Uma avalanche de gelo, rochas e lama atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete, território administrado pela China, nesta quarta-feira (26). Equipes de resgate continuam em campo em busca de sobreviventes, enquanto o número de mortos já ultrapassa 300 e o de desaparecidos chega a 1.500.
Detalhes da avalanche no Nepal
Segundo investigadores, o desastre começou com o colapso parcial de uma geleira na montanha Langtang Lirung, que ultrapassa os 7.000 metros de altitude e fica a poucos quilômetros da fronteira com o Tibete.
O rompimento liberou uma massa de gelo, rochas e água que desceu a encosta e atingiu o leito do rio Lhende Khola, dando início a um efeito em cadeia.
A onda resultante avançou pela bacia hidrográfica, arrastando pontes, estradas e construções ao longo do curso do rio Trishuli. O posto de fronteira de Gyirong, que conecta os dois países, foi um dos primeiros pontos atingidos.
Câmeras de segurança registraram moradores correndo para escapar da massa de lama. Vilarejos inteiros, como Timure, foram destruídos, e a barragem de uma usina hidrelétrica na região também sofreu danos. Vídeos dos momentos do desastre já circulam nas redes sociais.
De acordo com a imprensa local, a enxurrada percorreu cerca de 168 km, derrubou dezenas de pontes e comprometeu mais de 40 km de estradas.
Vítimas e desaparecidos
Os balanços divulgados ao longo desta quinta-feira (27) apontam que o número de mortos já ultrapassa 300, sendo a maioria das vítimas registrada no lado nepalês. No Tibete, autoridades chinesas confirmaram mortes em menor escala. O total de desaparecidos está distribuído entre os dois territórios.
Uma parcela expressiva dos desaparecidos é formada por estrangeiros, muitos deles turistas que visitavam a região pelas paisagens do Himalaia e pelas rotas de trekking próximas ao Monte Kailash, importante destino de peregrinação no Tibete.
O Conselho de Turismo do Nepal divulgou uma lista com dezenas de nacionalidades entre os não localizados, incluindo indianos, americanos, ucranianos, britânicos e australianos.
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O Exército do Nepal utiliza helicópteros para retirar sobreviventes e feridos de áreas de difícil acesso, enquanto equipes terrestres seguem removendo moradores de regiões ainda sujeitas a novas inundações.
Corpos foram encontrados a centenas de quilômetros do ponto onde a avalanche começou, arrastados pela correnteza até distritos mais distantes.
Representantes de organizações humanitárias descrevem cenas de destruição em vilarejos inteiros e áreas de comércio ao longo do vale. Líderes internacionais, incluindo o papa Leão XIV e o Dalai Lama, enviaram mensagens de condolências às famílias das vítimas nos últimos dias.

Investigação das causas
A origem exata do colapso da geleira ainda está sob análise. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a registrar um evento sísmico de magnitude 5,2 na região, mas posteriormente esclareceu que o abalo não foi um terremoto, e sim reflexo do próprio deslizamento de gelo e rochas.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa apontam uma combinação de fatores por trás da tragédia. As geleiras da região não são formadas apenas por gelo: elas também armazenam água líquida em diferentes camadas internas.
Nos dez dias que antecederam o desastre, a chuva foi persistente na área, e há indícios de derretimento acelerado de neve nas 24 horas anteriores ao colapso, um fator que pode ter elevado o volume de água acumulada antes mesmo do rompimento da geleira.
Pesquisas anteriores já haviam identificado a vulnerabilidade da região. Um estudo de 2025 mapeou dezenas de massas rochosas instáveis próximas ao posto de fronteira de Gyirong.
Outro levantamento, realizado após uma inundação provocada pelo rompimento de um lago glacial em julho do mesmo ano, catalogou dezenas de lagos glaciais na bacia do rio e recomendou o reforço do monitoramento local.
Diante do novo desastre, especialistas reforçam a necessidade de criar sistemas de alerta mais eficazes para áreas de alto risco no Himalaia.
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