Fim de semana é escrito sem hífen pela regra das locuções do Acordo Ortográfico, a mesma que vale para sala de jantar.
O mesmo trecho que manda escrever essas expressões sem hífen ressalva algumas exceções consagradas pelo uso, e é nesse grupo que entram cor-de-rosa e pé-de-meia. A regra está na Base XV, item 6º, do texto promulgado no Brasil pelo Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008.
Por que fim de semana se escreve sem hífen
O Acordo diz que, nas locuções de qualquer tipo, “não se emprega em geral o hífen”. Locução é um grupo de palavras que funciona como uma unidade. Em fim de semana, as duas palavras de sentido ficam ligadas pela preposição “de”.
O texto oficial separa essas locuções em seis tipos e dá exemplos de cada um. A tabela abaixo reúne parte deles, copiados do decreto:
| Tipo de locução | Exemplos oficiais escritos sem hífen |
|---|---|
| Substantiva | cão de guarda |
| Adjetiva | cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho |
| Pronominal | cada um, ele próprio, nós mesmos |
| Adverbial | em cima, depois de amanhã, por isso |
| Prepositiva | acerca de, a fim de, apesar de, debaixo de, quanto a |
| Conjuncional | ao passo que, contanto que, logo que, visto que |
Na lista oficial de locuções substantivas, fim de semana é o segundo exemplo, logo depois de cão de guarda. Todos os exemplos de locução adjetiva do decreto são nomes de cor, e a exceção cor-de-rosa aparece em outra lista, a das grafias consagradas.
As exceções que o Acordo cita pelo nome
Logo depois de afirmar a regra geral, o texto ressalva “algumas exceções já consagradas pelo uso” e dá estes exemplos, todos com hífen:
- água-de-colônia;
- arco-da-velha;
- cor-de-rosa;
- mais-que-perfeito;
- pé-de-meia;
- ao deus-dará;
- à queima-roupa.
O decreto introduz essa relação com “como é o caso de”, o que a apresenta como ilustração da ressalva, e não como lista fechada. Para qualquer expressão fora dela, o caminho seguro é consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), da Academia Brasileira de Letras, antes de escrever.
Composto e locução não seguem a mesma regra
Os itens 1º e 6º da Base XV costumam ser confundidos. O 1º manda usar hífen nas palavras compostas por justaposição “que não contêm formas de ligação” e cujos elementos formam uma unidade de sentido, cada um com acento próprio.
Entram aí ano-luz, arco-íris, decreto-lei, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto, guarda-chuva e segunda-feira. Nenhum deles tem “de”, “a” ou “que” entre as partes. Em fim de semana, o elemento de ligação está presente, e a regra passa a ser a do item 6º. O hífen com prefixo é outro assunto, regulado pela Base XVI e explicado no guia de hífen com prefixo.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Uma observação do mesmo item 1º acrescenta que certos compostos em que “se perdeu, em certa medida, a noção de composição” se escrevem numa palavra só: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas e paraquedista.
Nomes de plantas e animais mantêm o hífen mesmo com preposição
O item 3º da Base XV cria uma regra própria para espécies botânicas e zoológicas. O texto manda usar hífen nas palavras compostas que designam essas espécies, “estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento”.
Por isso erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, andorinha-do-mar e cobra-d’água levam hífen, embora tenham a estrutura de uma locução. Sem preposição, a regra vale igual: couve-flor, erva-doce, abóbora-menina e formiga-branca. O texto ainda cita bem-me-quer, explicando que é nome de planta também dado à margarida e ao malmequer.
Para expressões com preposição ou outro elemento de ligação, o teste é saber se elas nomeiam uma espécie de planta ou de animal. Se nomeiam, o hífen fica. Se não nomeiam, como fim de semana, vale a regra geral das locuções, com as ressalvas consagradas. A mesma Base XV tem ainda regras próprias para nomes de lugares (item 2º), compostos com bem e mal (item 4º) e com além, aquém, recém e sem (item 5º).
Exercício: escolha a grafia certa
- A parede da sala ficou (cor de vinho / cor-de-vinho).
- Ela estudou o fim de semana inteiro (a fim de / a-fim-de) revisar a matéria.
- Começo a redação (logo que / logo-que) termino o rascunho.
- Um (bem te vi / bem-te-vi) pousou na janela da biblioteca.
- Abandonaram o projeto (ao deus dará / ao deus-dará).
Gabarito. 1) cor de vinho, locução adjetiva (item 6º, b). 2) a fim de, locução prepositiva (item 6º, e). 3) logo que, locução conjuncional (item 6º, f). 4) bem-te-vi, nome de pássaro (item 3º). 5) ao deus-dará, exceção consagrada (item 6º).
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Fontes consultadas
- Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, Base XV, itens 1º a 6º, e Base XVI. Anexo do Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008, que promulga o Acordo assinado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990. Presidência da República, Portal da Legislação. Consultado em 26 de outubro de 2026: planalto.gov.br. A página do Planalto apresenta falhas de codificação em letras acentuadas; os exemplos foram transcritos com os acentos restituídos.



















