O salário mínimo previsto para 2027 pode aumentar a remuneração dos jovens aprendizes. Pela proposta apresentada no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) nº 24/2026, o piso nacional deve passar de R$ 1.621 para R$ 1.741 a partir de janeiro.
Com a projeção, o salário mínimo-hora também seria reajustado. Para os aprendizes, isso pode representar uma mudança no valor recebido mensalmente, de acordo com a quantidade de horas trabalhadas. Continue a leitura para entender melhor.
Qual será o salário-hora do jovem aprendiz em 2027?
Com a previsão de aumento do salário mínimo, o salário mínimo-hora também deve subir. Caso o piso nacional passe para R$ 1.741 em 2027, o valor por hora será de aproximadamente R$ 7,91.
Esse cálculo considera o divisor de 220 horas mensais, utilizado como referência para uma jornada de 44 horas semanais. Com o salário mínimo atual, de R$ 1.621, o valor da hora é de cerca de R$ 7,37. Assim, se a projeção para 2027 for confirmada, o aumento será de aproximadamente R$ 0,54 por hora trabalhada.
No entanto, os R$ 7,91 ainda são uma previsão. O valor depende da definição do salário mínimo para 2027 e poderá ser alterado até a divulgação do piso oficial.
| Ano | Salário mínimo | Salário mínimo-hora |
|---|---|---|
| 2026 | R$ 1.621,00 | R$ 7,37 |
| 2027 | R$ 1.741,00 | R$ 7,91 |
Como funciona a carga horária do jovem aprendiz?
A remuneração mensal do jovem aprendiz varia conforme a quantidade de horas previstas no contrato. Por isso, não significa que todos os aprendizes receberão o salário mínimo integral.
De acordo com o artigo 432 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a jornada do aprendiz é de até seis horas por dia. A legislação permite jornada de até oito horas para quem já concluiu o ensino fundamental, desde que sejam incluídas as horas destinadas à formação teórica.
Para entender o possível impacto do novo salário mínimo, é possível fazer uma simulação considerando jornadas de quatro e seis horas por dia, de segunda a sexta-feira. Nesse cálculo, as horas semanais são multiplicadas por cinco para chegar à quantidade mensal.
Confira a tabela comparativa abaixo:
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ENTRAR NOS GRUPOS →| Jornada diária | Horas semanais | Horas mensais | Valor em 2026 | Previsão para 2027 |
|---|---|---|---|---|
| 4 horas | 20 horas | 100 horas | R$ 736,82 | R$ 791,36 |
| 6 horas | 30 horas | 150 horas | R$ 1.105,23 | R$ 1.187,05 |
Pela simulação, um aprendiz com jornada de quatro horas diárias teria um aumento mensal de aproximadamente R$ 54,54. Para quem trabalha seis horas por dia, a diferença seria de cerca de R$ 81,82.
O valor efetivamente recebido pode ser diferente conforme as condições do contrato e a existência de normas coletivas que estabeleçam remuneração superior.

Por que o valor ainda pode mudar?
O salário mínimo de R$ 1.741 foi incluído no PLOA nº 24/2026, enviado ao Congresso Nacional no dia 31 de agosto de 2026. Entretanto, o valor definitivo ainda depende dos indicadores econômicos considerados no cálculo do piso nacional.
Entre os fatores está o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que considera a inflação acumulada e será conhecido após o encerramento do período de referência.
Por isso, o valor projetado no Orçamento pode sofrer alteração antes de ser oficialmente definido. O salário mínimo de 2027 deverá ser estabelecido no fim de 2026, por meio de decreto.
Assim, até a publicação do valor oficial, os R$ 1.741 e os R$ 7,91 por hora devem ser considerados previsões.
Quais são as regras para o jovem aprendiz?
O jovem aprendiz possui um contrato especial de trabalho, regulamentado pela CLT. A modalidade é destinada, em regra, a jovens de 14 a 24 anos.
O artigo 428, § 2º, da CLT determina que o aprendiz tem direito ao salário mínimo-hora, salvo quando houver uma condição mais favorável. Esse é o principal ponto que diferencia a remuneração da aprendizagem de outras formas de ingresso no mercado de trabalho.
O contrato pode durar até dois anos e combina atividades práticas na empresa com formação teórica. Para quem ainda não concluiu o ensino médio, a legislação também estabelece a necessidade de matrícula e frequência escolar.
No caso de pessoas com deficiência (PcD), não se aplica o limite máximo de 24 anos previsto para a aprendizagem.
Qual é a diferença entre jovem aprendiz e estagiário?
Embora o jovem aprendiz e o estagiário possam estar no início da trajetória profissional, as duas modalidades possuem regras diferentes.
O aprendiz é contratado por meio de um contrato especial de trabalho e tem piso salarial definido por lei. Conforme o artigo 428, § 2º, da CLT, sua remuneração deve observar pelo menos o salário mínimo-hora, salvo condição mais favorável.
Já o estágio é regulamentado pela Lei nº 11.788/2008 e não possui um piso salarial estabelecido pela legislação. No estágio não obrigatório, a empresa deve conceder bolsa e auxílio-transporte, mas o valor da bolsa é negociado entre o estudante e a empresa.
A jornada também segue regras próprias. Para estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular, a legislação do estágio estabelece limite de até seis horas por dia e 30 horas por semana.
Portanto, a principal diferença está na forma de remuneração: o jovem aprendiz possui um piso definido pela legislação, enquanto o estagiário não tem um valor mínimo de bolsa estabelecido em lei.
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