Três estudantes negros do Rio de Janeiro e da Bahia foram contemplados com bolsas de R$ 42 mil pelo Fundo Baobá, permitindo a permanência deles durante a graduação em instituições estrangeiras a partir de setembro de 2026.
O programa Black STEM, realizado pelo Fundo Baobá, tem o objetivo de ampliar o acesso de jovens negros ao ensino superior internacional, fornecendo apoio financeiro e rede de suporte para inclusão acadêmica e social. Os selecionados vão estudar nas áreas de Design, Engenharia Elétrica e Ciência da Computação em diferentes países: Emirados Árabes Unidos, Espanha e Estados Unidos. Veja os detalhes!
Quais estudantes foram selecionados para as bolsas em 2026?
Os três selecionados para a bolsa são:
- Caio Ramos (23 anos, Irajá – Rio de Janeiro): Design, no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), Emirados Árabes Unidos.
- Quezia Fernanda (19 anos, Rio das Ostras – RJ): Engenharia Elétrica, Universidade de Jaén, Espanha.
- João Vitor (Cruz das Almas – Bahia): Ciência da Computação, Northwestern University, Estados Unidos.
A seleção considerou histórico acadêmico, superação de desafios sociais e vulnerabilidade, além do potencial em áreas estratégicas para a formação.
Histórias de vida e desafios dos estudantes contemplados
Superação com foco
Antes da aprovação, Caio enfrentou dificuldades acadêmicas e familiares. Em 2020, durante a pandemia de covid-19, ficou um ano sem aulas porque sua escola não tinha estrutura para oferecer ensino online.
No mesmo período, o pai de Caio começou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson e, com o avanço das doenças, precisou deixar o trabalho. Sem condições financeiras para contratar um cuidador e diante dos gastos com medicamentos, Caio começou a trabalhar em 2022 para ajudar no sustento da família.
A nova rotina dificultou sua entrada no ensino superior, mas não interrompeu seus planos. Caio passou a buscar oportunidades internacionais e considera sua participação no Black STEM uma conquista que também pode representar outros jovens que enfrentam situações semelhantes.
Acesso à informação e parcerias
Quezia Fernanda estudou em escola técnica e descobriu a possibilidade de estudar fora graças a uma parceria do Instituto Federal Fluminense com a Universidade de Jaén. Foi assim que a jovem conheceu a bolsa de estudos e passou a enxergar como possível o sonho de fazer uma graduação fora do Brasil.
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ENTRAR NOS GRUPOS →A escolha por Engenharia Elétrica foi motivada pela realidade de Macaé, cidade ligada à indústria do petróleo e ao setor de energia. No futuro, pretende se aprofundar em áreas relacionadas à energia sustentável.
Comunidade, representatividade e tecnologia
João Vitor, desde criança, demonstrava interesse por computação e manutenção de computadores, afinidade que se fortaleceu ao ingressar no Instituto Federal para cursar Informática.
O jovem teve contato próximo com lideranças negras e comunidades quilombolas, experiências que marcaram sua trajetória. A escolha pela Northwestern University ganhou força ao descobrir que a instituição já contava com Jean, um estudante brasileiro de origem quilombola.
João Vitor destaca que mantém forte vínculo com essas comunidades e reconhece a importância das lideranças que o apoiaram, aconselharam e contribuíram para sua formação.
Como funciona o programa Black STEM do Fundo Baobá?

O Black STEM concede a estudantes negros brasileiros bolsas no valor de R$ 42 mil, destinadas à permanência no exterior durante a graduação. Além do auxílio financeiro, o programa inclui mentorias de carreira, workshops, suporte com lideranças negras e acompanhamento psicológico, ampliando o apoio além dos custos básicos.
O objetivo central é criar condições para que mais pessoas negras ocupem espaços de destaque na educação internacional, incentivando a formação em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, sigla em inglês).
O programa é promovido pelo Baobá – Fundo para Equidade Racial, com apoio da B3 Social e em parceria com o BRASA.
O que a bolsa de R$ 42 mil cobre?
A bolsa oferecida cobre despesas essenciais para a permanência dos estudantes no exterior, incluindo:
- Moradia;
- Transporte local;
- Alimentação;
- Material acadêmico.
Segundo Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, o suporte emocional e social é tão necessário quanto o recurso financeiro para garantir a permanência estudantil e o sucesso acadêmico fora do Brasil.
“Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza, para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte.”
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