A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou para um golpe que cobra até R$ 5 mil de quem procura recolocação no mercado de trabalho.
A fraude usa materiais adulterados em nome da Agência, que não comercializa cursos nem certificados. Os criminosos vendem versões falsas de guias que, na origem, são gratuitos, alegando que esses documentos serviriam como comprovação especial de capacitação para disputar vagas.
Um dos alvos são os motoristas de carga interessados no transporte de medicamentos, que recebem manuais manipulados com a palavra “Certificado” acrescentada à logomarca da Anvisa. O conteúdo verdadeiro, porém, continua livre de custo no site oficial da Agência.
Confira, a seguir, como identificar o golpe, por que os materiais da Anvisa são sempre gratuitos e onde denunciar cobranças irregulares feitas em nome da Agência.
Como o golpe do falso certificado é aplicado?
Os golpistas entram em contato por telefone ou mensagens oferecendo documentos supostamente emitidos pela Anvisa. A cobrança chega a R$ 5 mil pelos chamados certificados de capacitação, apresentados como um diferencial para conquistar vagas.
Para dar aparência de autenticidade, eles pegam materiais originais e gratuitos da Agência e inserem selos e termos falsos. Um caso real envolveu o Manual de Importação para veículos do transporte internacional, adulterado e vendido como certificado para motoristas de carga que atuam com produtos sob vigilância sanitária.
Esse manual, na prática, é distribuído de graça pela própria Anvisa. Ou seja, a vítima paga por algo que poderia baixar sem custo.
Por que a Anvisa nunca cobra por cursos ou certificados?
A Anvisa não vende nenhum curso, manual, nota técnica ou certificado. Todo o material educativo e de orientação do órgão é público e gratuito, e a Agência não autoriza cobrança por funcionários, terceiros ou empresas parceiras.
Quando um curso promovido pela Anvisa prevê certificação, o documento é enviado sem custo diretamente ao e-mail da pessoa inscrita. Não há intermediários: qualquer proposta que envolva pagamento, boleto ou transferência para liberar um certificado em nome da Agência é sinal de fraude.
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Como acessar os materiais oficiais e gratuitos?
Todos os manuais, guias e notas técnicas da Anvisa estão disponíveis de forma aberta no site oficial da Agência, sem cobrança para baixar ou participar de formações.
Apresentações online, lives e treinamentos legítimos são sempre divulgados pelos canais institucionais da Anvisa. Materiais ou eventos oferecidos por WhatsApp ou telefone que exijam depósito para liberar certificados não são reconhecidos pelo órgão.
Como se proteger e denunciar o golpe
Diante de uma oferta suspeita em nome da Anvisa, alguns cuidados evitam o prejuízo:
- Não compartilhe dados pessoais ou bancários e não faça nenhum pagamento antes de confirmar a autenticidade.
- Desconfie de sinais de fraude, como erros de grafia nos materiais e uso irregular da logomarca da Agência.
- Confirme a oferta apenas no portal oficial da Anvisa, nunca por links recebidos em mensagens.
Se identificar a tentativa de golpe, a orientação é registrar a ocorrência em uma delegacia de Polícia Civil ou em uma unidade especializada em crimes virtuais, o que pode ser feito presencialmente ou pela internet. Para comunicar o caso diretamente à Agência, o cidadão deve usar o canal oficial de denúncias da Anvisa.
Quais crimes os golpistas podem responder?
Segundo a Anvisa, os responsáveis pela fraude podem responder por estelionato, falsidade ideológica e uso indevido de marca registrada.
O estelionato se configura pelo engano com o objetivo de obter vantagem financeira, e a falsidade ideológica envolve o uso de informações falsas em documentos. Já o uso da logomarca sem autorização pode agravar as penas e ainda gerar ações de reparação por danos.
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