comum, portanto, o destaque em itálico; o que muda é a maiúscula.
🎓 Cursos grátis, concursos e vagas direto no seu WhatsApp!
Entrada 100% gratuita • escolha os grupos por tema
ENTRAR NOS GRUPOS →Na escrita escolar, a diferença aparece quando o texto cita um título de livro e um jornal na mesma frase. Em “Li Menino de engenho depois de ver a resenha em O Estado de São Paulo“, o nome do jornal leva maiúsculas, e o do livro ficou com minúsculas após a primeira palavra.
Nome de disciplina também pode ir com minúscula
Outra dúvida de quem faz trabalho escolar está na alínea g do item 1º. Nos nomes de domínios do saber, cursos e disciplinas, a regra é a minúscula, com maiúscula opcional. O Acordo exemplifica com português (ou Português), matemática (ou Matemática) e línguas e literaturas modernas (ou Línguas e Literaturas Modernas).
As frases “Tirei nota boa em matemática” e “Tirei nota boa em Matemática” estão corretas. A mesma Base XIX também trata de meses, dias da semana e estações do ano com minúscula, regra explicada em outro texto do blog.
Exercício: em quais títulos a maiúscula é obrigatória
Os títulos de livro abaixo foram inventados para o treino e estão todos em minúsculas. Reescreva cada um com o mínimo de maiúsculas que o Acordo permite.
- a viagem de joana ao recife
- memórias de um rio sem nome
- cartas para lisboa
- o último verão de pedro
- noites no sertão
Gabarito: 1) A viagem de Joana ao Recife, com Joana (pessoa) e Recife (cidade). 2) Memórias de um rio sem nome, só a primeira letra. 3) Cartas para Lisboa. 4) O último verão de Pedro. 5) Noites no sertão: aqui “sertão” é substantivo comum, então fica com minúscula. Nos cinco casos, seria aceita também uma versão com mais maiúsculas, no modelo de O Senhor do Paço de Ninães, que deixa “do” e “de” em minúscula.
O que o Acordo Ortográfico não define
- Como destacar à mão. O grifo é pedido para o título, mas a Base XIX não explica como fazer isso numa folha manuscrita, como a da redação do Enem.
- Regras de referência bibliográfica. Uma observação no fim da Base XIX diz que obras especializadas podem seguir “regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas”, entre elas a terminologia bibliológica. Se a escola ou a faculdade pede uma norma de formatação, vale o que essa norma determina. Este texto não consultou essas normas.
Para continuar no assunto, o post sobre o Dia Nacional do Livro traz a história da data, e o texto sobre fim de semana sem hífen explica outra regra do Acordo. Há mais conteúdo na tag Língua Portuguesa.
Fontes consultadas
- Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, Base XIX (itens 1º, alíneas c e g; 2º, alíneas a, b e f; observação final), anexo do Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008. Presidência da República, Planalto. Consulta em 26 de outubro de 2026. Texto do decreto no Planalto.



















