A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos no Brasil em 2026 é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O cenário revela as dificuldades enfrentadas por quem busca ingressar no mercado de trabalho, marcado pela entrada de novos candidatos em um ritmo superior à criação de oportunidades.
A abertura de vagas ainda não acompanha a demanda crescente por empregos, e períodos de menor crescimento econômico costumam intensificar esse desafio. Além disso, muitas empresas passaram a exigir experiência prévia mesmo em funções iniciais, reduzindo as oportunidades para jovens em busca do primeiro emprego.
Dados do MTE apontam ainda que 6,2 milhões de jovens não estudam nem trabalham, grupo conhecido como “nem-nem”. Esse número representa 18,7% da população jovem, evidenciando outro desafio relacionado à inclusão e à preparação dessa parcela da população para o mercado profissional.
Quais fatores dificultam a entrada do jovem no mercado de trabalho?
A exigência de experiência prévia pelas empresas é, atualmente, uma das principais barreiras enfrentadas por quem busca o primeiro emprego. Esse requisito cria um ciclo desafiador: para adquirir experiência, o jovem precisa da vaga, mas sem experiência não é selecionado nos processos.
Outro ponto é o desalinhamento entre a formação escolar ou universitária e as competências demandadas pelo setor privado. Muitos estudantes concluem cursos que não contemplam habilidades práticas, tecnológicas ou de idiomas, dificultando o preenchimento das exigências apresentadas nos anúncios de emprego.
Em paralelo, a alta concorrência torna o processo ainda mais complexo. O volume de candidatos para posições iniciais é grande, enquanto o número de vagas permanece limitado. Isso resulta em processos extremamente seletivos e maior frustração entre os candidatos recém-saídos da escola ou universidade.

Imagem: Magnific
Desemprego entre os jovens em outros países
Em maio de 2026, a China apresentou uma taxa de desemprego juvenil de 15,6% para jovens urbanos de 16 a 24 anos, cenário mais grave que a média geral do país, que permanece em torno de 5%. No Brasil, o índice do público jovem também é mais do que o dobro da taxa geral.
Esse padrão se repete em várias economias emergentes e motivou protestos de jovens em diferentes continentes, como Quênia, Peru, Nepal, Indonésia e Filipinas. O problema ganhou ainda mais atenção após manifestações na África do Sul e em países do norte da África, apontando sua dimensão global.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre 2023 e 2025, oito das onze regiões do mundo viram o desemprego juvenil aumentar, destacando a intensidade do desafio em dar respostas para esse público.
🎓 Cursos grátis, concursos e vagas direto no seu WhatsApp!
Entrada 100% gratuita • escolha os grupos por tema
ENTRAR NOS GRUPOS →Setores com maior e menor oferta de vagas para iniciantes
Entre os setores que mais restringiram as oportunidades de entrada para jovens estão manufatura, construção civil e serviços. Esses ramos vêm sofrendo reduções no número de postos disponíveis, agravando o quadro geral de escassez de vagas para quem está começando a carreira.
Em contrapartida, áreas de ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação ainda apresentam melhores perspectivas de contratação no universo de recém-formados. Jovens que buscam formação técnica ou superior nessas especialidades tendem a encontrar inserção mais ágil e consistente, conforme estudos da OIT.
A inteligência artificial é responsável pela falta de vagas para jovens?
Embora o avanço da inteligência artificial gere debates sobre o futuro das funções administrativas e operacionais, especialistas indicam que o impacto da automação ainda não é o principal fator para a escassez de vagas de entrada. De acordo com a OIT, o baixo crescimento econômico e a diminuição geral na geração de empregos seguem como causas mais relevantes.
O receio em relação à substituição de tarefas por sistemas automatizados existe, sobretudo em ocupações de escritório. No entanto, ainda não há consenso acadêmico de que a IA tenha provocado a redução maciça nas oportunidades de primeiro emprego.
Para o segmento jovem, as dificuldades atuais estão mais ligadas à conjuntura macroeconômica do que às transformações tecnológicas propriamente ditas.
Ausência do primeiro emprego pode impactar a vida do jovem
Sem a experiência do primeiro emprego, muitos jovens atrasam o desenvolvimento de competências valorizadas pelo mercado, como gestão do tempo, trabalho em equipe e comunicação prática. Além disso, a falta de inserção produtiva tem consequências na renda e na independência financeira.
Isso pode resultar no adiamento de projetos como moradia própria, planos de estudo continuado ou formação de família. Em escala coletiva, a exclusão produtiva compromete o potencial de consumo e contribui para ambientes de maior instabilidade social e econômica.
Dicas para construir um currículo sem experiência formal
Jovens sem experiência profissional podem aproveitar outras vivências para enriquecer o currículo e se destacar nos processos seletivos.
- Inclua atividades voluntárias: trabalhos em ONGs, igrejas ou projetos sociais demonstram engajamento e habilidades socioemocionais.
- Destaque cursos online e certificações: cada qualificação extra vale pontos, sobretudo na área de tecnologia, idiomas ou soft skills.
- Mencione participação em eventos e oficinas: palestras, hackathons, semanas acadêmicas e workshops mostram interesse em aprendizado contínuo.
- Evidencie projetos acadêmicos: TCCs, iniciação científica e concursos estudantis são exemplos a detalhar.
- Sinalize competências interpessoais: pontue situações das quais participaram em lideranças, trabalhos em grupo ou que exigiram resiliência.
A principal recomendação é manter o currículo claro, objetivo e atualizado, potencializando qualquer experiência que indique proatividade e vontade de aprender.
Quer se preparar melhor para o mercado de trabalho? No Blog Pensar Cursos, você encontra conteúdos sobre carreira, qualificação profissional, cursos online e estratégias para desenvolver novas habilidades.
Veja também:




