O sarampo, doença já eliminada do Brasil, voltou a aparecer no radar da saúde pública em 2026. Casos registrados em São Paulo, associados à entrada do vírus vindo de outros países, levaram o Ministério da Saúde a reforçar campanhas de vacinação.
No mesmo período, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) confirmou que as Américas vivem o maior avanço da doença em mais de duas décadas.
Entenda o que é o sarampo, como ele se manifesta, qual vacina protege contra a infecção e como está a situação no país.
O que é o sarampo e qual vírus causa a doença?
O sarampo é uma infecção viral aguda, causada pelo vírus do sarampo, da família Paramyxoviridae. É uma das doenças mais contagiosas conhecidas: um único infectado pode transmitir o vírus a cerca de 90% das pessoas suscetíveis com quem tiver contato próximo.
A transmissão ocorre pelo ar, por gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar ou falar. O vírus pode permanecer ativo em ambientes fechados por até duas horas após a saída da pessoa infectada, o que facilita o contágio em escolas, creches e salas de espera.
Sintomas do sarampo
Os primeiros sinais lembram um resfriado ou uma gripe comum: febre alta, tosse seca, coriza e conjuntivite, com sensibilidade à luz. Esse período inicial costuma durar entre dois e oito dias.
Pouco antes do surgimento das manchas na pele, podem aparecer pequenos pontos brancos dentro da boca, próximos aos molares, chamados de manchas de Koplik. Elas são consideradas um sinal característico da doença.
Em seguida, surge o exantema, as manchas vermelhas que dão nome popular à doença. As lesões começam no rosto e na cabeça e se espalham para o tronco e os membros ao longo de alguns dias. A febre costuma ser mais alta justamente nos primeiros dias em que a pele já está afetada.
Na maioria dos casos, a evolução é benigna. Mas o sarampo enfraquece as defesas do organismo por um período, o que aumenta o risco de infecções secundárias, como otite, diarreia, pneumonia e, em casos mais graves, encefalite.
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Quanto tempo dura o sarampo?
O período de incubação, intervalo entre o contato com o vírus e o aparecimento dos primeiros sintomas, gira em torno de sete a 18 dias, com média próxima de dez dias.
Depois que os sintomas começam, a fase aguda da doença costuma se estender por cerca de sete a dez dias, contando desde a febre inicial até o desaparecimento das manchas na pele. A pessoa é considerada transmissora do vírus desde cerca de quatro ou cinco dias antes do surgimento das manchas até quatro dias depois.
Sobre o afastamento do trabalho ou da escola, não existe número fixo de dias de atestado válido para todos os casos. O período de isolamento depende da avaliação de um profissional de saúde, que considera o estado clínico do paciente e o risco de transmissão.
Situação do sarampo no Brasil em 2026
O Brasil eliminou a circulação endêmica do sarampo em 2016 e recuperou esse status no início de 2025, depois de um período com surtos entre 2018 e 2024. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de novos registros, já que viajantes infectados em outros países continuam trazendo o vírus para o território nacional.
Em 2026, o Ministério da Saúde confirmou casos concentrados principalmente no estado de São Paulo, em municípios como a capital paulista, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
As investigações indicam que a maior parte dos registros está associada à importação do vírus por pessoas que viajaram para países com circulação ativa da doença.
Diante disso, o órgão ampliou a oferta da vacina tríplice viral para toda a população de 6 meses a 59 anos nos municípios paulistas afetados, durante a Campanha Nacional de Multivacinação, que segue até o dia 1º de setembro, com Dia D marcado para 22 de agosto.
A vacina tríplice viral protege ao mesmo tempo contra sarampo, caxumba e rubéola. Ela é feita com vírus vivos atenuados e está disponível de forma gratuita nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Quando tomar a vacina e quem deve se vacinar?
O esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação prevê duas doses. A primeira é aplicada aos 12 meses de idade, com a tríplice viral. A segunda ocorre aos 15 meses, geralmente por meio da vacina tetraviral, que já inclui proteção contra a varicela.
Pessoas de 12 meses a 59 anos sem registro de duas doses da vacina devem procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta, mesmo fora de período de campanha.
Em regiões com circulação confirmada do vírus, como ocorreu em municípios de São Paulo neste ano, bebês de 6 a 11 meses podem receber uma dose antecipada, a dose zero, que não substitui as doses de rotina aplicadas aos 12 e aos 15 meses.
A vacinação continua sendo apontada pelas autoridades sanitárias como a principal forma de conter a circulação do vírus e evitar que o sarampo volte a se tornar endêmico no país.
Situação nas Américas
Segundo alerta da Opas, até meados de julho de 2026 as Américas já somavam dezenas de milhares de casos confirmados, número que supera em várias vezes o total registrado em todo o ano anterior. Guatemala, México, Estados Unidos e Peru concentram a maior parte dos registros.
A organização classifica o risco para a saúde pública na região como muito alto e recomenda reforçar a vacinação de rotina e a vigilância de casos suspeitos.
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