O Setembro Amarelo é a campanha nacional de prevenção ao suicídio e à automutilação, realizada todos os anos durante o mês de setembro. Desde 2025, ela deixou de ser apenas uma mobilização da sociedade civil e passou a ser reconhecida oficialmente como política pública em todo o território nacional.
Origem da campanha
A história do movimento começou nos Estados Unidos, em 1994. Mike Emme, um jovem de 17 anos conhecido por sua habilidade com mecânica, havia restaurado um Ford Mustang 1968 e o pintado de amarelo.
Naquele mesmo ano, ele tirou a própria vida. No funeral, amigos e familiares distribuíram fitas amarelas acompanhadas de uma mensagem que se tornaria símbolo do movimento: pedir ajuda quando necessário.
O gesto se espalhou e deu origem a um programa de prevenção que, anos depois, influenciou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a instituir o dia 10 de setembro como Data Mundial de Prevenção ao Suicídio.
No Brasil, a campanha começou a ser realizada a partir de 2015, liderada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Desde então, cresceu em tamanho e alcance a cada edição, reunindo hospitais, escolas, empresas e órgãos públicos em torno do mesmo propósito.
A campanha agora é lei
Em 9 de setembro de 2025, o Setembro Amarelo deixou de depender apenas da mobilização voluntária de entidades e passou a ter respaldo legal em todo o país.
Foi sancionada a Lei nº 15.199, publicada no Diário Oficial da União (DOU). O texto institui a campanha em nível nacional e cria duas datas específicas: o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, em 17 de setembro, e o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro.
De acordo com a norma, a campanha deve ser realizada anualmente, ao longo de todo o mês de setembro, por meio de ações relacionadas à prevenção da automutilação e do suicídio, além de atividades voltadas à conscientização sobre saúde mental.
Entre as medidas previstas estão a iluminação de prédios públicos com luzes de tonalidade amarela, a promoção de palestras e eventos educativos e a veiculação de campanhas nos meios de comunicação, com distribuição de banners, folders e outros materiais informativos à população.
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ENTRAR NOS GRUPOS →A lei também determina que o poder público atue em conjunto com organizações não governamentais e a sociedade civil para colocar essas ações em prática.
Com a lei em vigor, o Setembro Amarelo ganha força institucional para se consolidar como uma mobilização permanente, não restrita a um único mês, mas capaz de manter viva, ao longo de todo o ano, a conversa sobre saúde mental, prevenção do suicídio e cuidado com quem está em sofrimento.
Por que o tema exige atenção?
Os números que motivam a campanha ajudam a entender sua importância. O Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou aumento de 66,4% nos casos de suicídio registrados no país em uma década, somando a população em geral e povos indígenas.
No cenário mundial, dados da OMS mostram que o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Mais de 720 mil pessoas morrem por essa causa todos os anos ao redor do mundo.
Especialistas reforçam que, na maioria dos casos, o suicídio está ligado a algum transtorno mental que poderia ter sido tratado. Esse dado reforça a importância de reconhecer sinais de sofrimento antes que a situação se agrave.

Sinais de alerta que merecem atenção
Segundo profissionais consultados por meios de comunicação especializados em saúde durante a campanha deste ano, o esgotamento emocional costuma se manifestar de forma gradual, e não repentina.
A neurocientista Carol Garrafa explica que, diante de períodos prolongados de estresse ou sofrimento emocional, o cérebro passa a economizar energia e reorganizar prioridades. Isso gera comportamentos que costumam passar despercebidos no dia a dia.
Entre os indícios mais citados por especialistas estão alterações no sono, seja insônia persistente ou sono em excesso, que comprometem a consolidação de memórias e a regulação emocional.
A irritabilidade e o isolamento social também aparecem com frequência nesses relatos. O médico Marcelo Godoi Cavalheiro destaca que esses sinais costumam surgir de forma progressiva e acabam sendo normalizados, tornando-se um problema justamente quando deixam de ser percebidos como um alerta do corpo.
Ele cita ainda a perda de interesse por atividades que antes traziam prazer como um indicativo relevante de sobrecarga emocional.
O impacto também pode aparecer nas relações com outras pessoas. A falta de paciência, o afastamento social e a dificuldade de se comunicar afetam vínculos familiares e sociais, além da concentração no ambiente de trabalho.
Em casos mais graves, comentários sobre desesperança ou falta de perspectiva, aumento do consumo de álcool e drogas, e comportamentos como organizar documentos ou distribuir pertences pessoais podem indicar risco iminente. Nessas situações, a intervenção rápida é fundamental.
Como buscar e oferecer ajuda
O principal objetivo da campanha, reforçado todos os anos pelas organizações envolvidas, é destacar que conversar sobre o tema é uma das formas mais eficazes de prevenção.
Pesquisas citadas por entidades de saúde estimam que a maior parte das situações de risco pode ser evitada quando a pessoa em sofrimento encontra espaço para conversar e é acolhida sem julgamento.
Quem precisa de apoio emocional pode procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188. O atendimento é gratuito e sigiloso, disponível 24 horas por dia, além de conversas por chat, e-mail e videochamada.
Também é possível buscar ajuda em unidades de saúde, com psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais capacitados para lidar com questões de saúde mental.
Para mais conteúdos relacionados à campanha, continue explorando o Blog Pensar Cursos.



















