Muitos estudantes acreditam que estudar por várias horas e abrir mão do sono, do lazer e de outras atividades é o caminho para conseguir boas notas. Porém, o desempenho escolar também pode ser influenciado pela organização da rotina e pelos hábitos adotados no dia a dia.
Dormir ao menos oito horas por noite, manter uma alimentação equilibrada e reduzir o tempo diante da televisão foram comportamentos associados a melhores resultados acadêmicos entre adolescentes. A relação foi identificada em uma pesquisa publicada na revista Scientific Reports, realizada com 974 estudantes na Espanha.
O estudo indica ainda que a combinação de diferentes hábitos saudáveis pode trazer efeitos melhores do que mudanças isoladas. Para quem se prepara para avaliações como o Enem 2026, isso mostra que uma rotina equilibrada pode ser tão relevante quanto ampliar o tempo dedicado aos estudos.
Quais hábitos influenciam o desempenho além do tempo de estudo?
Segundo o estudo espanhol, quatro hábitos aparecem ligados a um melhor rendimento escolar: dormir cerca de oito horas por noite, fazer três refeições ao dia, manter uma alimentação equilibrada e reduzir o tempo diante da televisão.
Assim, uma rotina mais equilibrada pode contribuir para melhores notas mesmo entre estudantes que dedicam ao estudo um tempo semelhante ao dos demais colegas.

Imagem: Magnific
Impacto do sono na concentração e na saúde mental
Pesquisas indicam que a qualidade do sono pode afetar não apenas o desempenho escolar, mas também a saúde mental dos estudantes. Dormir mal está associado ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão, além de dificuldades de concentração durante as atividades acadêmicas.
Controle do tempo de tela
De acordo com a mesma pesquisa publicada pela Scientific Reports, adolescentes que ultrapassaram duas horas diárias de TV tiveram menor desempenho escolar. O uso prolongado de eletrônicos, especialmente à noite, prejudica os ciclos de sono e a capacidade de manter a concentração.
Família, ambiente e revisão: fatores complementares
Segundo indicadores da UNESCO e OCDE, o envolvimento familiar e a existência de um ambiente tranquilo para o estudo aumentam a eficiência das rotinas de aprendizagem. Revisar conteúdos regularmente e manter constância, mesmo com pouco tempo disponível, gera melhores resultados do que estudar de forma desorganizada e sem pausas.
O apoio dos pais e a estruturação do espaço físico são mencionados pelos especialistas como diferenciais frequentemente negligenciados. Garantir silêncio, iluminação adequada e materiais organizados pode ser determinante para a assimilação dos assuntos escolares.
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Após ajustes estatísticos na pesquisa espanhola, a prática de exercícios não mostrou relação relevante com as notas, embora seja sempre recomendada para o bem-estar físico e emocional. Essa constatação não desmerece seu valor, mas esclarece que, isoladamente, o exercício não é preditor de desempenho acadêmico.
Os próprios autores sugerem que a falta de relação pode se explicar pelo foco no desempenho escolar, já que a atividade física traz benefícios multidimensionais, inclusive na prevenção de doenças e melhoria da autoestima do adolescente.
O papel de uma rotina estruturada
O exemplo abaixo apresenta uma rotina balanceada que respeita os principais achados científicos sobre desempenho escolar. A exclusão do uso de televisão e celulares antes de dormir visa garantir o ciclo de sono profundo, conforme recomendado por pesquisadores dos EUA e Espanha.
| Horário | Atividade | Benefício comprovado |
|---|---|---|
| 7h – 8h | Café da manhã equilibrado | Auxilia energia e foco matinal |
| 8h – 12h | Aulas/Estudo (pequenas pausas de descanso) | Maior assimilação de conteúdo |
| 12h – 13h | Almoço nutritivo | Estabiliza glicose, previne fadiga |
| 13h – 15h | Atividades de lazer | Redução do estresse |
| 15h – 17h | Estudos e revisões | Consolidação da memória |
| 18h – 19h | Jantar leve | Facilita sono de qualidade |
| 20h – 22h | Lazer sem tela (leitura, jogos de tabuleiro) | Menos estímulo digital favorece descanso |
| 22h – 7h | Período de sono | Regeneração cerebral |
Fique atento: a rotina varia de acordo com cada estudante e pode ser adaptada às necessidades individuais.
O que fazer em caso de baixa produtividade nos estudos?
Quando a produtividade cai, alinhar a rotina com pelo menos quatro dos cinco hábitos apontados no estudo pode reverter o quadro, mesmo sem necessidade de aumentar o tempo de estudo. Outra recomendação é avaliar se as pausas entre blocos de aprendizagem têm qualidade, já que lazer e descanso são fundamentais para a consolidação de memórias.
Se persistirem sinais de fadiga, dificuldade de concentração e queda no rendimento, buscar orientação de profissionais de saúde ou pedagogos é indicado para descartar distúrbios do sono, alimentação inadequada ou outros fatores externos à sala de aula.
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