Fazer simulado rende mais que apenas reler o conteúdo: é o que mostra uma meta-análise de 2021 com 48.478 alunos.
O trabalho, assinado por Chunliang Yang, Liang Luo, Miguel A. Vadillo, Rongjun Yu e David R. Shanks, saiu no periódico Psychological Bulletin da American Psychological Association sob o título “Testing (quizzing) boosts classroom learning: A systematic and meta-analytic review” (DOI 10.1037/bul0000309). Os autores juntaram 222 estudos independentes e 573 efeitos, e concluíram que responder perguntas sobre o conteúdo aumenta o aprendizado em uma medida média (g de Hedges igual a 0,499).
A primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 cai no próximo domingo, 8 de novembro, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Faltando sete dias, dá tempo de encaixar simulados curtos na rotina de revisão.
O que a meta-análise comparou
Uma meta-análise reúne os resultados de muitos estudos sobre a mesma pergunta e calcula um efeito médio. Yang e colegas separaram os 573 efeitos por aquilo que o grupo de controle fazia enquanto o grupo do quiz respondia perguntas. A diferença entre as duas situações aparece em um número chamado g de Hedges, que mede o tamanho do efeito.

Contra quem não fez nada ou fez uma tarefa de preenchimento, o efeito do quiz foi grande. Contra reler, caiu pela metade: o quiz continuou melhor, só que a vantagem foi menor. Contra outras estratégias elaborativas, como mapas conceituais e tomar notas aprofundadas, a vantagem ficou pequena e, nessa comparação, não alcançou significância estatística (p = 0,062).
Feedback e momento do quiz
Dentro desses efeitos, duas condições puxaram o resultado para cima: corrigir cada resposta logo depois de respondê-la e aplicar o quiz depois que o conteúdo já apareceu na aula. Os autores escrevem, em paráfrase, que quanto mais vezes o conteúdo é testado em sala, maior é o ganho de aprendizagem.
A tabela abaixo traz os números dessas condições e um recorte por nível escolar. O artigo registra que o nível de escolaridade, por si só, não moderou de forma estatisticamente significativa o efeito geral; o valor para o ensino médio é um recorte descritivo, não uma diferença significativa.
| Condição | g médio |
|---|---|
| Com feedback | 0,537 |
| Sem feedback | 0,374 |
| Quiz depois da aula | 0,536 |
| Quiz antes da aula | 0,186 |
| Alunos do ensino médio | 0,655 |
O que é g, em uma frase
O g de Hedges é a diferença entre dois grupos medida em desvios padrão. Um g de 0,330 quer dizer que o grupo que fez quiz saiu, em média, um terço de desvio padrão à frente do grupo que apenas releu. Pesquisadores da área costumam chamar 0,20 de efeito pequeno, 0,50 de médio e 0,80 de grande, uma convenção que vem de Jacob Cohen e serve para comparar resultados.
Como encaixar o simulado na semana do Enem
O desenho da pesquisa não cobre a semana que antecede uma prova específica, nem o Enem. A sugestão abaixo é do blog, para encaixar o quiz na revisão, sem promessa de nota:
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ENTRAR NOS GRUPOS →- Escolha uma área por sessão, de Linguagens a Matemática.
- Monte 10 perguntas de prova anterior do Enem sobre o assunto do dia.
- Responda por escrito, sem consultar o caderno ou a internet.
- Corrija pelo gabarito oficial do Inep no mesmo dia, item a item.
- Anote cada erro em um cartão: pergunta de um lado, resposta e por que errou do outro.
- Refaça apenas as questões erradas dois ou três dias depois, antes de passar para a próxima área.
A correção no mesmo dia aproxima o simulado do cenário com feedback corretivo, que mostrou o maior g no estudo. Para montar as perguntas, o blog já reuniu como intercalar tipos de exercício e um calendário de revisão até o dia da prova. Outras técnicas aparecem na tag dicas de estudo. Quem quiser combinar o simulado com um pré-teste pode ler o experimento sobre errar antes de estudar.
O que o estudo não responde
O artigo não diz quantos simulados fazer antes do Enem, nem quanto tempo cada sessão deveria durar. Também não testou candidatos de concurso ou vestibular brasileiro.
Sobre a confiança no efeito médio relatado, os autores aplicaram vários testes de viés de publicação. O trim and fill estimou zero estudos faltantes; o modelo de três parâmetros reduziu o g estimado para 0,461. A conclusão deles é que o risco de viés de publicação é pequeno, com a ressalva de que nenhum método resolve o problema por completo. Uma busca por retratação ou replicação feita neste 1º de novembro de 2026 não encontrou correção posterior ao artigo.
Fontes consultadas
- Yang, C.; Luo, L.; Vadillo, M. A.; Yu, R.; Shanks, D. R. “Testing (quizzing) boosts classroom learning: A systematic and meta-analytic review”. Psychological Bulletin, v. 147, n. 4, p. 399-435, 2021. DOI 10.1037/bul0000309. Leia o artigo em PDF.
- Inep. “Enem 2026: participantes já podem conferir os locais de prova”, 27 de outubro de 2026. Acesse a notícia.

















