O marca-texto funciona menos do que parece: uma revisão publicada em 2013 classificou o grifo e o sublinhado como técnicas de baixa utilidade para o aprendizado. A conclusão está no trabalho de John Dunlosky e colegas, que avaliou 10 técnicas de estudo e foi publicado na revista Psychological Science in the Public Interest.
Este é um estudo com mais de uma década, e o texto diz isso de propósito. Não se trata de novidade, mas de uma referência que continua sendo citada e que ganhou checagens posteriores, apresentadas mais abaixo.
O que a revisão de 2013 avaliou?
Os autores analisaram a evidência científica de dez técnicas que estudantes costumam usar. Segundo a Association for Psychological Science, estratégias muito populares, como o grifo e até a releitura, não mostraram muita promessa para melhorar o aprendizado. Os pesquisadores sugerem, por exemplo, trocar a releitura por prática de recuperação (testar a si mesmo) depois de algum tempo.
A lista completa das técnicas, conforme descrita na literatura sobre o trabalho, inclui:
- interrogação elaborativa e autoexplicação;
- resumo e marca-texto (ou sublinhado);
- mnemônica da palavra-chave e uso de imagens para texto;
- releitura;
- testes práticos, prática distribuída (espaçada) e prática intercalada.
Por que marcar o texto dá a sensação de estar estudando?
Grifar é simples, não exige treino e quase não toma tempo além da leitura. É o que apontam os autores de uma meta-análise publicada na Frontiers in Education. O problema é que o esforço mental fica pequeno: o olho passa pelo texto, a cor aparece na página, e a impressão é de trabalho feito.
Preferência e eficácia podem andar separadas. Os próprios pesquisadores citam, em trabalhos que retomam a revisão, casos conhecidos em que o estudante defende uma prática com pouca evidência de benefício.
A ciência mudou de opinião depois de 2013?
Não no essencial. Uma meta-análise de 2021, publicada na Frontiers in Education, reuniu 242 estudos sobre as mesmas dez técnicas. Segundo o resumo do trabalho, prática distribuída e testes práticos foram as mais eficazes, enquanto sublinhar e resumir ficaram entre as menos eficazes, ainda que com efeitos relativamente altos. Uma limitação importante: a maioria dos estudos media aprendizado de fatos e memorização, e não compreensão profunda.
Em 2022, uma meta-análise específica sobre grifo, de Ponce, Mayer e Méndez, saiu na Educational Psychology Review. Segundo um resumo divulgado por uma publicação sobre ciência do aprendizado, os resultados variam com a idade do estudante e com quem faz o grifo, e revisar o que o próprio aluno marcou não melhorou o aprendizado de forma significativa em comparação com só ler. Por ser um resumo secundário, vale consultar o artigo original no periódico para os números exatos.
| Fonte | O que concluiu sobre o grifo |
|---|---|
| Dunlosky et al., 2013 | Baixa utilidade na maioria dos contextos |
| Meta-análise, 2021 | Entre as menos eficazes das 10 técnicas |
| Ponce et al., 2022 | Efeito depende de idade e de quem marca |
O que colocar no lugar do marca-texto?
As duas técnicas mais bem avaliadas são fáceis de aplicar e não custam caro: testar-se com questões e espaçar as revisões ao longo dos dias. Veja uma troca prática para uma tarde de estudo:
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ENTRAR NOS GRUPOS →| Em vez de | Experimente |
|---|---|
| Grifar o capítulo inteiro | Fechar o livro e responder questões sobre ele |
| Reler o que marcou | Revisar em outro dia, com intervalo |
| Estudar tudo de uma vez | Dividir o conteúdo em sessões curtas |
Um exemplo concreto: depois de ler um capítulo de Direito Constitucional, em vez de passar o marca-texto, feche o material e escreva de memória as cinco ideias principais. Depois confira o que errou. Dois ou três dias mais tarde, resolva 10 questões sobre o mesmo capítulo e misture algumas de um assunto anterior. Esse ciclo reúne prática de recuperação, espaçamento e intercalação, três técnicas da revisão.
Então o marca-texto deve ser abandonado?
Não necessariamente. A meta-análise de 2021 observa que a técnica ainda teve efeito relativamente alto em parte dos estudos, e os autores da revisão original dizem que as técnicas não são uma solução para todos os alunos e só ajudam quem tem motivação e consegue usá-las. Na prática, o grifo pode servir como etapa de seleção, desde que seja seguido de teste ou de explicação com as próprias palavras. Se você grifa muito, o efeito tende a diminuir, porque deixa de separar o que é principal do que é secundário.
Nenhuma técnica garante nota ou aprovação. A pesquisa mostra tendências em estudos de laboratório e de sala de aula, e o resultado individual depende da matéria, do tempo disponível e da constância. Quem está montando um plano de estudos para concurso ou vestibular pode consultar os cursos do Pensar Cursos para organizar a rotina com conteúdo estruturado. O Pensar Cursos, mantenedor deste blog, oferece cursos online.
Para aprofundar o assunto da distribuição do estudo ao longo dos dias, leia também o post sobre estudar em dias separados e o intervalo ideal conforme a data da prova.














