O telefone toca, você atende e ninguém responde. Em outros casos, surgem mensagens automáticas, ofertas insistentes ou até tentativas de golpe. As chamadas indesejadas se tornaram tão frequentes que muitos brasileiros evitam atender números desconhecidos, mesmo quando a ligação pode ser importante.
O problema ganhou destaque após pelo menos sete operadoras acionarem a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) contra bloqueios automáticos realizados pela Vivo.
Segundo as empresas, chamadas legítimas também estariam sendo interrompidas. O episódio mostra como é difícil combater abusos sem prejudicar comunicações regulares.
Dados da Kaspersky indicam que 70% dos brasileiros receberam chamadas indesejadas nos últimos seis meses. Entre esses contatos, 15% estavam relacionados a possíveis tentativas de fraude.
Por que algumas ligações ficam mudas?
As chamadas mudas geralmente são provocadas por robocalls, sistemas que realizam várias ligações simultaneamente. Quando mais pessoas atendem do que o número de operadores disponíveis, algumas chamadas ficam em silêncio ou são encerradas.
Esses disparos também podem ser usados para descobrir quais linhas estão ativas e quais consumidores costumam atender. Com essas informações, empresas podem direcionar novas campanhas de telemarketing.
Para reduzir a prática, a Anatel passou a considerar abusivas as ligações encerradas antes de seis segundos. Anteriormente, o limite era de três segundos.
Bloqueio de ligações: veja o passo a passo para barrar telemarketing e não cair em golpes
O que é spoofing numérico?
O spoofing permite alterar o número exibido na tela do celular. Dessa forma, uma ligação pode parecer ter sido feita por um banco, uma empresa conhecida ou uma instituição pública, mesmo quando sua origem é diferente.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Fraudadores utilizam serviços de voz pela internet, chamados VoIP, para configurar o número apresentado ao destinatário. Parte dessas ligações também pode ser originada fora do Brasil, dificultando a identificação do responsável e a aplicação das regras nacionais.
A alteração do número não é ilegal em todas as situações. O problema ocorre quando o recurso é utilizado para enganar consumidores, esconder a origem da chamada ou aplicar golpes.
Como funciona o “Não Me Perturbe”?
O cadastro “Não Me Perturbe” permite bloquear ofertas de telemarketing realizadas por operadoras de telecomunicações e instituições financeiras participantes. A inscrição é gratuita e, após a solicitação, as empresas têm até 30 dias para interromper as chamadas promocionais.
O bloqueio, porém, não inclui contatos relacionados à cobrança, confirmação de dados, prevenção a fraudes, portabilidade ou serviços já contratados.
Além disso, a plataforma não impede chamadas de empresas que ignoram as regras, de setores não participantes ou de golpistas que adulteram o número de origem.
Como reduzir chamadas indesejadas?
Imagem: Blog Pensar Cursos
Os próprios celulares possuem ferramentas de identificação e bloqueio. Nos aparelhos Android, elas podem aparecer nas opções “Proteção contra spam”, “Identificação de chamadas” ou “Bloquear números”.
Nos iPhones mais recentes, é possível filtrar ou silenciar contatos desconhecidos. Alguns modelos também oferecem recursos para solicitar informações antes de encaminhar a chamada ao usuário.
Aplicativos como Whoscall e Truecaller usam bancos de dados colaborativos para identificar possíveis responsáveis pela ligação e bloquear números denunciados. Parte das funcionalidades pode exigir assinatura.
Também é possível bloquear todas as chamadas de números desconhecidos. A medida reduz o incômodo, mas pode impedir contatos legítimos de hospitais, bancos, entregadores, processos seletivos e serviços públicos.
Como descobrir quem ligou?
A plataforma “Qual Empresa Me Ligou”, da Anatel, permite consultar números vinculados a pessoas jurídicas. Basta informar o telefone e concluir a verificação de segurança. Quando o número está cadastrado, o sistema pode apresentar o nome da empresa e o CNPJ.
Números de pessoas físicas, linhas não identificadas ou telefones adulterados podem não aparecer na consulta. Caso as chamadas persistam, o consumidor pode registrar uma reclamação nos canais oficiais da Anatel.
O que muda com o “Origem Verificada”?
O sistema “Origem Verificada” autentica chamadas empresariais e pode exibir nome, logotipo, motivo do contato e selo de verificação. A tecnologia utiliza o protocolo STIR/SHAKEN, que funciona como uma assinatura digital para confirmar se o número realmente pertence à empresa responsável pela ligação.
Em junho de 2026, o sistema autenticou 6,6 bilhões de chamadas. Atualmente, empresas que realizam mais de 500 mil ligações mensais são obrigadas a utilizar a tecnologia. A exigência para todas as companhias está prevista para outubro de 2028.
O recurso funciona principalmente em smartphones modernos conectados a redes 4G ou 5G, com VoLTE ativado. Em aparelhos antigos, a ligação pode ser concluída sem mostrar os dados de identificação.
Até que a autenticação seja ampliada, a proteção continuará dependendo da combinação entre filtros do celular, cadastro no “Não Me Perturbe”, aplicativos de identificação e cautela.
Ao receber uma chamada suspeita, não informe senhas, códigos de confirmação, dados bancários ou informações pessoais. Caso a pessoa diga representar uma instituição conhecida, desligue e procure os canais oficiais da empresa.
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